MERCADO FINANCEIRO
Em queda
O dólar fechou em leve queda ontem seguindo o fluxo favorável de recursos para o País, o que compensou o mau humor das principais Bolsas de Valores. A moeda norte-americana caiu 0,12%, para R$ 1,607, menor cotação desde janeiro de 1999. O dólar, que cedeu frente ao real nos minutos finais da sessão, passou parte do dia em alta por conta das Bolsas.
Tendência
''É que a tendência (do dólar) ainda é de certa forma para baixo, e os 'players' aproveitam os momentos (de alta) para desfazer suas posições'', afirmou Carlos Alberto Postigo, operador de câmbio do Banco Paulista. O dólar já recuou quase 10% neste ano devido a diversos fatores, entre eles operações de arbitragens.
Seguindo o fluxo
Segundo o operador, o mercado cambial também acompanhou o fluxo de recursos, que afeta a cotação de forma mais evidente pelo fato de o mercado não ter muita liquidez. Durante o dia, Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor Corretora, comentou que ''o dólar estava seguindo o receio (dos investidores) com os bancos norte-americanos''. Na máxima do dia, a moeda norte-americana subiu 0,50%, a R$ 1,617.
Fluxo cambial
O fluxo cambial em junho, até o dia 13, está positivo em US$ 892 milhões, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. O resultado é inferior ao registrado em igual período de junho de 2007, quando foi positivo em US$ 7,821 bilhões. No resultado fechado de maio de 2008, houve ingresso líquido de US$ 148 milhões.
Comercial
O fluxo comercial em junho, até dia 13, está positivo em US$ 3,049 bilhões, resultado de exportações de US$ 8,087 bilhões e importações de US$ 5,038 bilhões. O fluxo financeiro, por sua vez, registrou saída de US$ 2,158 bilhões no dado preliminar de junho, resultado de ingressos de US$ 22,853 bilhões e saídas de US$ 25,011 bilhões.
Positivo
No ano, até dia 13 de junho, o fluxo cambial está positivo em US$ 16,703 bilhões, com contribuição positiva de US$ 27,900 bilhões do setor comercial e participação negativa de US$ 11,197 bilhões da conta financeira. Em igual período de 2007, o fluxo cambial estava positivo em US$ 42,887 bilhões.
Sem crises
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, descartou ontem a hipótese de ocorrer uma crise cambial no País. ''Não haverá crise cambial e, felizmente, as agências de rating e o mercado concordam com o Banco Central'', disse ele, durante palestra na sede da Demarest & Almeida Advogados, em São Paulo, a empresários e representantes de instituições financeiras. A presidente da agência de classificação de risco Standard & Poor's no Brasil, Regina Nunes, também estava na platéia.
Interferência
Para Meirelles, as crises existiram no passado devido à interferência do governo nesse mercado. ''No Brasil, o câmbio tem livre flutuação e o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central têm feito reformas para tornar o mercado mais eficiente, eliminando gargalos'', argumentou.
Análise
Por este motivo, segundo Meirelles, não é preciso analisar números negativos, como o da conta corrente, com preocupação. Ele voltou a dizer que não só os analistas brasileiros e o BC têm monitorado estes números, mas que especialistas de todo o mundo os acompanham. O presidente do BC afirmou que qualquer depreciação ou apreciação de moeda no Brasil pode ocorrer, mas não de forma volátil, como no passado.
Capital externo
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou sua primeira entrada líquida de capital externo no mês de junho, com ingresso de R$ 113,305 milhões no pregão da última sexta-feira (dia 13). Naquele dia, o índice Bovespa fechou em baixa de 0,17%, a 67.203 pontos, e registrou um volume financeiro de R$ 7,031 bilhões.
Acumulado
No acumulado do mês, até o dia 13, o saldo de investimento estrangeiro está negativo em R$ 4,743 bilhões. No ano até a mesma data, o saldo é negativo em R$ 3,985 bilhões.
Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em alta, com os investidores comprando os papéis das empresas do setor imobiliário, para cobrir posições vendidas, e das fabricantes de eletrônicos, depois que a cotação do dólar ficou acima dos 108 ienes. O índice Nikkei 225 subiu 104,45 pontos, ou 0,7%, e fechou aos 14.452,82 pontos.
Europa
As bolsas européias fecharam em baixa ontem, com as perdas entre bancos e empresas petrolíferas puxando os índices para baixo. A Bolsa de Londres caiu 1,79%, para 5.756,90 pontos; a Bolsa de Paris teve baixa de 1,44%, indo para 4.618,75 pontos; a Bolsa de Frankfurt caiu 0,99%, indo para 6.728,91 pontos; a Bolsa de Amsterdã perdeu 2,01%, fechando com 450,57 pontos; a Bolsa de Milão caiu 1,75%, para 23.601 pontos; e a Bolsa de Zurique perdeu 0,95%, para 7.182,56 pontos.
Reflexo
Ontem o setor financeiro sentiu a queda de pouco mais de 60% no lucro líquido do banco americano de investimentos Morgan Stanley no segundo trimestre, ficando em US$ 1,03 bilhão (US$ 0,95 por ação), contra US$ 2,58 bilhões (US$ 2,45 por ação) um ano antes. O executivo-chefe do banco, John Mack, disse que os resultados se deveram a ''condições difíceis no mercado e baixos níveis de atividade de clientes''.
Das agências





