Em queda

O dólar comercial foi vendido por R$ 1,627, queda de 0,18%, nos últimos negócios de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,740 (venda), estável sobre a taxa final de quarta-feira.

Unanimidade
Quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) aprovou, por unanimidade, o ajuste da taxa Selic de 11,75% para 12,25%. A decisão foi bem recebida pelo mercado financeiro: a maioria dos analistas apostava em uma alta de 0,50 ponto percentual. O consenso aponta para mais três ajustes do mesmo porte, pelo menos, até o final deste ano.

Agressivo
O Banco Central promoveu leilão de câmbio às 12h e aceitou ofertas dos dealers por R$ 1,6275 (taxa de corte). Até quarta-feira, o nível das reservas internacionais era de US$ 199,290 bilhões. Operadores comentaram que o BC agiu de forma mais agressiva ontem, o que pode ter contribuído para segurar a cotação no dia, que oscilou entre a máxima de R$ 1,638 e a mínima de R$ 1,623.

Razões
''Hoje (ontem), havia todas as razões para o dólar cair: as Bolsas subindo e o fato do Copom ter ajustado a Selic, embora isso não fosse realmente a novidade. É que hoje (ontem) o mercado se assustou um pouco com a declaração do presidente do BCE - Banco Central Europeu - de que na próxima vez os juros da zona do euro podem subir'', comentou Ideaki Iha, profissional da corretora Fair. ''E nesta semana, o Bernanke já gerou algum nervosismo com a declaração dele sobre o dólar'', acrescentou.

Por enquanto
Entre as principais notícias do dia, o BCE anunciou ontem que manteve a taxa básica de juros na zona do euro em 4%. O presidente Jean-Claude Trichet, no entanto, alertou que a autoridade monetária ''não descartará em sua próxima reunião subir a taxa de juros'', a fim de garantir a estabilidade de preços.

Atento
E na terça-feira, o presidente do Banco Central Americano, Ben Bernanke, afirmou que o Fed estava ''atento'' ao dólar fraco, devido ao seu potencial de impacto sobre a inflação. As declarações tiveram efeito imediato sobre o mercado mundial de câmbio e contribuíram para recuperar os preços da moeda americana.

Juros futuros
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o mercado futuro de juros elevou as taxas projetadas para 2010 e 2011. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada cedeu de 13,13% ao ano para 13,08%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 14,22% para 14,39%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada subiu de 14,18% para 14,40%.

Recuperação
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuperou boa parte das perdas acumuladas nos últimos dias no pregão de ontem. A disparada dos preços do petróleo contribuiu para puxar as ações da Petrobras, que subiram mais de 5% no encerramento. O Ibovespa, termômetro dos negócios, avançou 3,73%, para os 71.234 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,86 bilhões.

Avanços
Em Nova York (Nymex), o preço do barril de petróleo disparou 4,5% e bateu US$ 127,79, arrastando as ações de empresas do setor petróleo. No Brasil, a ação preferencial da Petrobras ganhou 5,01%, para R$ 47,55, e movimentou R$ 1,12 bilhão, praticamente um quinto do volume total de ontem. Outras empresas vinculadas às commodities também tiveram forte valorização: o papel da Gerdau teve alta de 7,21%; a ação da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) recuperou 6,94% enquanto a ação da Vale do Rio Doce ascendeu 4,22%.

Avaliações
''Na semana passada, a Bolsa havia caído muito em função do Copom. O mercado estava muito preocupado com inflação e os investidores de curto prazo venderam muito. O que o Banco Central mostrou quarta-feira foi que está de olho na inflação, mas que efetivamente não tinha necessidade de subir tanto os juros'', comentou Gustav Penna Gorski, economista-chefe da corretora Geração Futuro. ''E o investidor de curto prazo voltou às compras. Muitas empresas haviam sido muito castigadas nos pregões anteriores. Para mim, hoje (ontem) somente foi uma recomposição desses exageros'', acrescenta.

Reações
Na Europa, a perspectiva de que os juros subam na zona do euro afetou as principais Bolsas do continente, que concluíram os negócios sem direção única, a exemplo de Londres (alta de 0,42%) e Frankfurt (queda de 0,33%). O mercado reagiu às declarações de Jean-Claude Trichet, presidente do BCE (Banco Central Europeu), de que a autoridade monetária ''não descartará em sua próxima reunião subir a taxa de juros'', a fim de garantir a estabilidade de preços.

Estresse
As declarações de Trichet também provocaram algum estresse no mercado brasileiro de câmbio, mantendo pressionada a taxa durante boa parte do dia. Nos últimos negócios, no entanto, o dólar comercial caiu 0,18% e foi trocado por R$ 1,627 para venda.

Forte
Nos EUA, a Bolsa de Nova York teve forte alta de 1,73%, sustentada por algumas boas notícias da economia americana, principalmente do mercado de trabalho e do setor varejista.

Das agências

mockup