Em alta


O dólar fechou em alta pela segunda sessão consecutiva ontem, seguindo o fluxo de saída da divisa em dia de mau humor nas bolsas. A moeda norte-americana subiu 0,95%, a R$ 1,705. O dólar voltou a fechar acima de R$ 1,70 após três semanas abaixo do patamar.

Valorização

Segundo Mario Battistel, gerente da Fair Corretora, o mercado cambial doméstico está seguindo o movimento do dólar frente a outras moedas no mundo e o cenário pessimista das bolsas. ''Hoje tem a bolsa realizando bastante, e o dolar está se valorizando frente a várias outras moedas'', afirmou o gerente.

Forte

O acúmulo de más notícias derrubou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em um dia de mau humor e apreensão generalizados nos mercados financeiros externos. A praça brasileira, que segunda-feira operou em níveis históricos de preços, devolveu boa parte dos ganhos dos últimos dias.

Ansiedade

Analistas também lembram a ansiedade dos investidores com a reunião do diretores do Federal Reserve, o banco central dos EUA, para definir a nova taxa básica de juros americana, hoje em 2,25% ao ano. As ''apostas'' do mercado financeiro se dividem entre um ajuste de 0,25 ponto percentual ou a manutenção.

Desvalorização

O Ibovespa, indicador que reflete as ações mais negociadas, desvalorizou 2,82%, para os 63.825 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,13 bilhões. Com o resultado de ontem, a Bolsa voltou a acumular queda (0,09%) no acumulado do ano.

Reflexo

Na Europa, a desvalorização das ações de mineradoras e bancos arrastaram as principais Bolsas locais, a exemplo de Londres (baixa de 0,02%) e Frankfurt (queda de 0,58%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York sofreu retração de 0,31%. ''Hoje somente houve más notícias. E amanhã o Fed decide a taxa de juros. Provavelmente, ele deve decidir por um novo corte de juros, mas deve avisar que 'agora, chega' (no ciclo de relaxamento das taxas)'', comenta Gustav Penna Gorski, economista-chefe da corretora Geração Futuro.

Indicadores

''Nos próximos dias também há uma série de indicadores importantes, como a taxa de desemprego - dos EUA - na sexta-feira, principalmente, e os números sobre rendimento e pessoal na véspera, o que deixa o mercado mais nervoso'', acrescenta.

Sinais

''O Fed provavelmente vai passar algum sinal de que vai adotar uma abordagem do tipo 'esperar para ver'. Isto não deve, a propósito, ser confundido com uma atitude de 'final de ciclo''', comenta David Rosenberg, economista do banco de investimentos Merrill Lynch.

Notícias

Entre as principais notícias do dia, a inflação medida pelo IGP-M surpreendeu os analistas do setor financeiro - a variação de 0,69% em abril ficou acima do esperado (0,48%) e reforçou as expectativas da corrente de economistas de bancos e corretoras que aposta num novo ciclo de alta da taxa Selic, hoje em 11,75% ao ano. Juros mais altos tendem a esfriar a economia e têm repercussão pouco favorável no mercado acionário.

Líquido

O Banco Santander SA disse que o seu lucro líquido aumentou 22% no primeiro trimestre, impulsionado pela recente aquisição de parte do ABN Amro e pelo aumento dos empréstimos concedidos na América Latina e na Espanha. O segundo maior banco da Espanha por valor de mercado disse que seu lucro líquido foi de 2,21 bilhões de euros (US$ 3,45 bilhões) nos três primeiros meses do ano, comparado com 1,8 bilhão de euros no mesmo período de 2007.

Impulso

Os analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires tinham previsto lucro líquido de 2,14 bilhões de euros. O lucro foi impulsionado por uma alta de 19% na receita, para 7,35 bilhões de euros (US$ 11,5 bilhões), enquanto os custos subiram 6%, para 3,08 bilhões (US$ 4,82 bilhões).

Contribuição

O Banco Real, o banco brasileiro que o Santander adquiriu quando tomou o controle, junto com outros bancos, do ABN Amro, no ano passado, contribuiu com 151 milhões de euros (US$ 236 milhões) para o resultado do trimestre.

Petrolífera

A British Petroleum (BP), segunda maior companhia petrolífera da Europa em capitalização de mercado, registrou lucro líquido de US$ 7,62 bilhões no primeiro trimestre do ano, 63,4% acima do resultado obtido no mesmo período do ano passado. Nos primeiros três meses de 2007, a companhia havia obtido lucro de US$ 4,66 bilhões.

Bolsas européias

As bolsas de valores européias, que nas últimas duas sessões operaram sob clima de ''pior já passou'', abriram o dia de ontem em alta, mas viraram e fecharam em baixa. Balanços corporativos ruins, queda na confiança do consumidor norte-americano, expectativa com a reunião do Fed e más notícias no setor imobiliário norte-americano pressionaram os papéis.

Movimentação

Em Londres, o FT-100 fechou em baixa de 1,00 ponto (-0,02%), em 6.089,40 pontos, apesar dos resultados trimestrais acima do esperado das petrolíferas BP e Royal Dutch Shell. O índice parisiense CAC-40 declinou 35,65 pontos (-0,71%), para 4.977,10 pontos. Na bolsa de Frankfurt, o DAX-30 recuou 39,99 pontos (-0,58%), para 6.885,34 pontos.

Das agências

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