MERCADO FINANCEIRO
Bolsas européias
As principais bolsas européias fecharam ontem em queda, enquanto o mercado americano também operava em terreno negativo. A safra de balanços do primeiro trimestre segue no centro das atenções dos investidores. Ontem, foram os números negativos do Bank of America que azedaram o humor.
Queda
O lucro da instituição financeira caiu 77% nos primeiros três meses do ano, para US$ 1,21 bilhão. O balanço foi afetado por provisões para perdas com crédito de US$ 2,72 bilhões.
Sustentação
Durante a manhã de ontem, a Bolsa de Londres ainda conseguiu sustentar ganhos, diante do pacote de ajuda aos bancos, no valor de 50 bilhões de libras (cerca de US$ 100 bilhões), lançado pelo Banco da Inglaterra (BOE). O banco central inglês irá trocar ativos de hipoteca, hoje sem liquidez, por títulos do governo.
Virou
No entanto, a praça londrina acabou virando e encerrou o dia com ligeira perda de 0,06%. Ainda assim, o desempenho foi melhor do que as demais praças - Frankfurt recuou 0,83% e Paris, 1,03%.
Ignorado
Na sexta-feira, os investidores ignoraram as perdas do Citibank e seguiram otimistas, numa reação que não encontrava respaldo técnico. Ontem, os aplicadores pareciam voltar à realidade da crise.
Desvalorizado
O ambiente abriu mais espaço para a desvalorização do dólar. Às 15 horas (de Brasília), o euro subia 0,41%, para US$ 1,5884. Na comparação com a moeda japonesa, o dólar perdia 0,36%, para 103,31 ienes. A fraqueza da moeda norte-americana alimenta a busca por petróleo. A commodity bateu novo recorde ontem. Na Nymex, o barril chegou a US$ 117,60.
Planos
O Banco da Inglaterra (BOE) anunciou ontem um plano de ajuda ao sistema bancário, que enfrenta crise de liquidez no país. No valor de 50 bilhões de libras, a medida permite que os bancos troquem temporariamente papéis do setor de hipoteca por títulos do governo. O objetivo é destravar as instituições financeiras, pois o elevado risco de contraparte existente hoje está impedindo que os bancos emprestem dinheiro entre si.
Troca de ativos
Pelo esquema, os bancos poderão, por um período, trocar ativos sem liquidez por Treasury Bills de boa qualidade, diz o comunicado do BOE. Segundo a autoridade monetária, atualmente diversos mercados de crédito estão fechados e os bancos carregam em seus balanços muitos ativos baseados em hipotecas, que hoje não podem ser vendidos nem usados como garantias para a tomada de recursos novos.
Regras
No entanto, conforme as regras do plano de ajuda, a responsabilidade pelas perdas com os empréstimos imobiliários continua com as instituições financeiras. A troca por títulos do governo terá período de um ano, renovável por no máximo mais três anos. O mecanismo só valerá para ativos existentes no final de 2007 e não poderá ser usado para novos financiamentos.
Baixas
O banco suíço UBS apresentou, ontem, um relatório para a Comissão Federal de Bancos da Suíça (EBK), apontando três áreas como responsáveis pelas baixas contábeis de US$ 37,4 bilhões (Ç 23,65 bilhões) no crédito subprime.
Erros
O relatório do UBS destaca que as massivas perdas no crédito subprime foram resultado de uma tomada de risco excessiva e controles insuficientes. O banco apontou também uma série de erros que começaram com o seu agora extinto fundo de hedge Dillon Red Capital Management.
Motivos
Os outros negócios citados pelo banco como sendo a causa das perdas contábeis foram: o Investment Banks Rates - CDO Warehouse e CDO Super Senior Positions -, e o ABS Trading Portfolio administrado pelo IBs Foreign Exchange/Cash Collateral Trading, ou FX/CCT.
Falhas
Outras falhas mencionadas no relatório incluíram uma estimativa de investimento de curto prazo e o fato de o banco não ter previsto com antecedência a gravidade da crise do crédito imobiliário americano. O relatório foi publicado no site do banco na Internet antes do encontro anual de acionistas, que ocorrerá amanhã. As informações são da Dow Jones
Em alta
Balanços corporativos melhores do que o esperado ajudaram algumas das principais Bolsas de Valores asiáticas a encerrarem os negócios em terreno positivo.
Avanços
O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, avançou 1,6%, aos 13.696 pontos. Em Cingapura, o indicador Straits Times subiu 1,48%, a 3.171 pontos, e o Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, teve alta de 2,17% e fechou a 24.721 unidades. Por fim, a Bolsa de Seul teve o indicador Kospi com ganho de 1,61%, a 1.800 pontos.
(Das agências)





