Em alta

O dólar comercial foi trocado por R$ 1,647, alta de 1,22%, nos últimos negócios de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,750 (venda), em baixa de 0,52%.

Atribuições
Profissionais de câmbio atribuem ao derretimento da Bolsa de Valores, que ontem amargava perdas de quase 3%, à forte alta das taxas de câmbio. Em momentos de maior estresse no mercado acionário, investidores costumam liquidar ações e comprar dólar, o que pressiona os preços da moeda americana.

Pivô
O pivô do nervosismo dos agentes financeiros foi o duro discurso de Ben Bernanke, titular do Federal Reserve (banco central americano), de segunda-feira à noite. Nesse discurso, Bernanke reforçou a disposição da autoridade monetária local em não deixar a inflação sair do controle, como efeito da disparada dos preços do petróleo.

Pessimismo
O mercado está pessimista, tentando antecipar o pior cenário já descrito em relatórios e comentários de bancos e corretoras: uma estagflação, a combinação de crescimento baixo com inflação em alta.

Aversão
''Aumentou a aversão ao risco lá fora. Aquela alta dos preços do petróleo na sexta-feira deixou os traders muito mais sensíveis à questão da commodity e o impacto na inflação'', comentou Mário Paiva, analista da corretora Liquidez. ''Agora, o que houve foi uma correção normal de preços. Acho que amanhã (hoje) mesmo já retoma a tendência de queda. Mesmo que os juros subam na zona do euro e nos EUA, o gap - a diferença - para os juros domésticos ainda é muito grande.''

Juros Futuros
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o mercado futuro de juros continua a refletir a perspectiva de um aperto monetário (alta dos juros básicos) ainda mais intenso. Hoje, os agentes financeiros monitoram o IPCA, índice oficial do regime de metas.

Taxas
No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou de 13,16% ao ano para 13,17%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada foi mantida em 14,76%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada cedeu de 14,88% para 14,86%.

Más notícias
A inflação continuou a ser fonte de más notícias: o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) registrou aceleração da inflação nas sete capitais apuradas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). A maior taxa foi registrada em Recife, de 1,43% (contra 1,23% uma semana antes).

Perdas
Em seu terceiro pregão de perdas, e o sexto neste mês, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu todo o ganho acumulado em maio. Os investidores continuam pessimistas sobre a economia americana, e operam com uma perspectiva de alta dos juros tanto no Brasil quanto no exterior. O Ibovespa, termômetro dos negócios, cedeu 2,17%, para os 67.774 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,21 bilhões. Em junho, esse indicador registra perda de 0,14%.

Contribuição
A ação preferencial da Vale do Rio Doce despencou 4,33% e contribuiu para boa parte da queda de ontem da Bovespa, junto com a ação da Petrobras, que também teve forte baixa, de 3,11%. A mineradora confirmou parcialmente os rumores no mercado financeiro e anunciou a intenção de emitir US$ 15 bilhões em ações para aplicar em aquisições. O dólar comercial foi trocado por R$ 1,647, alta de 1,22%, nos últimos negócios, da terça-feira. A taxa de risco-país foi mantida em 189 pontos.

Na Europa
Na Europa, as principais bolsas de valores encerraram os negócios em terreno negativo, a exemplo de Londres (baixa de 0,85%) e Frankfurt (queda de 0,65%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York registrou leve alta de 0,08%.

Bolsas da China
As medidas de aperto ao crédito anunciadas sábado por Pequim, as contínuas preocupações referentes à alta dos preços do petróleo e o enfraquecimento econômico global fizeram as Bolsas da China apresentar a maior queda diária porcentual em um ano.

Fechamento
O índice Xangai Composto caiu 7,7% e fechou aos 3.072,33 pontos, o pior fechamento desde 22 de março de 2007 e o maior declínio diário desde 4 de junho do ano passado, quando desabou 8,3%. O Shenzhen Composto perdeu 8% e encerrou aos 928,20 pontos. Segunda-feira, as bolsas chinesas estavam fechadas por causa de feriado.

Pró-mercado
''Um recuo abaixo de 3.000 pontos no Xangai Composto é limitado, à medida que os investidores entrarão logo em busca de ofertas de ocasião, com esperanças de que o governo irá lançar políticas pró-mercado para prevenir futuras quedas adicionais'', disse Tang Xiaosheng, analista da Guosen Securities. Segundo os analistas, políticas pró-mercado podem incluir o lançamento de margens de negociação acionária e a aprovação de novos fundos de ações.

Das agências

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