MERCADO FINANCEIRO
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,635 para venda, em queda de 0,36%, nas últimas operações finais de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,760 (venda), estável sobre a taxa final de quarta-feira. O BC entrou no mercado de câmbio por volta das 15h e aceitou ofertas dos dealers por R$ 1,6341 (taxa de corte). Até quarta-feira, as reservas internacionais eram de US$ 198,666 bilhões.
Sinais
O Banco Central sinalizou que deve manter a política de juros altos, na ata relativa à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando a taxa básica foi ajustada de 11,75% para 12,25%.
Postura
''O Comitê acredita que a atual postura de política monetária - o aumento dos juros -, a ser mantida enquanto for necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das metas'', disse o BC na ata, divulgada ontem.
Divididos
O mercado se dividiu na apreciação do texto. Uns viram sinais claros de que o Copom será obrigado a aumentar a ''dose'' (subir ainda mais os juros) em suas próximas reuniões. Na ata, o colegiado do Banco Central teria mostrado que não dimensionou adequadamente as pressões inflacionárias e que precisa correr atrás do ''tempo perdido''. Em outra interpretação, veiculada por alguns analistas, o Copom não se ''comprometeu'', isto é, não sinalizou se deve manter ou apertar a política monetária.
Juros futuros
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o mercado futuro de juros rebaixou as taxas projetadas para 2009 e 2010. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada cedeu de 13,28% ao ano para 13,20%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 14,81% para 14,78%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada subiu de 14,86% para 14,89%.
Interrompida
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) interrompeu uma sequência de quatro pregões consecutivos e recuperou terreno ontem, favorecida por um dia mais positivo nas Bolsas européias e americanas. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, avançou 1,43% no fechamento, para os 67.752 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,6 bilhões.
Positivo
Na Europa, as ações do setor de mineração e de bancos contribuíram para as principais Bolsas encerrarem a sessão de negócios com sinal positivo, a exemplo de Londres (1,17%) e Frankfurt (0,97%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York teve alta de 0,48%.
Especulações
Entre as principais notícias do dia, o Copom revelou o conteúdo da ata relativa à reunião da semana passada, em que a taxa básica de juros foi ajustada de 11,75% para 12,25%. O texto renovou as especulações em torno de ajuste da ordem de 0,75 a 1 ponto percentual na próxima reunião do Copom. Essas apostas de um ''choque'' nos juros para conter a inflação estiveram bastante em voga poucos dias antes da reunião anterior.
Rigor
''Devido à deterioração tanto do cenário inflacionário, evidenciado por todos os índices de inflação divulgados recentemente - no atacado e no varejo - e pelas expectativas inflacionárias, o Copom deveria começar a agir com mais rigor contra a inflação, já na reunião realizada em junho'', avaliou consultoria Austin Rating, em comentário sobre a ata.
Sem consenso
Essa opinião não foi consensual no mercado financeiro. Uma corrente de economistas preferiu interpretar que o Copom não se ''comprometeu'' e que, no máximo, sinalizou que deve manter o passo atual de ajuste dos juros (0,50 ponto percentual a cada reunião).
Avaliação
Esse grupo de economistas preferiu enfatizar que o Comitê conta uma desaceleração do crescimento econômico no segundo semestre e com a defasagem entre a elevação dos juros e seus efeitos sobre o consumo.
Influências
Também influenciaram os negócios do dia a nova rodada de números da economia americana, que finalmente revelou indícios mais positivos: as vendas no varejo tiveram, um crescimento de 1% em maio, maior expansão desde novembro do ano passado. Em abril, o crescimento foi de apenas 0,4% (dado revisado).
Desemprego
O Departamento do Trabalho, no entanto, informou que o montante de solicitações de seguro-desemprego atingiu 384.000 na semana passada, um acréscimo de 25.000 pedidos, número bastante acima do esperado por analistas do setor financeiro. Na semana passada, o mercado financeiro já se assustou com a taxa de desemprego (5,5%) bastante alta, devido ao seu impacto direto sobre consumo e renda.
Empresas
O destaque do dia foi a ação da AmBev, que disparou 8,28%, para R$ 115. Quarta-feira à noite, a Inbev - formada pela fusão da belga Interbrew e da brasileira AmBev - fez uma proposta de cerca de US$ 46 bilhões pela americana Anheuser-Busch. Se concretizada, a operação pode tornar a cervejaria belgo-brasileira a maior do mundo.
Das agências





