MERCADO FINANCEIRO
Declínio
Os participantes do mercado de câmbio continuam a trabalhar com a perspectiva de juros mais altos no Brasil, o que contribuiu para derrubar as taxas ontem. Pela manhã, o preço da moeda americana chegou a bater a cotação mínima de R$ 1,678, com máxima em R$ 1,694. O dólar comercial foi trocado por R$ 1,685 na venda, em retração de 0,23%, nas operações finais de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,780, em declínio de 0,55%.
Consenso
''O aumento dos juros já é um consenso no mercado, e o Banco Central tem sempre sacramentado esse consenso. E lá fora, o investidor vê o tamanho dos nossos juros, vê as nossas reservas de US$ 200 bilhões, e se anima para aplicar dinheiro aqui'', comenta Reginaldo Galhardo, gerente da mesa de câmbio da corretora Treviso.
Inesperado
O IPCA de março (0,48%) apontou inflação acima do esperado (0,35%), o que reforçou a tese de uma corrente de economistas que já defendia um ajuste nos juros. Essa corrente ganhou muita força nesta semana e analistas começaram a apontar uma elevação da taxa Selic de 11,25% ao ano para 11,50% ou 11,75%, ''aposta'' que cresceu nos últimos dias.
Sem piso
Com a elevação dos juros brasileiros e a tendência de queda dos juros americanos, muitos profissionais de mercado descartam apontar um piso para o preço da moeda americana. Alguns corretores notam, no entanto, uma resistência em torno da taxa de R$ 1,70, devido às volatilidades do mercado financeiro, ainda tenso com os desdobramentos da crise econômica nos EUA.
Juros futuros
As taxas de juros projetadas para 2009, 2010 e 2011 ficaram praticamente estáveis nos negócios com os contratos futuros na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada foi mantida em 12,46% ao ano; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada cedeu de 13,27% para 13,25%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada ficou estável em 13,32%.
Instabilidade
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) operou instável durante todo o dia de ontem e encerrou o pregão com apenas uma alta modesta, sustentada pela valorização de alguns poucos papéis de primeira linha. Para analistas, os investidores no mercado brasileiro optaram por alguma realização de lucros nos últimos dias, afetados pela perspectiva de juros mais altos no país.
Valorização
O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, teve leve alta de 0,08%, aos 63.527 pontos. O volume financeiro foi de R$ 4,96 bilhões. A ação preferencial da Petrobras, o papel mais negociado da Bolsa (16% do giro total), teve valorização de 0,19%, para R$ 80,20, o que sustentou o fechamento em alta da Bolsa paulista.
Alvos
Os papéis de mineradoras e siderúrgicas, que subiram com força nos pregões anteriores, foram alvo de vendas ontem, com perdas nas ações da CSN (queda de 0,27%) e Vale (baixa de 0,54%), mas com valorização para os papéis da Usiminas (0,26%). O dólar comercial foi trocado por R$ 1,685 para venda, em declínio de 0,23%. A taxa de risco-país atingiu 253 pontos, número 3,4% inferior à pontuação final de quarta-feira.
Perdas
Na Europa, as principais Bolsas de Valores encerraram o expediente com perdas, como Londres (baixa de 0,31%) e Frankfurt (retração de 0,25%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York subiu 0,44%.
Expectativa
''A Bolsa brasileira descolou do mercado americano para pior nos últimos dias e acredito que o que pesou foi a reunião do Copom na semana que vem. Há um consenso de que vai vir por aí uma alta de 0,25 ou 0,50 ponto percentual'', comenta Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Senior.
Teses
''Também acredito que houve um pouco de realização de lucros. Não podemos esquecer que na semana passada que a Bolsa subiu praticamente o dobro (das Bolsas americanas)'', acrescenta. A tese de uma retomada do ciclo de aperto monetário ganhou influência após a divulgação do IPCA de março (0,48%), que apontou inflação acima do esperado (0,35%).
Déficit
A balança comercial dos Estados Unidos teve déficit de US$ 62,32 bilhões em fevereiro, com o aumento das importações de carros e de bens de consumo, apesar da fraqueza da economia. O número foi revelado ontem pelo Departamento de Comércio dos EUA.
Previsões
Economistas previam que o déficit comercial caísse para US$ 57,1 bilhões em fevereiro, ante o saldo negativo de US$ 58,9 bilhões em janeiro. As exportações americanas cresceram 2% em fevereiro e somaram US$ 151,36 bilhões. As importações avançaram 3,1%, para US$ 213,68 bilhões.
Fusão
O Yahoo! e a America On Line (AOL), empresa da Time Warner, estão próximos de um acordo para juntar suas operações de internet, disseram fontes próximas ao The Wall Street Journal. A movimentação tem o objetivo de impedir a tentativa da Microsoft de comprar o Yahoo!.
Plano
A Microsoft, porém, prepara um novo plano de ataque ao Yahoo! por meio de uma negociação com a News Corp., a empresa de Rupert Murdoch que edita o The Wall Street Journal. Segundo fontes, a Microsoft e a News Corp. ainda não chegaram a um acordo para juntar forças, mas uma pessoa a par do plano disse que as discussões são sérias. O acordo combinaria três dos maiores domínios da internet: o MySpace, da News Corp., o MSN, da Microsoft, e o Yahoo!.
Das agências





