Dólar
A cotação do dólar comercial apresentou forte queda ontem, aproveitando o dia positivo nos mercados brasileiro e internacional. A moeda americana fechou cotada a R$ 1,69 para a venda, com queda de 1,97%. Já nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo recuou 1,63%, vendido a R$ 1,80. Nem mesmo o leilão de compra de dólares do Banco Central, realizada no início da tarde, foi suficiente para inverter a cotação. No leilão, o BC comprou dólares com taxa de corte de R$ 1,7059.

Bom humor
Depois de ter um pregão marcado pelo medo da ampliação da crise do crédito imobiliário de alto risco (''subprime'') nos EUA, a Bovespa (Bolsa de São Paulo) devolveu ontem as perdas, seguindo de perto o desempenho do mercado americano. O bom humor foi causado pelo enfraquecimento dos temores sobre a saúde financeira dos bancos americanos e pela confirmação do corte de 0,75 ponto percentual nos juros americanos promovido pelo Fed (Federal Reserve, o BC daquele país). O Ibovespa -principal indicador da Bolsa paulista- avançou 3,2%, para 61.932 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,78 bilhões, em linha com a movimentação média desse ano, com cerca de 206 mil negócios realizados.

Recuperação
O mercado norte-americano de ações fechou em alta forte nesta terça-feira, com as mesmas ações que haviam determinado a queda de ontem liderando a recuperação. O índice Dow Jones teve sua maior alta em pontos desde 29 de julho de 2002 e fechou no nível mais alto desde 28 de fevereiro. O S&P-500 teve sua maior alta em pontos desde 3 de janeiro de 2001 e o Nasdaq teve sua maior alta em pontos desde 8 de maio de 2002. Tanto o S&P-500 como o Nasdaq já se recuperaram das quedas dos dois dias anteriores, quando o temor quanto à perda de liquidez do banco de investimentos Bear Stearns afetou as ações do setor financeiro e, por extensão, todo o mercado. A nova redução das taxas de juro pelo Federal Reserve fez com que o movimento de compras se acelerasse nas últimas duas horas do pregão.

Tesouro
Os preços dos títulos do Tesouro dos EUA despencaram, com correspondente alta nos juros. Os preços das T-notes de 2 anos, os que mais haviam subido nos últimos meses, foram os que mais caíram. Como resultado, a curva de juros teve uma forte redução na inclinação, com o spread entre o juro das T-notes de 10 e de 2 anos reduzindo-se a 185 pontos-base, de 197 pontos-base ontem. Traders disseram que um senso de estabilidade voltou aos mercados, depois da divulgação dos informes de resultados do Goldman Sachs e do Lehman Brothers. A redução das taxas de juro pelo Fed mostrou novas evidências do compromisso da autoridade monetária com o esforço para evitar uma recessão e um derretimento dos mercados financeiros.

Europa
As bolsas européias fecharam em alta expressiva ontem, após as perdas acentuadas vistas na segunda-feira. O pregão encerrou antes do Federal Reserve (FED, o BC americano) anunciar a decisão sobre sua taxa básica de juros, mas as expectativas entre os investidores de um corte, que pode ser de até 1 ponto percentual, animou os negócios. A Bolsa de Londres fechou em alta de 3,54%, com 5.605,80 pontos; a Bolsa de Paris subiu 3,42%, fechando com 4.582,59 pontos; a Bolsa de Frankfurt encerrou o dia em alta de 3,41%, com 6.393,39 pontos; a Bolsa de Amsterdã subiu 2,78%, para 427,48 pontos; a Bolsa de Milão teve ganho de 2,39%, indo para 23.930 pontos; e a Bolsa de Zurique subiu 3,54%, com 7.013,87 pontos.

PPI
O Departamento do Trabalho informou que o PPI (Índice de Preços ao Produtor, na sigla em inglês) subiu 0,3% nos EUA em fevereiro, após alta de 1% um mês antes. O núcleo do PPI (que exclui os preços de alimentos e energia) teve alta de 0,5% -maior avanço mensal desde novembro de 2006. Ontem também o Departamento do Comércio informou que a construção de casas nos EUA recuou 0,6% em fevereiro, ficando em uma taxa anualizada de 1,065 milhão de unidades, depois da expansão de 7,1% em janeiro, para 1,071 milhão de unidades.

Petróleo
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta terça-feira, depois que o corte no juro do FED desencadeou uma onda de compras no fim da sessão. Na New York Mercantile Exchange, o contrato de abril, que vence hoje, fechou em alta de US$ 3,74, ou 3,54%, em US$ 109,42. O contrato de maio subiu US$ 4,27, ou 4,1%, para US$ 108,50 o barril. Os ganhos de ontem quase eliminaram a queda de segunda-feira, que foi a maior em porcentual num único dia desde agosto. No mercado eletrônico ICE, o contrato para maio do Brent fechou em US$ 105,87 o barril, alta de US$ 4,12, ou 4,05%. Os contratos haviam subido cerca de US$ 2 o barril pela manhã e passaram boa parte do dia neste nível, com pouca atividade, enquanto o mercado aguardava a decisão do Fed, anunciada apenas 15 minutos antes do fechamento. O corte de 0,75 ponto porcentual ficou abaixo das amplas expectativas de uma redução de um ponto porcentual. Mas o petróleo superou US$ 109 o barril com a notícia.

Ásia
A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de terça-feira em alta de 1,50%, depois de ter registrado fortes quedas nos últimos dias. O índice Nikkei 225 ganhou 176,65 pontos, mas permaneceu abaixo da barreira psicológica dos 12.000 pontos, á 11.964,16 unidades. O Nikkei perdera mais de 1.000 pontos nas três sessões anteriores, em consequência da desvalorização do dólar em relação ao iene e da fragilidade da economia americana. Já a Bolsa de Xangai encerrou a sessão em forte queda de 3,96%, com um mercado preocupado com a inflação na China e a alta dos preços das matérias-primas. O índice Xangai Composite, que inclui ações do tipo A e B, perdeu 151,15 pontos, a 3.668,90 unidades. (Das Agências)

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