MERCADO FINANCEIRO
Cenário
A promoção do Brasil ao grau de investimento deve reduzir ainda mais a percepção de risco no país e atrair mais inversões estrangeiras, disse ontem o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Hemisfério Ocidental, Anop Singh. Na opinião dele, a ascensão do país à categoria BBB- na tabela da agência de classificação Standard and Poors também cria um cenário para que o governo aprofunde reformas, o que ajudaria o país a cumprir seu pleno potencial.
Confiança
Ele disse que o anúncio, na quarta-feira, demonstra a confiança dos investidores nas políticas econômicas do governo Lula, cuja eleição, em 2002, provocou a desconfiança do mercado financeiro - revertida depois com a manutenção das políticas de estabilização, com ajuda de um pacote do FMI. O país demonstrou compromisso com este marco - ancorado na lei de responsabilidade fiscal, metas de inflação e regime de câmbio flexível - que ajudou a consolidar a estabilidade macro-econômica e reduzir as vulnerabilidades, disse. Essas políticas, segundo ele, levaram a um cenário de inflação baixa, crescimento elevado e redução da pobreza e das desigualdades.
Mineração
A Eurasian Natural Resources Corporation, uma companhia do Casaquistão que atua nos setores de mineração, processamento, energia e logística, anunciou, na madrugada de ontem, que concluiu a compra de 50% da Bahia Mineração Limitada (BML). A empresa comprou a fatia por meio do exercício de direito de compra, pagando US$ 300 milhões, em dinheiro, para a Zamin BM NV, cuja nacionalidade não foi divulgada.
Ativos
A BML é uma companhia brasileira de desenvolvimento de depósitos de minério de ferro na Bahia. A empresa detém os direitos de estudos e exploração do cinturão de minério de ferro, que vai da região de Caetité, no sudoeste, até Xique Xique, no norte, que engloba uma área de mais de 360 quilômetros. Segundo comunicado distribuído no site da ENRC, a BML possui uma base de ativos de alta qualidade.
Auxílio-desemprego
O número de pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos registrou alta acima do esperado e subiu em 35 mil, totalizando 380 mil na semana passada, ante taxa de 360 mil esperada por analistas. Segundo os dados divulgados ontem pelo Departamento do Trabalho, o número trabalhadores que continuam sob o benefício atingiu o maior nível em quatro anos. Os pedidos iniciais de auxílio desemprego, antes do número revisado, eram de 345 mil. Já a média quadrissemanal de pedidos iniciais caiu na última semana para 363.750, ante número revisado de 370.250.
Benefício
O número de trabalhadores que continuam sob benefício saltou para 3,019 milhões, maior desde abril de 2004 - analistas esperavam 2,95 milhões. No mês passado, a economia americana fechou 80 mil postos de trabalho. Foi o terceiro mês consecutivo de perdas e a maior destruição de empregos num mês em cinco anos. A taxa de desemprego em março foi calculada em 5,1%, contra previsões de 5%. Em fevereiro, o governo americano havia reportado taxa de desemprego de 4,8% e o fechamento de 76 mil postos de trabalho.
Consumo
Os gastos dos consumidores norte-americanos, o principal pilar da economia dos Estados Unidos, subiram em março. Segundo o Departamento do Comércio, os gastos com consumo pessoal cresceram 0,4%, na comparação com fevereiro. Analistas previam alta de 0,2% para os gastos. Enquanto isso, a renda cresceu com uma intensidade menor e os índices de inflação avançaram. A renda dos americanos cresceu 0,3%, com ajuste sazonal, em março, em linha com a previsão dos analistas de incremento de 0,3%.
Recessão
A performance dos consumidores é observada de perto porque dois terços da economia dos EUA é sustentada pelo consumo. Segundo economistas, justamente o enfraquecimento deste item, puxado pela crise no setor imobiliário e de crédito, eleva o temor que a maior economia do planeta esteja perto de entrar em recessão. Ainda segundo Departamento de Comércio, a poupança pessoal (valor economizado em relação ao total da renda disponível) subiu 0,2% em março, metade da taxa de 0,4% de fevereiro.
Lucro
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa ontem com investidores realizando seus lucros no mercado asiático e com bancos enfrentando uma onda de fusões. A maior parte das bolsas asiáticas permaneceram fechadas por causa do feriado do Dia do Trabalho. O índice Nikkei caiu 0,6%, aos 13.766,86 pontos, enquanto o indicador Topix, que reúne todos os valores da primeira seção, caiu 0,92%, para 1.346,10. As negociações ocorreram em um ritmo mais lento nesta quinta e os investidores aguardam índices industriais e trabalhistas dos Estados Unidos, que deveriam ser divulgados ontem e hoje.
Resultados
A queda segue os resultados do mercado americano de ontem, que fecharam em baixa depois que o Fed reduziu sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual. Cortes de juros tendem a melhorar o humor dos investidores, mas a nota do Fed não deixou claro o que poderá fazer na próxima reunião. Na nota divulgada logo após o anúncio da decisão pelo corte dos juros, o Fed avaliou que a atividade econômica dos EUA e que, apesar de as leituras do núcleo da inflação terem melhorado um pouco, os preços da energia e de outras commodities aumentaram, e alguns indicadores de expectativas de inflação subiram nos últimos meses.
(Com Agências)





