Cobertura cambial
O mercado cambial ensaiou leve alta no início da tarde em meio a rumores sobre eventual adoção de fortes medidas cambiais pelo governo, mas rapidamente a moeda americana retomou a queda com as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo poderia acabar com a cobertura cambial (exigência de que as receitas com exportação sejam internalizadas no País). Hoje, o governo permite que apenas 30% dos recursos sejam mantidos no exterior e, segundo interpretações de alguns operadores, o ministro sinalizou que o governo poderá vir a permitir que 100% dos recursos venham a ser mantidos no exterior.

Alívio
Além disso, o ministro não falou claramente sobre eventual adoção de IR nem de IOF sobre os ingressos de recursos estrangeiros no mercado local, o que trouxe alívio aos investidores que especulavam sobre essa possibilidade desde cedo. Como hoje haverá reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional, há expectativas no mercado de que novas regras cambiais venham ser aprovadas.

Bolsas
As declarações do ministro elevaram o clima positivo no mercado, que já vinha sendo amparado pelos fortes ganhos das Bolsas internacionais e, por tabela, da Bovespa. No fechamento, o dólar à vista estava na cotação mínima da roda da BM&F, de R$ 1,683, em baixa de 1,29%; e recuava 1,23%, a R$ 1,685 no balcão. O giro total à vista somou cerca de US$ 3,265 bilhões (US$ 3,082 bilhões em D+2). O dólar abril/08 projetava baixa de 1,42%, a R$ 1,687; e o dólar janeiro 2010, -0,57%, a R$ 1,940.

Juros
O mercado de FRA de Cupom cambial também comemorou o fato de o ministro não ter mencionado a possibilidade de o governo vir a taxar as operações cambiais com recursos de estrangeiros. Toda a curva de juros fechou, ou seja, recuou. O juro no FRA de cupom cambial para maio/08, mais curto, recuou de 4,44% segunda-feira para 4,42% no ajuste de ontem; e o juro do FRA de cupom de janeiro 2009 cedeu de 4,69% para 4,57%.

Valorização
Lá fora, as Bolsas européias fecharam em alta, e os índices acionários norte-americanos ampliaram suas valorizações, dando impulso adicional à Bovespa. Os ganhos foram sustentados pela ação coordenada dos bancos centrais, liderados pelo Federal Reserve, para ajudar a aliviar as pressões do mercado de crédito. Entre as medidas anunciadas pelo Fed, está a expansão do programa de empréstimos de ativos.

Treasuries
Pela nova Linha de Empréstimo de Ativos a Termo (TSLF, na sigla em inglês), o Fed irá emprestar até US$ 200 bilhões de Treasuries para os primary dealers durante um período de 28 dias (ao invés de overnight, como no programa atualmente existente) tomando como garantia outros ativos, incluindo dívida de agência federal, ativos garantidos por hipotecas residenciais de agências federais (MBS, em inglês) e MBS residenciais com marca privada e classificação de risco AAA/Aaa.

Petróleo
O novo recorde do petróleo para abril em Nova York, a US$ 108,75 o barril (+0,79%), também favoreceu o recuo do dólar no mercado à vista ao mesmo tempo em que ajudou na alta da Bovespa, disse um operador. Ainda que a alta do petróleo tenha impacto negativo sobre a balança comercial, já que vem contribuindo para os três recentes déficits semanais, o fortalecimento do preço da commodity favorece as ações da empresa negociadas na Bovespa e seus ADRs em Nova York, disse um operador.

Trégua
O socorro dos principais bancos centrais, liderados pelo Federal Reserve, para aliviar as pressões nos mercados de crédito permitiu uma trégua no ambiente acionário internacional ontem, beneficiando a Bovespa. A Bolsa paulista não apenas devolveu as perdas da véspera, como retomou o patamar dos 62 mil pontos perdidos na semana passada, com a renovação do fôlego em Wall Street no meio da tarde.

Ibovespa
O Ibovespa fechou na máxima, aos 62.367,7 pontos, em alta de 3,95%. O acréscimo é o maior desde 24 de janeiro deste ano, quando o indicador subiu 5,95%. Na mínima de ontem, o índice alcançou 60.005,8 pontos. O volume financeiro somou R$ 5,883 bilhões. O mês, contudo, ainda acumula baixa de 1,77%. No ano, a queda é de 2,38%.

Acordos
O Fed autorizou aumento dos atuais acordos temporários de reciprocidade de moedas (linhas swap) com o Banco Central Europeu e com o Banco Nacional Suíço (SNB). Estes acordos colocarão dólares à disposição em montantes de até US$ 30 bilhões para o BCE e de até US$ 6 bilhões para o SNB, equivalentes a uma elevação de US$ 10 bilhões e US$ 2 bilhões, respectivamente. O Fomc estendeu o termo destas linhas de swap até 30 de setembro.

Pressão
Segundo comunicado do Fed, desde que as últimas ações coordenadas foram tomadas, em dezembro de 2007, ''os bancos centrais do G-10 continuaram trabalhando juntos e consultando regularmente as pressões de liquidez nos mercados de financiamento. As pressões em alguns desses mercados aumentaram novamente. Continuamos trabalhando juntos e tomaremos medidas apropriadas para lidar com essas pressões de liquidez''. Tais medidas foram acompanhadas de uma ação conjunta com outros BCs, como o do Canadá, da Inglaterra e o Suíço, para ajudar a aliviar as pressões por liquidez nos mercados de crédito.

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