Retomada
Depois de um início de ano fraco, quando acumulou perdas de quase 4% até março, o segundo trimestre não poderia ter início mais promissor do que o registrado ontem nas bolsas. Em sintonia com o mercado acionário norte-americano, a Bovespa retomou o patamar de 62 mil pontos, numa recuperação generalizada dos papéis em decorrência da redução da aversão a risco. À tarde, Vale ajudou a ampliar os ganhos do Ibovespa depois que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento bilionário à mineradora, com prazo de cinco anos.

Pontuação
O Ibovespa subiu 2,96% ontem, para 62.774,8 pontos, maior pontuação desde 6 de março (62.974,6 pontos). Com o desempenho de ontem, as perdas acumuladas em 2008 foram reduzidas a 1,74%. O volume financeiro negociado também foi melhor e totalizou R$ 6,013 bilhões. Com o noticiário favorável e com os indicadores igualmente bons divulgados ontem, o Dow Jones também mostrou disposição em tentar apagar o trimestre sombrio. O principal índice da bolsa norte-americana subiu 3,19%, aos 12.654,4 pontos. O S&P subiu 3,59% e o Nasdaq, 3,67%.

Máximas
Na Europa, as bolsas fecharam quase nas máximas impulsionadas pelos ganhos do setor bancário. Os números que agradaram foram o ISM industrial de março e os gastos com construção em fevereiro, ambos acima das expectativas dos analistas. O índice do Instituto para Gestão de Oferta (ISM) sobre atividade no setor de manufatura subiu para 48,6 em março, de 48,3 em fevereiro, ante projeção de queda para 47,5.

Baixa
Hoje, com o depoimento do presidente do Fed, Ben Bernanke, na Câmara, pode até ser dia de baixa - pode haver realização à alta de ontem se o pronunciamento for bom, ou queda em meio a frases pesadas, ruins. ''O noticiário e os indicadores podem, como hoje (ontem), ser, no entanto, os salvadores e levarem as bolsas a novas altas'', comentou um operador.

Juros
Os juros futuros começaram o segundo trimestre com queda de taxas, consolidada na sessão vespertina de ontem, inclusive os de curto prazo, que vêm concentrando o interesse do investidor nos últimos dias. Mas as baixas mais acentuadas foram vistas nos contratos longos e o líder do giro foi o DI janeiro de 2010 (279.349 contratos), cuja taxa cedeu de 13,27% para 13,21%. O DI janeiro de 2009 (183.306 contratos) fechou em 12,36%, ante 12,38% ontem, e o DI julho de 2008 (145.008 contratos) encerrou em 11,51%, na mínima, de 11,53% no pregão anterior.

Cautela
Após ensaiar alta com a recuperação externa do dólar ante o euro em meio a cautela com novas baixas contábeis de bancos europeus, a moeda norte-americana caiu no mercado à vista brasileiro com um fluxo cambial positivo e a retomada do interesse pelas ações, que assegurou firmes ganhos às Bolsas. Por isso, o dólar à vista interrompeu três altas consecutivas para fechar em baixa, cotado a R$ 1,745 na roda da BM&F (-0,40%) e no balcão (-0,46%). O giro total à vista diminuiu 31%, para cerca de US$ 1,972 bilhão (US$ 1,851 bilhão em D+2).

Euro
No mercado externo de moedas, o dólar ganhou sustentação ante o euro diante dos sinais de desaceleração econômica combinada com inflação nos mercados europeus e do contágio da crise do subprime em instituições européias. No final do pregão, o euro caía 1,08%, a US$ 1,5605; enquanto o dólar subia 2,06%, a 101,92 ienes.

Balança
Em relação ao resultado da balança comercial de março, que teve superávit de US$ 1,012 bilhão, sendo que pela média diária, o saldo é 66,3% menor do que em igual período do ano passado, há expectativas de que a produção de grãos ajude a melhorar o saldo no próximo trimestre, mas ''não a ponto de reverter a queda no 1º trimestre''. No acumulado do ano, o saldo comercial está em US$ 2,837 bilhões, 66,9% menor do que os US$ 8,721 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2007.

Leilão
No leilão de ontem, o Banco Central pode ter comprado cerca de US$ 170 milhões, estimou um operador. A taxa de corte foi de R$ 1,749. Das seis propostas (de quatro bancos) com taxas declaradas, que iam de R$ 1,7487 a R$ 1,751, o BC teria aceitado apenas uma delas, de uma instituição. Treze bancos dealers não informaram as taxas na operação.

Reflexos
O presidente Lula reconheceu ontem em discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social que a crise americana preocupa ''todas as pessoas que têm juízo'' e disse que, se os EUA passarem por uma recessão profunda e prolongada, ''o Brasil não estará imune''. Foi a primeira vez que Lula usou tom menos otimista ao se referir a eventuais reflexos no país das turbulências americanas. Lula comparou a instabilidade na economia americana a uma CPI, em que ''a gente vai tomando pílulas todo santo dia, porque ela não aparece em sua totalidade''.

Das Agências

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