Abalo

As Bolsas européias fecharam em queda acentuada ontem. A ação do Federal Reserve (FED, o BC americano) no fim de semana em uma reunião de emergência, para cortar sua taxa de redesconto, foi recebida com cautela pelos investidores, mas o que causou o maior abalo nos negócios foi a venda do banco americano de investimentos Bear Stearns para o rival JP Morgan. Os investidores viram na compra do Bear Stearns um sinal de fragilidade maior que o esperado no setor bancário. O FED aprovou uma linha de crédito de US$ 30 bilhões para financiar a compra, além de ter aprovado um programa de empréstimos para as maiores empresas de investimentos em Wall Street.


Bolsas
A Bolsa de Londres fechou em queda de 3,86%, indo para 5.414,40 pontos; a Bolsa de Paris caiu 3,51%, para 4.431,04 pontos; a Bolsa de Frankfurt teve perda de 4,18%, indo para 6.182,30 pontos; a Bolsa de Amsterdã fechou em baixa de 3,79%, indo para 415,92 pontos; a Bolsa de Milão caiu 3,52%, ficando com 23.371 pontos; e a Bolsa de Zurique perdeu 5,02%, encerrando o dia com 6.774,26 pontos.


Indicadores americanos
Com a movimentação em caráter emergencial do FED e os temores sobre o setor bancário, os indicadores americanos divulgados ontem receberam pouca atenção. O FED de Nova York (uma das 12 divisões regionais do BC americano) informou e que seu índice Empire State, que mede a atividade manufatureira no Estado, registrou em março o nível mais baixo desde que começou a ser elaborado, em julho de 2001, ficando em -22,23 pontos - um índice abaixo de zero reflete que a atividade está contraindo, enquanto um número em positivo é sinônimo de crescimento.

Ásia
Os mercados asiáticos amargaram um dia de perdas com o temor do agravamento da crise de crédito nos Estados Unidos. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 caiu 3,7%, na maior queda em mais de dois anos e meio; em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou o pregão com queda de 5,2%. Nos outros mercados na região da Ásia-Pacífico foram registradas perdas, incluindo em Austrália, China, Coréia do Sul, Indonésia e Filipinas. Na Índia, o índice Sensex caiu 5,1 %.




Petróleo
O preço do petróleo registrou queda expressiva ontem. A venda do banco de investimentos Bear Stearns ao rival JP Morgan também atingiu o preço da commodity: a operação foi vista como sinal de uma eventual recessão nos EUA. O barril do petróleo cru para entrega em abril, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, encerrou o dia cotado a US$ 105,68, baixa de 4,11% em relação ao fechamento na sexta-feira (US$ 110,21). Durante o pregão de ontem, no entanto, o preço chegou ao recorde de US$ 111,80. O barril chegou a atingir o preço mínimo de US$ 103,23. O preço do óleo diesel nos EUA já ultrapassou os US$ 4 por galão (3,785 litros) ontem e os preços da gasolina ainda estão altos - o galão chegou a US$ 3,283. Os dados foram divulgados ontem pela AAA (Associação Americana do Automóvel, na sigla em inglês).




IGP-10
A forte desaceleração de preços no varejo (de 0,64% para 0,04%) foi a principal responsável pela taxa menor da inflação de março medida pelo Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10), que subiu 0,61% em março. Em fevereiro, a inflação pelo IGP-10 havia sido de 0,80%. Embora os preços no atacado, medidos pelo IPA, também tenham registrado desaceleração (de 0,90% para 0,83%), a perda de força na inflação do varejo foi mais intensa. Entre as principais movimentações de preços que ajudaram a derrubar a inflação do varejo estão as dos alimentos in natura. É o caso das quedas de preços em hortaliças e legumes (de 1,77% para -1,93%); e frutas (de 4,09% para -4,17%). Além disso, a inflação no varejo também foi beneficiada por quedas e desacelerações de preços no setor de carnes. Isso porque, no atacado, esse tipo de produto conta com boa oferta, o que reduz os preços, tanto no setor atacadista como no âmbito do consumidor. No varejo, as carnes bovinas intensificaram a deflação, de fevereiro para março (de -0,11% para 2,42%).




Balança
A balança comercial brasileira apresentou um saldo positivo de US$ 527 milhões na segunda semana de março. Trata-se do primeiro superávit após três semanas de resultados negativos. As exportações somaram US$ 3,494 bilhões e as importações, US$ 2,967 bilhões. No acumulado do mês, o superávit comercial está em US$ 368 milhões. As vendas ao exterior totalizam US$ 6,722 bilhões e as compras, US$ 6,354 bilhões. Pela média diária (total movimentado por dia útil), as exportações estão com um saldo de US$ 643,1 milhões no mês, alta de 14,7% em relação ao mesmo mês de 2007. Já a média das importações é de US$ 600,1 milhões, alta de 45,9%.

Dólar
O dólar comercial fechou ontem em alta, refletindo a volatilidade vista nos mercados mundiais devido ao avanço da crise do crédito imobiliário de alto risco (''subprime'') nos Estados Unidos. A moeda americana fechou com alta de 0,64%, vendida a R$ 1,724, após as últimas negociações. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo avançou 0,54% e foi vendido a R$ 1,83.

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