MERCADO FINANCEIRO
Em alta
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,671 para venda, em alta de 0,72% nos últimos negócios de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi trocado por R$ 1,770 (alta de 0,56%). O Banco Central promoveu leilão de câmbio às 15h36 e aceitou ofertas dos dealers por R$ 1,6688 (taxa de corte).
Reforços
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), relativa à reunião da semana passada, reforçou a expectativa dos economistas do setor financeiro de que a taxa básica de juros deve voltar a subir nos próximos meses.
Tendência
A perspectiva de juros mais altos, no entanto, não funcionou para derrubar ainda mais os preços da moeda americana. Como alguns corretores já comentavam desde a semana passada, a tendência de queda das taxas de câmbio poderia apresentar alguma ''resistência'' em torno da cotação de R$ 1,65.
Análises
''O fluxo está muito baixo, porque, a essas taxas, o exportador fica recuado. Os bancos, que têm posições compradas (a taxas maiores), aproveitam o momento para puxar as cotações e sair depois com algum ganho'', afirma o diretor da corretora NGO, o economista Sidnei Nehme.
Juros futuros
Os investidores reagiram de forma imediata à ata do Copom no mercado de contratos futuros de juros da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 12,66% ao ano para 12,68%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 13,57% para 13,67%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 13,72% para 13,81%.
Em queda
A desvalorização das commodities no mercado internacional afetou algumas dos principais ações negociadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que fechou em queda pelo segundo dia consecutivo. O Ibovespa, indicador que reflete os preços dos papéis mais visados pelos investidores, cedeu 0,57%, para os 64.576 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,07 bilhões.
Reflexos
O mercado americano refletiu alguns indicadores econômicos ruins (queda nos preços dos imóveis novos), compensado por balanços corporativos favoráveis, a exemplo da Ford, que revelou lucro de US$ 100 milhões no trimestre, recuperando-se do prejuízo de US$ 282 milhões no ano passado.
Retração
As ações da Vale, que movimentaram mais de 16% do giro total da Bolsa ontem, amargaram fortes perdas no pregão. A ação preferencial retraiu 2,58%, para R$ 51,34, enquanto a ação ordinária caiu 3,54%, para R$ 62,50 hoje.
Avaliação
''Desde a semana passada, o mercado operou muito em função do vencimento de opções, e com isso, algumas ações subiram muito. Também houve uma certa ausência de notícias ruins (sobre a crise dos EUA), e uma grande valorização das commodities, o que contribuiu. Ontem, parece que o mercado voltou para o mundo real. Os preços de muitas commodities caíram e afetaram um pouco as ações da Vale'', comenta Marcelo Vieira, da corretora Elite.
Lá fora
No mercado internacional, a cotação do barril de petróleo retrocedeu para US$ 116, enquanto o preço do ouro caiu 1,9%. A ação preferencial da Petrobras, que movimentou R$ 1,5 bilhão, cedeu 1,98%, para R$ 83,33.
Considerações
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), relativa à reunião da semana passada, reforçou a expectativa dos economistas do setor financeiro de que a taxa básica de juros deve voltar a subir nos próximos meses. Antes da ata, no entanto, alguns analistas consideravam que o ciclo de ajustes da taxa Selic seria curto.
Crenças
Após a leitura deste documento, uma parcela do mercado financeiro acredita que a autoridade monetária não deve parar de subir os juros tão cedo. Na ponta mais extrema das expectativas, uma corretora americana chegou a projetar uma taxa Selic próxima dos 14% - hoje é de 11,75% ao ano.
Reforço
Para Sidnei Nehme, da corretora NGO, a ata do Copom reforçou a percepção de que a autoridade monetária decidiu atuar de maneira preventiva, olhando para a inflação futura. ''Aumentar os juros não vai atuar sobre a inflação atual. Não vai mexer na demanda, que está aquecida, nem no crédito, porque, como a gente sabe, o brasileiro compra de olho na prestação e no prazo, e não nos juros'', afirma o economista.
Dúvidas
''Essa expectativa de que o ciclo de aumento dos juros iria ser curto pode ser jogada fora. O BC somente avisou que pode subir os juros, mas nem considerou ainda uma série de fatores. Todo mundo sabe que a gasolina vai ter que subir, mas ninguém sabe quanto. E tem o trigo, que tem impacto direto na cesta básica'', acrescenta.
Recado
''O BC, com o Henrique Meirelles, está trabalhando as expectativas do mercado. A ata passou o seguinte recado: estamos atentos aos riscos e vamos tomar atitudes conforme saírem os indicadores. O texto foi muito pragmático e pontual, mas não foi muito claro. Acho que é difícil ter uma idéia clara sobre o que o Copom vai fazer daqui para frente'', avaliou Marcelo Vieira, da corretora Elite.
Das agências





