MERCADO FINANCEIRO
Volatibilidade
Novos temores sobre o desempenho da economia americana fizeram os investidores de todo o mundo se retrairem ontem, e o mesmo ocorreu no mercado brasileiro. A Bovespa fechou em baixa em um dia de forte volatilidade. O Ibovespa - principal indicador da Bolsa paulista - caiu 0,51%, aos 60.452 pontos. O giro financeiro foi de R$ 3,94 bilhões - bem abaixo da média do ano, de R$ 6 bilhões -, com cerca de 146 mil negócios realizados. O dólar comercial subiu 0,4%, vendido a R$ 1,743.
Turbulência
Para se ter uma idéia da turbulência em que o mercado brasileiro se encontra, o Ibovespa oscilou durante todo o dia - esteve seis vezes em alta e seis em baixa. O sinal vermelho só se consolidou no meio da tarde, quando o mercado americano deu indicações de que também fecharia no negativo. Muito da oscilação foi causada por dados conflitantes sobre o desempenho da economia americana. O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan foi o catalizador para a turbulência. Ele caiu ao menor nível em 16 anos em março. A taxa chegou a 69,5 pontos - o menor desde fevereiro de 1992, quando atingiu 68,8 pontos. Economistas esperavam uma leitura na casa dos 70 pontos.
Injeção
O Fed, por sinal, informou que injetará mais US$ 100 bilhões no mercado para garantir a liquidez dos bancos. Embora o movimento traga alívio ao setor, acabou interpretado pelo mercado como um sinal de que a crise do crédito imobiliário de alto risco (''subprime'') ainda está longe de acabar. Com isso, os papéis dos principais bancos ficaram em baixa. Foram os casos, por exemplo, do Citigroup (-4,41%), Merrill Lynch (-4,7%), Washington Mutual (-3,89%) e Lehman Brothers (-2,17%).
Fusão
Alheio à turbulência reinante no mercado, os papéis da Oi (ex-Telemar) e da Brasil Telecom apresentaram forte alta ontem, puxada pelo fechamento do preço de compra da Brasil Telecom pela Oi por R$ 8 bilhões. As quatro maiores altas entre as ações listadas no Ibovespa são ligadas ao negócio: Brasil Telecom PN (8,52%), Brasil Telecom Participações PN (6,3%), e Telemar PN (6,06%), e Brasil Telecom Participações ON (5,2%).
Fluxo cambial
Mesmo com um fluxo cambial positivo, o dólar no mercado à vista sustentou-se em alta ontem, mas oscilou pouco refletindo um volume de negócios mais fraco. As cotações da moeda ganharam suporte na queda dos preços de commodities e das Bolsas em meio a um movimento técnico de rolagem de contratos futuros na BM&F. No fechamento, o dólar foi cotado a R$ 1,744 na roda da BM&F (+0,46%) e no balcão (+0,40%). O giro total à vista encolheu 40%, para cerca de US$ 3,672 bilhões (US$ 3,334 bilhões em D+2).
Commodities
Na semana, o dólar balcão avançou 0,69% e no mês, 3,13%. No entanto, no ano, a queda acumulada está em 1,75%. Em Nova York, o ouro para abril fechou em baixa de 1,92%, a US$ 930,60 a onça-troy, refletindo um movimento de realização de lucros após uma semana de recuperação de preços em meio à crescente onda de inflação, dólar fraco e desaceleração do crescimento, que torna as commodities um hedge atraente para os fundos. Nessa onda, o petróleo para maio recuou 1,82%, a US$ 105,62 o barril.
Arrecadação
A menor arrecadação de impostos em fevereiro fez com que a economia do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) apresentasse uma redução de 67,2% na comparação com janeiro. O superávit primário do mês passado ficou em R$ 5,028 bilhões, contra R$ 15,353 bilhões de janeiro. Tradicionalmente, janeiro tem uma arrecadação mais elevada devido ao recolhimento de tributos trimestrais, como Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e CSLL.
Inflação
O IGP-M, usado para calcular os reajustes de aluguéis, subiu 0,74% em março, após ter ficado em 0,53% em fevereiro, informou Fundação Getúlio Vargas. De janeiro a março deste ano, o IGP-M acumula alta de 2,38%. Em 12 meses, a alta acumulada está em 9,10%. O IPA (Índice de Preços por Atacado) variou 0,96%, ante 0,64% no mês anterior. O índice relativo aos Bens Finais variou 0,12%, em março, após alta de 0,63%. Excluindo-se os subgrupos alimentos ''in natura'' e combustíveis, o índice registrou variação de 0,21%, contra taxa anterior de 0,28%.
Temor
Os mercados de ações da Europa encerraram a semana em queda, após abrirem em alta. Ainda persistem os temores sobre a extensão da crise nos EUA, em um dia em que a confiança do consumidor norte-americano chegou ao nível mais baixo em 16 anos. Na Bolsa de Londres, o índice FTSE-100 caiu 0,43%, a 5.692 pontos. Em Frankfurt, o DAX ganhou 0,28%, com 6.559,90 pontos. Já em Paris, o CAC-40 teve queda de 0,50%, para 4.695,92 unidades.
Recessão
Investidores continuam a medir o peso da crise de crédito nos EUA e se ela fará mais vítimas em Wall Street, entre elas o Lehman Brothers. Há rumores de que o banco poderia ser o próximo a quebrar - diretores da instituição vieram a público quinta-feira dizer que isso é ''infundado''. No geral, pesou no mercado ontem a má notícia vinda dos EUA, de que a confiança do consumidor norte-americano caiu ao menor nível em 16 anos. Em nota, a pesquisa da University de Michigan diz que ''agora é quase unânime entre os consumidores que a economia (dos EUA) já entrou em recessão''.
(Com Agências)





