Resistência
A cotação da moeda americana teve forte declínio ontem, com os mercados mantendo o tom de ''o pior já passou'' nos negócios de ontem. A Bolsa paulista resistiu bem ao efeito das declarações de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (banco central americano), que admitiu pela primeira vez que os EUA devem entrar em recessão já no primeiro semestre. O dólar comercial chegou a R$ 1,721 na menor cotação do dia. Nos últimos negócios, a taxa de câmbio foi de R$ 1,727, em declínio de 1,03%. A taxa de risco-país marca 268 pontos, em declínio de 0,74%.

Fluxo
O fluxo cambial (entrada e saída de dólares do País) foi positivo em US$ 8,051 bilhões no mês de março, de acordo com o Banco Central. Esse foi o melhor resultado desde julho de 2007, quando houve ingresso de US$ 11,6 bilhões. Em março de 2007, o fluxo cambial havia sido positivo em US$ 6,6 bilhões; em fevereiro deste ano, foi positivo em US$ 3,2 bilhões.

Contribuições
O resultado cambial do mês passado foi gerado pela contribuição positiva de US$ 6,6 bilhões da balança comercial e do fluxo financeiro, também positivo em US$ 1,4 bilhão. No acumulado do primeiro trimestre, o fluxo cambial está positivo em US$ 8,9 bilhões, decorrente de saldo comercial de US$ 13,5 bilhões e saídas financeiras de US$ 4,6 bilhões.

Riscos
O presidente do Fed (Federal Reserve, o BC americano), Ben Bernanke, admitiu ontem pela primeira vez que há risco de que a economia dos Estados Unidos entre em recessão no primeiro semestre deste ano. Mas ele também informou que ''muito'' da necessidade de ajuste nos mercados financeiros já estão sendo feitos e que isso já trará resultados ainda neste ano - sugerindo que talvez não seja mais tão necessário tomar novas medidas de estímulo à economia.

Perspectivas
Segundo Bernanke, uma contração no PIB em dois trimestres seguidos é uma definição consensual de recessão, embora o cálculo oficial do Departamento Nacional de Pesquisas Econômicas americano seja mais complicada. A economia pode melhorar ainda neste ano, disse Bernanke, com a estabilização dos mercados imobiliário e financeiro, além da ajuda do recente pacote de estímulo fiscal promovido pelo governo americano. Porém, ''a incerteza sobre essa previsão é grande e os riscos de queda continuam'', disse Bernanke aos deputados e senadores.

Indústrias
As encomendas às indústrias dos Estados Unidos caíram 1,3% em fevereiro, ante um declínio de 2,3% em janeiro, informou o Departamento de Comércio americano. A maioria dos analistas projetava uma retração em torno de 0,7%. As encomendas entregues tiveram queda de 2,1% em fevereiro, a maior redução desde setembro de 2006 (baixa de 3,8%). A retração nos pedidos foi bastante difundida, com registro de menor demanda no segmento de motor de veículos, maquinário pesado e no setor de ferro e aço.

Alta
O bom desempenho das ações de instituições financeiras garantiram ontem altas nas principais bolsas européias. Porém, a alta não foi vigorosa devido à queda das ações das empresas automobilísticas. Essa queda ocorreu devido à redução das vendas de carros em março nos Estados Unidos. Preocupados com a recessão no país e com o preço dos combustíveis em alta, os consumidores estão adiando a compra de veículos - o que é uma má notícia para as montadoras em todo o mundo.

Avanços
O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, avançou 1,08%, para 5.915 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,85%, a 6.777 unidades. O CAC-40, de Paris, teve alta de 0,94%, a 4.911 pontos. Por fim, a Bolsa de Milão teve o MIBTel com avanço de 1,58%, para 25.281 unidades. Os ganhos dos bancos foram reflexos dos anúncios feitos por alguns deles que diminuíram os temores relativos à crise do crédito imobiliário de alto risco (''subprime'') nos Estados Unidos.

Reflexos
As bolsas asiáticas fecharam ontem com altas, refletindo os ganhos obtidos no mercado americano devido à notícias envolvendo os bancos do investimento Lehman Brothers e UBS. A maior alta ocorreu na Bolsa de Tóquio, onde o índice Nikkei avançou 4,21%, para 13.189 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou o pregão com alta de 3,18%, aos 23.872 pontos. Já em Seul (Coréia do Sul), o índice Kospi fechou com ganhos de 2,35%, aos 1.742 pontos. O menor ganho foi obtido na Bolsa de Xangai, onde o indicador Shangai Composite subiu 0,56%, a 3.347 pontos.

Expansão
A Gerdau Ameristeel, unidade do grupo Gerdau na América do Norte, anunciou a compra da Century Steel, empresa especializada na construção e montagem de estruturas metálicas (a partir de vergalhões e perfis estruturais), por US$ 152 milhões. A compra foi realizada por meio da Pacific Coast Steel, joint venture majoritariamente controlada pela Gerdau Ameristeel. Além da compra da Century Steel, a Gerdau Ameristeel anunciou um investimento de US$ 68 milhões para elevar a cerca de 84% sua participação na Pacific Coast.
(Com Agências)

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