MERCADO FINANCEIRO
Em alta
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta ontem, ainda sob o efeito da elevação da nota de risco do Brasil para grau de investimento pela Standard & Poor's na última quarta-feira. A sessão foi de euforia no mercado, com o Ibovespa ultrapassando pela primeira vez os 70 mil pontos no início das operações.
Recorde
Apesar de ter desacelerado ao longo do pregão, o Ibovespa fechou em nível recorde, aos 69.366 pontos - alta de 2,21% sobre quarta-feira. Na máxima registrada ontem, o índice chegou aos 70.973 pontos. O volume negociado foi de R$ 11 bilhões, quase o dobro da média diária verificada em abril. O dólar comercial fechou em baixa de 0,84%, cotado a R$ 1,65, enquanto o turismo ficou a R$ 1,75, em baixa de 2,77%.
Destaque
Os papéis de segunda linha, que tradicionalmente não figuram entre as principais valorizações da Bovespa, foram destaque na sessão de ontem. ''O destaque do dia não foi Vale, Petrobras e Guerdau, mas papéis de segunda linha, que estavam devendo, como os do setor da construção, aviação e bancário'', disse Arthur Ferrone, operador da Souza Barros Corretora.
Perspectiva
A obtenção do grau de investimento pelo Brasil abriu a perspectiva para os investidores avaliarem outras opções de papéis, além daqueles de maior liquidez na Bovespa, segundo Gilberto Pereira dos Santos, chefe de análise do Banco Espírito Santo.
Volatilidade
Para Ferrone, esse movimento indica para volatilidade do mercado nos próximos dias. ''Antes, havia um bloco de papéis para bombar. Agora, embaralhou tudo. A estimativa é de volatilidade, com tendência de alta. Sobe três e cai três, com destaque para construção'', avaliou o operador da Souza Barros.
Ponta
Entre as maiores altas da Bovespa, despontaram as ordinárias da B2W - que controla sites de varejo -, com alta de 18,14%, as preferenciais das Lojas Americanas (16,72%), as ordinárias da Rossi Residencial (15,94%), as ordinárias da Cyrela (14,66) e as preferenciais da Duratex (10,97%).
Dúvidas
''É uma primeira correção de preços em função do grau de investimento. Os investidores estão procurando identificar outros papéis. Não dá para dizer, no entanto, que os papéis da Lojas Americanas vão manter esse patamar'', disse Santos. Ele observa, no entanto, que entre as principais valorizações de ontem estão papéis que ''estavam devendo uma correção técnica''.
Cenário
Para Álvaro Bandeira, da corretora Ágora Senior, o momento é positivo ao mercado de capitais brasileiro, que deverá passar por um momento de ajuste de preços dos ativos. ''No curto prazo, pode haver barriga de queda, e eventualmente, fechar um dia no negativo, para ajustes, para depois manter a tendência de alta com consistência'', avaliou Bandeira.
Reflexo
Dados divulgados nos Estados Unidos ontem também animaram o mercado e os investidores, sobretudo a eliminação de 20 mil vagas no país em abril, abaixo das expectativas. O dado foi visto como sinal de resistência da economia americana, que atravessa uma crise nos mercados imobiliário e de crédito.
Otimismo
Outro dado recebido com relativo otimismo foi o de pedidos às fábricas nos EUA em março, que registraram um crescimento de 1,4%, recuperando-se em relação a fevereiro, quando houve uma queda de 0,9%, e de uma queda ainda mais acentuada em janeiro, que foi de 2,3%.
Melhoras
O grau de investimento concedido ao Brasil na quarta-feira pela agência de classificação de risco Standard & Poor's foi um ''reconhecimento do importante progresso alcançado em gestão macroeconômica e da melhora substancial nas proporções de solvência externa'', disse reportagem de ontem no site da revista britânica de economia ''The Economist''.
Surpresas
''A luta pelo grau de investimento foi tão longa e cheia de dificuldades que os mercados financeiros foram tomados, de certa forma, de surpresa quando a Standard & Poor's elevou a nota de crédito de BB+ para BBB-'', disse a reportagem ''Alcançando a nota'', da revista britânica. ''Embora alguns investidores achassem que a nota já deveria ter sido elevada a mais tempo, poucos acreditavam que isso acontecesse antes do fim do ano, devido à atual incerteza global.''
Confiança
''A elevação da Standard & Poor's é um forte voto de confiança e um marco na história econômica do Brasil, após anos de falta de confiança após o calote da dívida em 1987'', disse a reportagem. Mesmo assim, e apesar de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido amplamente elogiado pelos avanços na economia, parte das melhorias refletiram ''o ambiente externo extremamente positivo até o ano passado''.
Prova
''A crise dos 'subprime' (créditos de risco) nos EUA e a turbulência financeira que a seguiu colocaram à prova a resistência da economia do Brasil. Embora possa vir a sofrer uma queda se as condições globais piorarem, a S&P diz que o Brasil passou no teste''. Com a nota, o Brasil poderá receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram essa chancela de bom pagador.
Das agências





