MERCADO FINANCEIRO
Derrubada
A elevação dos juros básicos contribuiu para derrubar a taxa de câmbio para seu menor nível desde 14 de maio de 1999. O dólar comercial foi trocado por R$ 1,657, em declínio de 0,42%, nos últimos negócios de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,760, em baixa de 0,56%.
Diferenças
Quarta-feira à noite, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela elevação da taxa Selic de 11,25% ao ano para 11,75%, quando a maioria dos participantes do setor financeiro estimava um ajuste para 11,50%. A correção da Selic amplia ainda mais a diferença entre os juros brasileiros e americanos (2,25% ao ano), o que tende a atrair mais investimentos externos para o País e contribui para deprimir os preços da moeda americana.
Avaliações
Logo após a decisão, analistas avaliaram que os ajustes da Selic não acabaram: o juro básico pode subir nas próximas reuniões, já que a autoridade monetária não mira somente a inflação deste ano, mas também a de 2009. Luiz Carlos Baldan, diretor da corretora Fourtrade, acredita que o mercado pode receber grandes entradas de recursos a partir da próxima semana, devido ao diferencial de juros. Ele, no entanto, já observa alguma resistência em torno da taxa de R$ 1,65.
Reflexos
A partir desse valor, o que temos observado é que já tem muita empresa antecipando pagamento de dívidas, remetendo capital para o exterior. Além do mais, temos que lembrar que as importações devem crescer muito e que a balança comercial pode ficar até deficitária. Quer dizer, vemos alguns motivos para que a taxa não caia tão rápido como alguns estão apostando, comenta.
Ranking
Ontem, a Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou um ranking em que o Brasil surge como um dos países com o pior crescimento das exportações entre países emergentes.
Contrapartida
Na ponta oposta, entre os 30 maiores importadores mundiais, o Brasil foi o que teve maior crescimento (32%) das compras do exterior em 2007. Só perdeu para a Rússia, com alta de 35%.
Juros futuros
Os investidores em contratos futuros de juros puxaram a taxa projetada para 2009 mas reduziram as apostas para 2010 e 2011, na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada subiu de 12,53% ao ano para 12,64%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada cedeu de 13,35% para 13,34%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 13,48% para 13,41%.
Em alta
As ações dos principais bancos do País ajudaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a emendar seu terceiro dia consecutivo de ganhos no pregão de ontem. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, encerrou o expediente de ontem em alta de 0,62%, para os 64.552 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,97 bilhões.
Na Europa
Na Europa, as ações de empresas do setor financeiro e das petrolíferas derrubaram as principais Bolsas de Valores do continente, a exemplo de Londres (baixa de 1,09%) e Frankfurt (queda de 0,31%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York registrou leve alta de 0,01%.
Domínio
Entre as ações que compõem o Ibovespa, as ações do setor bancário dominaram o grupo das maiores altas do dia: o papel do Bradesco valorizou 3,47%, para R$ 35,75; a ação do Itaú subiu 3,57%, para R$ 43,50, enquanto a ação ordinária do Banco do Brasil teve ganho de 4,10%, para R$ 25,35, ontem.
Reavaliação
A ação preferencial da Petrobras, com movimento de R$ 1,33 bilhão, valorizou 2,03%, para R$ 85,10. Apesar da queda na produção de março comunicada quarta-feira, corretoras começaram a reavaliar para cima o preço-alvo do papel da petrolífera, com a perspectiva de novas descobertas de reservas de petróleo e a estratégia de internacionalização da companhia. A Votorantim Celulose e Papel anunciou quarta-feira ontem lucro líquido de R$ 110 milhões no primeiro trimestre, número 33% inferior ao do mesmo período do ano passado.
Análises
Em sua análise preliminar do balanço, o departamento de análise da Unibanco corretora chamou a atenção para a alta dos custos do setor, um assunto a ser monitorado. Não obstante, nós permanecemos confiantes sobre a capacidade da VCP em aplicar medidas de controle de custos. Nós também temos uma perspectiva positiva sobre a celulose e a estratégia de crescimento da companhia, afirma o analista Rogério Zarpao.
Bolsa de Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em alta, estimulada pelos resultados acima do esperado apresentados por empresas norte-americanas, o que resultou na valorização de papéis de bancos e companhias do setor de eletrônicos. O índice Nikkei 225 subiu 252,17 pontos, ou 1,9%, e fechou aos 13.398,30 pontos. Aparentemente, o mercado começou a recuperar-se, disse Hajime Kitano, estrategista-chefe do JPMorgan. Segundo ele, os investidores procuram, nos resultados das empresas, algum sinal de melhora dos dados econômicos dos EUA.
Das agências





