Ganhos
Nem mesmo o relatório ruim do mercado de trabalho norte-americano impediu a Bovespa de encerrar uma semana só de ganhos. Ontem foi o quinto pregão consecutivo de elevação, embalada, novamente, pelas blue chips Petrobras e Vale. Além da volta do investidor externo ao mercado doméstico, estas ações têm interessado pelo noticiário favorável que têm conseguido produzir. A Bovespa encerrou a sessão em alta de 0,42% aos 64.446 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 63.906 pontos (-0,42%) e a máxima de 64.630 pontos (+0,71%).

Volume
No mês, a Bolsa sobe 5,70%, na semana, 6,60% e, no ano, 0,88%. O volume financeiro totalizou R$ 7,547 bilhões, dos quais R$ 2,837 bilhões referem-se à Oferta Pública de Aquisição de ações ordinárias e preferenciais da ArcelorMittal Inox Brasil S.A. A queda nas Bolsas norte-americanas, que se limitaram ao Dow Jones no fechamento, impediu a Bovespa de subir mais. O Dow Jones recuou 0,08%, enquanto o Nasdaq subiu 0,32% e o S&P avançou 0,08%. ''Subiu muito. Os compradores cansaram'', afirmou um profissional do mercado de renda variável.

Payroll
O payroll ruim divulgado nos Estados Unidos antes da abertura dos mercados acionários até ameaçou a interrupção dos ganhos na Bovespa, que ficou em baixa em uma parte da manhã, e em Nova York, onde as bolsas trabalharam em baixas modestas na maior parte do dia. Isso porque o relatório mostrou queda de 80 mil no número de vagas de trabalho em março nos Estados Unidos, além de rever para baixo os desempenhos de janeiro e fevereiro - que já eram ruins. Os especialistas vinham calculando um número negativo de 50 mil vagas em março.

Segundo plano
Mas a interpretação de que os Estados Unidos estão mesmo em recessão acabou ficando em segundo plano, principalmente porque os investidores, nessa semana, passaram a avaliar que o pior da crise já pode ter passado, interpretação que surgiu depois que grandes bancos anunciaram baixas contábeis elevadas, mas também que conseguiram levantar recursos no mercado, ou seja, limparam o balanço e se capitalizaram. Indícios de condições melhores no horizonte. Essa análise levou os investidores a voltarem a tomar risco - retornando ao mercado doméstico de ações.

Dólar
O dólar no mercado à vista caiu pelo quarto dia consecutivo em meio ao fluxo financeiro positivo, ao recuo externo da moeda com a alta das commodities e à reação amena do mercado internacional à perda de vagas de emprego nos EUA em março. O dólar seguiu em baixa ante o euro e o iene. No fechamento, o pronto caiu 0,47%, cotado a R$ 1,7095 na roda da BM&F e a R$ 1,709 no balcão. O giro financeiro total à vista aumentou 138%, para cerca de US$ 2,780 bilhões (US$ 2,489 bilhões em D+2).

Liquidez
Para os analistas, o payroll confirmou que os EUA estão em recessão, o que já é um fato para os mercados, mas a possibilidade de novas más notícias sobre bancos no curto prazo diminuiu com as ações de socorro financeiro e regulação do mercado promovidas pelo Fed e outros BCs. O diretor do Federal Reserve, Randall Kroszner, disse que a liquidez parece melhor nos mercados financeiros depois das ações promovidas pelo Fed na luta contra a crise de crédito.

Possibilidades
Em discurso em encontro anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Miami, Kroszner disse que o Banco Central dos EUA expandiu as possibilidades para que as instituições financeiras obtenham empréstimos - o Fed modificou até mesmo os termos de empréstimos por meio de sua própria janela de desconto. ''Estas medidas de liquidez parecem ter sido úteis, já que as pressões de financiamento para algumas instituições aparentemente melhoraram e que a liquidez está melhor em muitos mercados'', afirmou. Segundo ele, os grandes bancos norte-americanos mantêm níveis de capital acima dos requeridos pelos órgãos de regulação, informou a Dow Jones.

Commodities
As commodities como ouro, petróleo, cobre e prata subiram com o enfraquecimento do dólar ante outras divisas. O ouro para junho avançou 0,40%, a US$ 913,20 a onça-troy. Já o petróleo para maio ganhou 2,31%, para US$ 106,23 o barril. No final da tarde, o euro subia 0,53%, a US$ 1,5737; e o dólar caía 1,04%, a 101,59 ienes. Internamente, a perspectiva de novos ingressos corporativos na segunda-feira, de pelo menos US$ 600 milhões, segundo um operador, também provocou uma antecipação de ofertas de moeda no mercado à vista.

Indicadores
Para a próxima semana, a agenda interna prevê vários indicadores de inflação, com destaque para o IPCA de março na quarta-feira. Os índices de preços serão monitorados atentamente dada a perspectiva de elevação da taxa Selic na reunião do Copom, nos próximos dias 15 e 16. No mercado internacional, estarão no foco das atenções o comunicado da última reunião do Fed de 18 de março, na terça-feira, e as reuniões de política monetária do Banco do Japão, na quarta-feira, e do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu, na quinta-feira. Além disso, na quarta e quinta-feira o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, voltará a falar durante eventos privados.
(Agência Estado)

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