MERCADO FINANCEIRO
Petróleo
Temores relacionados à oferta de petróleo e o encontro de domingo dos produtores na Arábia Saudita pressionaram a commodity e elevaram a aversão a risco nos mercados. O ambiente nas bolsas globais deteriorou-se ainda mais com as revisões em baixa das perspectivas dos ratings da GM, Ford e Chrysler. O índice Dow Jones em Nova York operou durante toda a sessão e fechou abaixo dos 12 mil pontos pela primeira vez desde março.
Bovespa
A Bovespa foi contagiada e recuou para o patamar de 64 mil pontos, elevando as perdas acumuladas em junho até o momento para 10,99% - maior desvalorização desde abril de 2004, de 11,44%, caso o mês terminasse ontem. A cautela com o impacto da alta do óleo e dos alimentos sobre a inflação e a desaceleração da economia mundial também cresceu em meio à expectativa pela reunião de política monetária do Federal Reserve, nas próximas terça e quarta-feira.
Escalada
No mercado de juros futuros, as taxas voltaram a subir reagindo à escalada dos índices de preços no País e à falta de medidas adicionais do governo para ajudar o Banco Central no combate à inflação. O dólar à vista também foi pressionado pelo ambiente externo negativo, que levou a moeda norte-americana a recuar em relação ao euro e o iene.
Castigada
Um dia a Petrobras, noutro as bolsas norte-americanas. E pela mesma razão - o comportamento do petróleo - a Bovespa foi castigada. Fechou novamente em queda ontem, com o enfraquecimento do Dow Jones abaixo de 12 mil pontos. A queda do petróleo na última quinta-feira fez muitos investidores voltarem às compras ontem, já se antecipando ao encontro de domingo dos produtores na Arábia Saudita. A commodity fechou com ganho superior a 2%, levando Wall Street a rolar ladeira abaixo. A Bovespa correu atrás.
Ibovespa
O Ibovespa encerou em baixa de 2,97%, aos 64.613,8 pontos. Oscilou entre a mínima de 64.602 pontos (-2,99%) e a máxima de 66.611 pontos (+0,03%). O volume financeiro segue fraco e totalizou R$ 5,924 bilhões. Com as perdas de ontem, o desempenho em junho está negativo em 10,99%. Se o mês de junho terminasse nesta sexta-feira, a Bovespa registraria a maior queda desde abril de 2004, de 11,44%. Apenas nesta semana, a Bolsa perdeu 3,85%. No ano, o índice ainda tem alta, mas de apenas 1,14%.
Ataque iraniano
O petróleo, que na quinta-feira derrubou as ações da Petrobras com os temores de arrefecimento da demanda depois que a China anunciou reajuste dos combustíveis a partir de ontem, voltou a subir na sessão desta sexta-feira. Uma onda de problemas na produção nigeriana e a notícia de um exercício militar israelense para defender-se de eventual ataque iraniano pressionaram os preços, que ainda subiram por causa do oportunismo de alguns investidores após a queda de quinta-feira.
Produção
A Arábia Saudita confirmou no final da manhã de ontem que irá elevar sua produção em 200 mil barris nos próximos dias e divulgará detalhes no encontro de domingo. O contrato para julho subiu 2,04%, para US$ 134,62. Com a commodity em elevação, as bolsas norte-americanas trabalharam a sessão toda em queda. O Dow Jones fechou em -1,83%, aos 11.842,7 pontos, no menor patamar desde 10 de março. O S&P recuou 1,85% e o Nasdaq, 2,27%.
No centro
Além do petróleo, o setor financeiro e as montadoras também foram destaque de baixa na sessão. No primeiro caso, estiveram no centro do noticiário as seguradoras de bônus MBIA e a Ambac, que tiveram seus ratings de crédito reduzidos pela Moodys Investors Service, além da Washington Mutual, que anunciou corte de mais 1.200 empregos, principalmente na Califórnia e na Flórida, dois crescentes mercados imobiliários que foram atingidos duramente pela crise de hipotecas.
Montadoras
No caso das montadoras, a razão para os papéis fecharem em queda acentuada veio da Standard and Poors e da Moodys, que colocaram os ratings da Ford em observação negativa. A S&P também pôs em observação com implicações negativas os ratings de GM e Chrysler e das financeiras da Ford e da Chrysler. Hoje, a Ford anunciou corte de produção e disse que pode ter prejuízo antes de impostos em 2008. Esta notícia sobre as montadoras norte-americanas também é negativa para o Brasil, principalmente num momento onde se discutem alternativas para ajudar o Banco Central conter a alta da inflação, entre elas a redução da oferta de crédito.
Automóveis
O setor de automóveis é um dos mais aquecidos e também um dos principais a usar financiamentos. Ou seja, além da pressão da política monetária brasileira, o setor também pode vir a sofrer com esta revisão das agências, e isso impacta principalmente as ações do setor siderúrgico, que derreteu ontem. Gerdau PN foi a segunda maior perda do Ibovespa, com -6,88%, seguida por Usiminas ON (-6,46%), e Metalúrgica Gerdau (-6,43%). CSN ON recuou 4,76%.
Aço
Cabe aqui registrar o relatório do IISI informando que a produção mundial de aço cresceu 5,8% em maio deste ano em comparação com o mesmo mês do ano passado, somando 119,5 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a maio, a produção cresceu 5,6%, passando de 546 milhões de toneladas nos primeiros cinco meses do ano passado para 576,5 milhões de toneladas no mesmo período de 2008.
Agência Estado





