Consecutivo

O dólar comercial foi negociado a R$ 1,669 para venda, em declínio de 0,17%, nos últimos negócios de ontem. É o nono dia consecutivo em que a cotação da moeda americana cai. No acumulado deste ano, a taxa cambial cedeu 6%, para seu menor nível desde 18 de maio de 1999. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,780, em alta de 0,56%.

Fora da rotina
''O dólar realmente está um pouco fora da rotina. Com essa crise dos EUA, e o nervosismo do mercado, teria muitas razões para subir. Agora, nós temos que ver que o dólar está perdendo força no mundo inteiro. Como nós vimos hoje (ontem), o euro bateu um novo recorde. E outro ponto é que ainda tem muito dinheiro entrando no mercado'', comenta Mauro Araújo, diretor da corretora Vision.

Tendência
Analistas lembram que o diferencial entre juros básicos americanos (3% ao ano) e brasileiros (11,25% ao ano) é determinante para estabelecer a tendência de queda para o dólar. Esses profissionais notam, no entanto, que crescem as chances da cotação ter um repique no curto prazo. Ontem, operadores das mesas de câmbio notaram muitos importadores antecipando o fechamento de contratos, aproveitando os preços da moeda.

Ofertas
O habitual leilão de câmbio do Banco Central foi realizado às 14h59 e aceitou ofertas por R$ 1,6757 (taxa de corte). Até ontem, o nível das reservas internacionais era de US$ 190,490 bilhões.

Juros futuros
As taxas projetadas para 2009 e 2010 subiram no mercado futuro de juros - que baliza as tesourarias dos bancos - da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 cedeu de 11,13% ao ano para 11,11%; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 11,72% para 11,77%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 12,39% para 12,41%. O IGP-M teve variação de 0,53% em fevereiro ante 1,09% em janeiro. Analistas do mercado financeiro projetavam taxa em torno de 0,50%.

Descolada
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) descolou das Bolsas americanas, sua principal referência externa, e emendou seu sétimo dia consecutivo de ganhos, ainda que modestos, ontem. O Ibovespa, indicador que reflete os preços das ações mais negociadas, subiu 0,09% no fechamento, aos 65.555 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,93 bilhões. No ano, o ganho acumulado é de 2,6% e, no mês, de 10,19%.

Contribuição
O segmento de empresas ligadas às commodities têm contribuído para boa parte das valorizações das Bolsas nos últimos dias. Ontem, as ações ordinárias e preferenciais da Vale, somadas, responderam por mais de R$ 800 milhões do giro de negócios da Bolsa e contribuíram para o ''descolamento'' do mercado brasileiro.

Valorização
A ação ordinária da Vale foi o segundo papel mais valorizado (entre os mais de 60 que compõem o Ibovespa), em alta de 3,28%, para R$ 62,50. A ação preferencial, o papel mais movimentado no pregão, teve ganho de 2,23%, para R$ 52,50.

Na sequência
O papel da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) foi o quarto mais negociado (giro de R$ 227 milhões) e o terceiro em ganhos (2,71%). O dólar comercial foi negociado a R$ 1,669 para venda, em declínio de 0,17%, o nono dia de baixa no mercado de câmbio. A taxa de risco-país marca 255 pontos, um avanço de 6,69%.

Perdas
Na Europa, as principais Bolsas de Valores encerraram os negócios com perdas, a exemplo de Londres (retração de 1,82%) e Frankfurt (baixa de 1,93%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York teve recuo de 0,88%.

Análise
Analistas têm destacado a divergência cada vez maior entre o cenário para a economia brasileira e a americana. Enquanto no Brasil, há uma sequência de boas notícias, como desemprego mais baixo e arrecadação recorde dos impostos (também um sinal de aquecimento do nível de atividade), os EUA somente acumulam más notícias: as vendas de imóveis novos caíram, as encomendas às indústrias contraíram, a estimativa de crescimento do PIB, divulgada ontem, foi decepcionante, e a demanda pelos benefícios do auxílio-desemprego foi mais de quatro vezes o esperado por, num sinal de enfraquecimento do mercado do trabalho.

Empresas
A Natura divulgou ontem seu balanço de 2007 e registrou lucro líquido de R$ 462,3 milhões em 2007, um crescimento de 0,3% em relação ao resultado de 2006. A ação ordinária teve ganhos de 1,39%, para R$ 17,47.

Lucros
A fabricante de bebidas AmBev reportou lucro líquido de R$ 2,816 bilhões no balanço de 2007, um incremento de 0,4% sobre os resultados do exercício anterior. A ação preferencial subiu 2,66%, para R$ 146,80 ontem.

Superação
Analistas destacaram os resultados acima do esperado, sustentados por receitas fortes no segmento de cervejas e refrigerantes. ''É importante prestar atenção à habilidade da AmBev para se proteger contra sua exposição aos preços das commodites, especialmente aveia e cevada'', destacou a corretora Unibanco, em avaliação preliminar sobre a empresa.

Das agências

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