MERCADO FINANCEIRO
Volatilidade
A Bovespa teve um pregão volátil, iniciado por uma realização de lucros abortada ainda pela manhã e por um pouco de sobe-e-desce após a divulgação da ata da última reunião do Fed. Mas, no final das contas, o entusiasmo dos investidores pelo mercado doméstico prevaleceu e o índice encerrou a sessão em elevação. Os ganhos, no entanto, foram limitados pela queda das bolsas norte-americanas durante todo a jornada. A Bolsa doméstica subiu 0,57%, aos 64.539,5 pontos, elevando para 5,86% os ganhos acumulados em abril e para 1,02% os de 2008. O volume financeiro negociado totalizou R$ 4,662 bilhões.
Reação
A ata da última reunião do Fomc não trouxe novidades, uma vez que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, já havia dito que há possibilidade de a economia enfrentar mesmo uma recessão e que a pressão inflacionária preocupa. Apesar disso, os índices acionários acabaram reagindo negativamente à divulgação, com a Bovespa até mesmo devolvendo a alta verificada até então. Na avaliação de investidores, a reação em baixa da Bovespa e a ampliação da queda nos Estados Unidos decorreram de uma reação natural à divulgação.
Otimismo
O otimismo se justifica na avaliação - já conhecida - de que o pior da crise já pode ter passado. A avaliação positiva a respeito da Bovespa é recorrente. Para o estrategista de renda variável para América Latina do banco de investimentos Merrill Lynch, Pedro Martins, a Bovespa deverá acumular alta para 80 mil pontos até dezembro, sendo que as empresas com ações em Bolsa devem ter crescimento nos lucros este ano superior a 30%. Isso, segundo ele, mesmo com a previsão do banco de elevação de 1 ponto porcentual para a Selic neste ano, em função da pressão inflacionária revelada por todos os indicadores de medição de preços.
Contaminação
Nos EUA, os investidores venderam papéis com o receio de que os resultados das empresas no primeiro trimestre do ano possam ser contaminados pela crise no mercado de crédito. O Dow Jones recuou 0,29%, o S&P, 0,51%, e o Nasdaq, 0,68%. A Bovespa não acompanhou essa lógica. Logo passou a subir com as compras dos estrangeiros. Foram elas que empurraram Petrobras para cima, apesar de o petróleo ter fechado em baixa ontem no exterior. O contrato para maio negociado na Nymex recuou 0,54%, para US$ 108,50.
Cotação mínima
O dólar no mercado à vista fechou em queda pelo sexto dia útil consecutivo e na cotação mínima da roda da BM&F, de R$ 1,693 (-0,59%) e em baixa de 0,59%, a R$ 1,694 no balcão - valores mais baixos desde o fechamento no balcão em 18 de março, a R$ 1,688. Nessas seis sessões do mês de abril, o pronto acumula baixa de 3,42% na roda da BM&F e de -3,37% no balcão. Com um volume de negócios reduzido, a moeda oscilou entre leve alta na abertura e queda à tarde, que se acentuou no fim dos negócios enquanto as Bolsas em Nova York devolviam parte das perdas registradas após a divulgação da ata do encontro do Fed.
Moedas
No final da tarde, o euro caía 0,30%, a US$ 1,5707; enquanto o dólar subia 0,19%, a 102,54 ienes. O juro do T-Note de 2 anos cedia 1,71%, a 1,86726%, depois de recuar 3,84% após a ata, para 1,82675%. O dólar à vista desacelerou as quedas exibidas após a ata do Fomc e na sequência terminou perto das mínimas do dia. No leilão de ontem, o Banco Central pode ter comprado cerca de US$ 45 milhões. A taxa de corte ficou em R$ 1,70.
Fluxo cambial
A expectativa nas mesas de operação é de que as cotações do dólar à vista ainda podem recuar mais diante da previsão de continuidade do fluxo cambial positivo. No entanto, se o ambiente exterior vier a piorar, não se descarta eventual realização de lucros uma vez que as cotações apuram queda superior a 3% neste mês.
Juros
Com o cancelamento da participação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, a ata do Fomc foi o foco de atenção dos investidores ontem. Inicialmente, a reação dos mercados foi de cautela. Os juros futuros reduziram um pouco a queda das taxas longas, que já não era expressiva, para, em seguida, retomaram os patamares anteriores ao anúncio do documento. Os DIs curtos terminaram o dia perto da estabilidade e os contratos longos, em ligeira baixa.
Liquidez
A liquidez continuou restrita na sessão de ontem, refletindo a certa cautela do investidor em montar posições antes de conhecer o IPCA de março, que o IBGE informa hoje. O DI janeiro de 2010, com 155.957 contratos, fechou em 13,15%, de 13,18% segunda-feira, enquanto o DI janeiro de 2009 (115.459 contratos) terminou em 12,35%, de 12,36% na segunda. Em uma primeira leitura da ata, o mercado avaliou que a dificuldade do Fomc em aprovar, na reunião de março uma redução expressiva da taxa - houve corte de 0,75 ponto porcentual em sua meta para os Fed Funds, para 2,25%.
(Agência Estado)





