MERCADO FINANCEIRO
Insolvência
A percepção de que o Bear Stearns está à beira da insolvência acirrou as preocupações sobre a saúde de outros bancos norte-americanos. Na próxima semana, as principais instituições financeiras americanas irão divulgar seus balanços e, na terça-feira, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês) poderá anunciar novo corte na taxa de juros dos Fed Funds. O CPI de fevereiro benigno em meio aos temores de uma crise financeira sistêmica sustentaram expectativas de uma redução agressiva entre 0,75 ponto porcentual(pp) e 1,00 pp na taxa dos Fed Funds, que está em 3% ao ano. Esse cenário provocou busca de proteção nos Treasuries, cujos preços subiram e os juros caíram, e fortes vendas de ações e de dólar.
Perdas
As Bolsas européias, em Nova York e no Brasil ampliaram as perdas. A moeda americana recuou ante o iene ao menor valor em 13 anos, também furou a paridade com o franco-suíço pela primeira vez na história e ainda voltou a registrar mínima inédita frente o euro. Aqui, os investidores reforçaram posições defensivas. O dólar e os juros futuros bateram as taxas máximas à tarde, enquanto a Bovespa chegou a recuar 2,52% no pior momento.
Câmbio
O mercado local piorou no período da tarde, acompanhando o agravamento da aversão a risco lá fora causado pela deterioração de liquidez do banco de investimento Bear Stearns, que acirrou o temor sobre novas baixas contáveis em instituições financeiras norte-americanas. O dólar à vista e os juros futuros bateram as taxas máximas do dia, enquanto a Bovespa acentuou a queda.
Dólar
No fechamento, o dólar no mercado à vista subia 1,27%, a R$ 1,713 na roda da BM&F, e 1,24%, a R$ 1,714 no balcão - valores mais altos desde 20 de fevereiro último (a R$ 1,724). O aumento da volatilidade da moeda no mercado à vista - o pronto no balcão oscilou 2,86% da mínima de R$ 1,676 (-1,00%) à máxima de R$ 1,724 (+1,83%) - ocorreu em meio a um volume de negócios mais fraco que o anterior. O giro total à vista diminuiu 47%, para cerca de US$ 2,765 bilhões (US$ 2,595 bilhões em D+2). No mercado de dólar futuro, nove vencimentos projetaram altas e dois, quedas. O volume financeiro seguiu forte, de cerca de US$ 26,86 bilhões (534.405 contratos negociados). O dólar abril08 indicou alta de 1,69%, a R$ 1,727; e o dólar janeiro 2010, queda de 0,45%, a R$ 1,930.
Leilão
No leilão de ontem, o Banco Central pode ter comprado cerca de US$ 10 milhões. A taxa de corte foi de R$ 1,715. Segundo operadores consultados, o BC teria aceitado duas propostas, de dois bancos. Sete instituições participantes da operação declararam suas ofertas, cujos valores iam de R$ 1,714 a R$ 1,7178. Pelo menos dez instituições dealers não informaram as taxas.
Juros
Sob a influência do recado do Copom, na ata de quinta-feira, de que a alta da Selic está no forno, os juros futuros subiram ainda mais nesta sexta-feira, pressionados pelo cenário externo adverso. As principais taxas operaram em elevação desde a abertura e bateram as máximas do dia com pouco menos de meia hora para o final da sessão, acompanhando a piora das bolsas e a ampliação da queda nos juros dos Treasuries. O giro de contratos foi expressivo, motivado pela aversão a risco que dominou os investidores. O DI janeiro de 2009 (367.681 contratos) avançou a 12,25%, de 12,17% ontem, com máxima de 12,29%. O DI janeiro de 2010 (385.838 contratos) fechou em 13,09%, com máxima de 13,17%, de 12,98% ontem. Dow Jones e S&P 500 recuaram 1,6% e 2,08%, respectivamente.
Renda fixa
A tensão com o sistema financeiro nos EUA pegou o mercado de renda fixa brasileiro em um momento bastante delicado, em que os prêmios dos juros na BM&F só fazem crescer com a expectativa de um aperto monetário iminente. Na próxima semana, a reunião do Fomc é, sem dúvida, o destaque. No âmbito doméstico, a agenda é tranqila. Na segunda-feira, a pesquisa Focus, o IPC-S da segunda quadrissemana de março e o IGP-10 deste mês devem dividir as atenções com os dados industriais de fevereiro nos EUA, que saem também na segunda-feira. Na terça-feira, a Fipe informa o IPC da segunda quadrissemana do mês e nos EUA saem os dados da inflação no atacado em fevereiro.
Bolsa
O Bear Stearns acabou com o parco humor dos investidores nesta sexta-feira. Até havia uma boa justificativa para os índices acionários avançarem - o bom resultado da inflação no varejo nos Estados Unidos -, mas ela acabou soterrada pelos temores de uma crise grave e sem soluções à vista por lá. Depois de abrir com alta firme, a Bolsa paulista também acompanhou Nova York após as notícias de que o Bear recorreu ao redesconto do Federal Reserve e trabalhou em queda até o fechamento. Mas uma compra de ações da Petrobras no finalzinho da sessão reduziu consideravelmente a perda do dia. O Ibovespa encerrou a sexta-feira em baixa de 0,46%, aos 61.991,0 pontos.
Vale
As ações da Vale subiram: +2,26% as ON e +0,12% as PNA. A empresa fechou acordo para reajustar o minério vendido para a Tata Steel em 65%. Seguem os rumores de que a mineradora estaria perto de fechar a negociação de compra da anglo-suíça Xstrata. As ações PN do Bradesco caíram 1,15% e as PN do Itaú, 0,95%. As maiores altas de hoje ficaram com BrT Par ON (+5,26%), Net PN (+5,05) e Souza Cruz ON (+3,79%). Na outra ponta, Cosan ON recuou 6,69%, Telemar ON, -5,98%, e Light ON, -4,53%.





