MERCADO FINANCEIRO
Repique
A taxa de câmbio teve um repique após oito dias consecutivos de queda, mas sem retomar o nível de R$ 1,70, nos negócios de ontem. O dólar comercial foi trocado a R$ 1,691 na venda, em alta de 0,35%, nas operações finais. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,790, com avanço de 0,56%. O Banco Central realizou leilão para comprar moeda às 12h15 e aceitou ofertas por R$ 1,6853 (taxa de corte).
Nervosismo
O balanço pior do que o esperado da General Eletric, uma das maiores empresas mundiais, promoveu uma onda de nervosismo que contaminou as Bolsas de Valores e puxou os preços da moeda americana. ''O dólar poderia ter subido até um pouco mais, só que na semana que vem todo mundo espera que os juros - Selic - subam e isso segurou a taxa'', comentou Mauro Araújo, diretor da corretora Vision.
Tendências
A taxa caiu nos últimos dias principalmente pela expectativa de que a taxa Selic ajuste de 11,25% para 11,50%. Como existe a tendência de que os juros americanos voltem a cair, o mercado espera que a diferença de rentabilidade atraia mais investimentos externos para o país, derrubando ainda mais a cotação da moeda americana.
Expectativa
A expectativa de que o Copom (Comitê de Política Monetária) deve elevar a taxa Selic na próxima reunião aumentou após o IPCA, índice oficial de inflação, ter subido acima do esperado para o mês de março. O indicador disparou o sinal de alerta entre economistas do setor financeiro pois a autoridade monetária já havia alertado há semanas a preocupação com os índices inflacionários mais recentes.
Juros futuros
As taxas de juros projetadas para 2009, 2010 e 2011 ficaram estáveis nos negócios com os contratos futuros na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada foi mantida em 12,46% ao ano; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada estabilizou em 13,25%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada permaneceu em 13,32%.
Em queda
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) não resistiu à queda generalizada dos mercados após os números ruins da gigante americana General Eletric. Analistas, no entanto, destacaram a retração moderada do indicador Ibovespa, numa sessão de negócios em que as Bolsas americanas afundaram mais de 2%, uma queda drástica para os padrões de Wall Street.
Recuo
O Ibovespa, ''termômetro'' das operações da Bolsa paulista, recuou 1,48% no fechamento, para os 62.585 pontos. O volume financeiro foi de R$ 3,80 bilhões, abaixo da média do giro diário dos últimos pregões (R$ 5,6 bilhões). O nervosismo dos investidores afetou principalmente os papéis de primeira linha: a ação preferencial da Petrobras perdeu 2,21%, para R$ 78,55; a ação da Vale do Rio Doce teve baixa de 0,89%, para R$ 50,06.
Na Europa
Na Europa, as principais Bolsas de Valores concluíram o expediente em terreno negativo, a exemplo de Londres (baixa de 1,17%) e Frankfurt (retração de 1,50%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York amargou baixa de 2,04%.
Descolamento
Analistas citaram nas últimas semanas um possível ''descolamento'' dos mercados emergentes da crise da economia americana. Em relatório recente, o FMI (Fundo Monetário Internacional) destacou que os emergentes devem sofrer uma desaceleração da economia, mas que devem permanecer ''acima das tendências de longo prazo das demais regiões''. Na avaliação do Fundo, ''o forte dinamismo da demanda doméstica das economias em desenvolvimento'' foi capaz de ''absorver o choque da área comercial''.
Avaliações
Profissionais de mercado também avaliaram que a desvalorização da Bovespa foi limitada pelo desempenho de dois setores importantes no mercado acionário local: empresas do setor elétrico e de telecomunicações. ''São dois setores muito pouco vinculados à economia americana e acredito que, por isso, foram poupados. Esses papéis também sofreram muito no ano passado e os preços estavam um pouco defesados'', afirma Andrés Kikushi, analista da Link Corretora.
Nova York
Os principais índices do mercado de ações norte-americano caíram de forma acentuada ontem, depois que o resultado abaixo do esperado da líder General Electric enviou ondas de choque através da bolsa. Na semana, o Dow Jones acumulou uma queda de 2,25%, o Nasdaq recuou 3,42% e o S&P-500 registrou uma desvalorização de 2,74% - o pior desempenho dos índices desde a semana encerrada em 8 de fevereiro.
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A GE anunciou um declínio de 6% no lucro líquido registrado no primeiro trimestre e rebaixou as perspectivas de lucro para 2008, citando um rápido declínio no financiamento global. As ações da GE fecharam em baixa de 13%. Como vários outros componentes do Dow vão divulgar balanços na próxima semana, os investidores estavam ainda mais cautelosos em comprar ações daquelas grandes corporações.
Para baixo
Katie Townshend, analista chefe de mercado da MKM Partners, disse que espera um declínio do Dow Jones curto prazo e previa até mesmo um movimento para abaixo da média de 50 dias, o que ocorreu no final da sessão de ontem. Townshend observou que existe um suporte para o Dow ao redor da mínima de 12.175 pontos registrada em 31 de março, com uma clara resistência nos 12.725 pontos.
Das agências





