Testes

O mercado de câmbio rompeu o ''piso'' de R$ 1,70 e testou diretamente o nível de R$ 1,68 nos negócios de ontem. O preço da moeda americana chegou a bater R$ 1,681 em sua menor cotação do dia, mas um leilão do Banco Central, realizado nos últimos minutos, contribuiu para conter a queda das cotações.

Declínio
O dólar comercial foi cotado a R$ 1,684 para venda, em declínio de 1,28%. Trata-se da menor cotação desde 19 de maio de 1999. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,790 (venda), em retração de 1,10%.

Operações
Corretores notaram operações de vulto ontem na parte da manhã, supostamente de grandes empresas como Vale do Rio Doce e Petrobras. Há dias, corretores também têm comentado sobre a possibilidade de uma parcela dos ingressos ser explicada por conta da iminência da privatização da Cesp (Companhia de Energia de São Paulo), prevista para o dia 26 de março. Os consórcios interessados devem depositar garantias até o próximo dia 10.

Justificativas
Profissionais de câmbio citam também outras duas razões para justificar o descenso das taxas de câmbio. Primeiro, a diferença entre os juros básicos americanos (3% ao ano) e brasileiros (11,25%), o que torna atrativo para os investidores estrangeiros aportarem recursos nos ativos domésticos.

Influência
Segundo corretores, a ação de investidores pode influenciar a formação da Ptax, a taxa de câmbio calculada pelo BC, e que serve de referência para liquidação de contratos futuros de dólar, na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). ''Você tem uma formação de Ptax, que pode ter ocorrido mais cedo, porque o mês é mais curto, e os agentes podem ter se antecipado um pouco'', comenta João Gomes, gerente de câmbio da corretora Agente.

Tendência
O profissional lembra também que há uma tendência internacional de desvalorização dólar, principalmente com o aumento da importância do euro como moeda de comércio internacional e poupança. A ''demora'' do BC em entrar no mercado também pode ter contribuído para o recuo das taxas. A autoridade monetária entrou com pouco menos de 15 minutos para os encerramentos dos negócios e aceitou ofertas por R$ 1,6828 (taxa de corte).

Juros futuros
As taxas projetadas para 2009 e 2010 ficaram mais baixas no mercado futuro de juros - que baliza as tesourarias dos bancos - da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 foi mantida em 11,13% ao ano; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada retraiu de 11,77% para 11,72%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 12,43% para 12,40%.

Recorde
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) encerrou os negócios de ontem cada vez mais próximo de seu patamar recorde, puxada pela recuperação das Bolsas de Valores americanas. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, valorizou 0,28% no fechamento e atingiu os 65.182 pontos. A pontuação recorde é de 65.790 pontos. O volume financeiro foi de R$ 7,10 bilhões.

Em alta
Na Europa, as principais Bolsas de Valores fecharam em terreno positivo, a exemplo de Londres (avanço de 1,45%) e Frankfurt (alta de 1,48%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York, que inicou negócios em baixa, inverteu a tendência e teve ganhos de 0,91%.

Alívio
Pela manhã, um indicador econômico dos EUA pior que o esperado disparou um movimento de realização de lucros (venda) pelos investidores. A Bolsa inverteu esse movimento à tarde, quando o mercado recebeu, com algum alívio, a notícia de que a agência de classificação de ''rating'' Moody's manteve a nota AAA, a mais alta, para a seguradora de bônus financeiro MBIA.

Alto nível
Ontem, a agência Standard & Poor's já havia mantido o ''rating'' de alto nível para a Ambac, outra seguradora de bônus. A Ambac e MBIA estavam ameaçadas de um ''downgrade'' (rebaixamento) por conta de problemas com créditos ''subprime''. Os problemas dessas empresas estavam assustando os mercados, numa extensão da crise dos créditos ''subprime'', que já havia afetado pesadamente o sistema bancário.

Compensação
A notícia ajudou a compensar o mau humor de analistas e investidores com o PPI, índice de inflação americano, que teve variação de 1% em janeiro, ante expectativas de 0,4%. A inflação mais alta dificulta para o Federal Reserve (banco central dos EUA) reduzir os juros americanos, numa tentativa de evitar que o país mais rico do planeta caia em uma recessão.

Lucros
Entre outras notícias, o Banco do Brasil anunciou lucro líquido de R$ 5,058 bilhões em 2007, número 16,3% abaixo dos ganhos de 2006. A ação do banco recuou 4,96%, para R$ 28,51. Analistas ficaram decepcionados com o resultado da instituição financeira. Segunda-feira à noite, o grupo Perdigão comunicou lucro de R$ 321,3 milhões, um avanço de 174% sobre os resultados de 2006. A ação preferencial valorizou 0,17%, para R$ 84,40 ontem.

Das agências

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