Menor nível
  O mercado financeiro elevou as apostas num aumento de juros ainda mais drástico da taxa Selic, hoje em 11,25% ao ano. A parcela dos economistas do setor financeiro que apostava em 0,50 ponto percentual ganhou força, o que se refletiu nas projeções de juros e contribuiu para derrubar a taxa de câmbio para seu menor nível desde maio de 1999.

Declínio
  O dólar comercial foi trocado por R$ 1,664 para venda, em declínio de 1,18%, em sua menor cotação do dia. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 1,770, em baixa de 0,56%. A taxa de risco-país marca 227 pontos, número 6,19% inferior à pontuação final de terça-feira. O Banco Central entrou no mercado às 12h29 e aceitou ofertas por R$ 1,6720 (taxa de corte).

Sem piso
  Profissionais de corretoras acreditam que a derrocada do dólar ainda não encontrou seu piso e que o mercado pode ‘‘testar’’ R$ 1,65 no curtíssimo prazo.

Motivos
  A seqüência de dez dias de queda contínua dos preços da moeda americana foi provocada pela convicção, cada vez maior, de que o Copom (Comitê de Política Monetária) deveria elevar a taxa básica de juros. Na semana passada, formou-se um relativo consenso de que esse ajuste seria de 0,25 ponto percentual. Desde terça-feira, com a disparada do petróleo, que bateu recordes consecutivos, ganhou mais peso a corrente que ‘‘defende’’ uma correção para 11,75%.

Diferença
  Dessa forma, abre-se ainda mais a diferença entre juros brasileiros e americanos (2,25% ao ano), o que tende atrair ainda investimentos externos para o país. ‘‘O fluxo de dólares continua muito forte. Segundo o Banco Central, somente até o dia 11 foram US$ 3,7 bilhões pelo lado comercial e outros US$ 1,7 bilhão pelo lado financeiro. Temos que lembrar também que o BC pode ser muito cauteloso para abaixar os juros, mas nem tanto na hora de subir’’, comenta Mário Paiva, profissional da mesa de operações da corretora Liquidez.

Juros futuros
  Os contratos futuros de juros projetaram taxas mais altas nos vencimentos de 2009, 2010 e 2011, na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada subiu de 12,48% ao ano para 12,53%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada avançou de 13,28% para 13,35%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 13,40% para 13,48%.

Informações
  O representante do Ministério Público Federal (MPF) junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pediu informações sobre a possível compra de ativos da Esso pela Petrobras. Em ofício enviado aos presidentes das duas empresas, o procurador regional da República José Elaeres Teixeira questiona possível ocorrência de ‘‘due diligence’’ e assinatura de documentos vinculantes que podem alterar a ação dessas empresas como concorrentes no mercado.

Detalhes
  ‘‘Due diligence’’ é uma análise detalhada de informações e documentos pertinentes a uma determinada empresa feita pela outra empresa, interessada em comprar seus ativos. Já documentos vinculantes são termos de intenção de compra e venda.

Negociações
  Para José Elaeres, há indícios de que as negociações já podem ter alterado a relação de concorrência entre as empresas. No documento emitido terça-feira, o representante do MPF chama atenção das empresas para o fato de que a Lei Antitruste brasileira estabelece prazo de 15 dias para a notificação dos órgãos do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) dos chamados atos de concentração econômica.

Declínio
  O banco americano JPMorgan Chase anunciou ontem que no primeiro trimestre do ano seu lucro líquido caiu 49,4%, para US$ 2,37 bilhões (US$ 0,68 por ação), de US$ 4,79 bilhões (US$ 1,34 por ação) no mesmo período do ano passado. A receita líquida teve redução de 11%, para US$ 16,89 bilhões, de US$ 18,97 bilhões nos primeiros três meses de 2007. A receita total baixou de US$ 19,7 bilhões para US$ 17,9 bilhões. A média das projeções de analistas consultados pela FactSet era de lucro de US$ 0,61 por ação, sobre receita de US$ 17,4 bilhões.

Lucros
  O lucro da gigante americana do setor de bebidas Coca-Cola aumentou 19% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo intervalo de 2007, para US$ 1,5 bilhão, ante US$ 1,26 bilhão. A empresa informou que a expansão nos mercados internacionais continuou a compensar a desaceleração da economia dos EUA e a alta das matérias-primas (commodities).

Mercados
  Durante o primeiro trimestre, a alta porcentual das vendas da Coca-Cola foi de dois dígitos em mercados emergentes, como Brasil, China, Índia e Turquia. ‘‘Nossas operações internacionais mais uma vez puxaram a tendência’’, afirmou o presidente da companhia, Muhtar Kent. ‘‘Reconhecemos que ainda há muito trabalho a fazer, especialmente em nosso mercado principal, da América do Norte, com seu ambiente econômico desafiador’’, acrescentou.

Das agências

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