Queda


O dólar comercial foi cotado ontem a R$ 1,638 na venda, em declínio de 1,08%. A taxa de risco-país marca 199 pontos, número 1,97% inferior à pontuação final de quarta-feira. O mercado de câmbio reagiu com muito mais ênfase que o acionário à notícia de que o Brasil foi promovido, outra vez, a grau de investimento.

Para mais
A Fitch Ratings elevou ontem a nota do Brasil de ''BB+'' para ''BBB-'', seguindo a iniciativa da agência Standard & Poor's, que no final de abril foi a primeira a classificar o País como bom pagador.

Ajustes
Quarta-feira, a agência canadense DBRS, de menor expressão, ajustou seu rating do Brasil para grau de investimento, animando investidores, que voltaram a comentar sobre a possibilidade de novidades por parte da agência Fitch ainda no curto prazo.

Modesta
A reação, desta vez, foi bem mais modesta. Quando a agência S&P ajustou sua nota para o risco de crédito brasileiro, praticamente, surpreendeu a todos e ''obrigou'' a uma reação eufórica: a Bovespa valorizou mais de 6%.

Efeitos
''Os efeitos desse novo rating vão ser sentidos ao longo do tempo, no médio e no curto prazo. Vai ser positivo para o fluxo de investimentos estrangeiros. E também vai ajudar as empresas brasileiras a buscar dinheiro no exterior. É claro que muitas das principais empresas daqui já tinham o grau de investimento, mas é claro que vai ser a diferença. A tendência é que a taxa de juros de longo prazo caia'', comentou Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia.

Avaliações
Embora lembre que os juros futuros tenham recuado mais após a notícia, Teles não vê possibilidades de que a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) seja afetada de forma significativa. ''O Copom está preocupado em trazer as expectativas para a meta de inflação. E esse grau de investimento vai ter efeito mais no médio e longo prazo'', acrescentou o economista. Boa parte do mercado financeiro estima que o Copom decida por um novo aumento - de 0,50 ponto percentual - da taxa Selic, hoje em 11,75%.

Sem surpresas
Desta vez, dizem analistas, o mercado não foi pego de surpresa: a antecipação da notícia, fez com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caísse bem, mesmo num dia em que uma segunda agência internacional confirmou a chancela de bom pagador para o Brasil.

Pontual
A Bovespa teve uma reação bastante pontual à notícia: escapou apenas por um momento do território negativo, para depois acentuar a tendência de baixa. O Ibovespa, principal termômetro dos negócios, desvalorizou 1,85%, para 71.797 pontos. A Bolsa teve um forte giro financeiro de R$ 8,31 bilhões, acima da média do mês (R$ 6,86 bilhões, até quarta-feira).

Antecipada
''Foi totalmente diferente desta vez. Essa notícia foi bem antecipada, enquanto na outra ocasião houve um componente de surpresa. Ontem, simplesmente o mercado realizou os lucros após a confirmação do fato'', comentou Tomás Goulart, economista da Modal Asset Management.

Variação
Quarta-feira, a agência canadense DBRS, de menor expressão, ajustou seu rating do Brasil para grau de investimento, animando investidores, que voltaram a comentar sobre a possibilidade de novidades por parte da agência Fitch ainda no curto prazo. Como resultado, a Bovespa fechou em alta de 3,04%, a maior variação desde o anúncio precedente da Standard & Poor's, no final de abril.

Movimentação

A força dessa realização de lucros (venda de papéis muito valorizados para embolsar ganhos) pode ser sentida entre as ações mais negociadas do pregão. A ação preferencial da Petrobras despencou 3,23%, para R$ 49,34, enquanto a ação da Vale do Rio Doce amargou perdas de 4,30%, para R$ 53,40, hoje. Juntas, representaram mais de R$ 2,5 bilhões em negócios somente nesta sessão.

Copom
Os economistas ouvidos têm poucas ilusões sobre o impacto da boa notícia sobre a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na próxima semana. O mercado financeiro, em boa parte, espera um novo aumento de 0,50 ponto percentual, e essa expectativa não foi modificada após a novidade da Fitch. ''O Copom está preocupado em trazer as expectativas para a meta de inflação. E esse grau de investimento vai ter efeito mais no médio e longo prazo'', afirma Teles, da Concórdia.

Em alta
A maioria das bolsas européias fechou em alta ontem, em mais uma sessão marcada por volatilidade. A alta do petróleo durante as negociações na Europa deu força a papéis do segmento de energia, embora continue sendo motivo de preocupação.

Avanços
O índice parisiense CAC-40 subiu 4,79 pontos (+0,10%), para 4.975,90 pontos. Gaz de France avançou 3,4% e a petrolífera Total terminou com ganho de 1,5%. Em Frankfurt, o DAX-30 fechou com alta de 21,19 pontos (+0,30%), em 7.055,03 pontos.

Das agências

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