Em queda

O dólar comercial foi negociado a R$ 1,758 para venda, em queda de 0,62%, nas últimas operações de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,870 (venda), em declínio de 0,53%. No mês passado, o mercado financeiro atravessou vários momentos de nervosismo, quando se acumularam indicadores econômicos que reforçaram a percepção de que os EUA devem cair em uma recessão. No final de janeiro, o Federal Reserve (banco central americano) reduziu os juros por duas vezes e acalmou, parcialmente, o setor.

Poucos negócios
''O volume de negócios não foi muito alto. Esta é a primeira semana com a agenda realmente cheia, com muitos indicadores importantes para sair. O mercado ainda está retornando, após todos os feriados das duas últimas semanas'', afirmou um corretor. O Banco Central realizou leilão de câmbio às 15h13 e aceitou ofertas por R$ 1,7602 (taxa de corte). Até o dia 8, o nível das reservas internacionais era de US$ 187,975 bilhões.

Juros futuros
As taxas projetadas para 2009 e 2010 retraíram mais uma vez no mercado futuros de juros, que baliza as tesourarias dos bancos. Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 foi mantida em 11,15% ao ano; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada cedeu de 11,93% para 11,90%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 12,57% para 12,49%.

Conta corrente
A divulgação da pesquisa semanal Focus ontem, em que o Banco Central apresenta as projeções de cerca de 100 instituições financeiras para os principais indicadores econômicos, não trouxe alterações relevantes. Foram mantidas as projeções para inflação, câmbio, juros e Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. O destaque, mais uma vez, ficou apenas para a elevação da previsão de déficit em conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior), de US$ 7,1 bilhões para US$ 7,5 bilhões este ano.

Inflação
A previsão para a inflação deste ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu para 4,45% - praticamente estável em relação a 4,44% do relatório da semana passada. Para 2009, o mercado manteve a projeção de 4,2% pela segunda semana seguida. O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Meta
O centro da meta de inflação para 2008 foi estabelecido em 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Para o ano de 2009, o centro da meta de inflação também é de 4,5%, com os dois pontos de margem.

Estável
Para a taxa básica de juros, a Selic, o mercado financeiro manteve a estimativa de estabilidade em 2008, retomando os cortes da taxa somente em 2009. A previsão para a taxa Selic para o final deste ano é de 11,25% ao ano - mesmo nível atual. Para o fim do ano que vem, o mercado projeta a Selic em 10,25% ao ano.

Projeção
No mercado de câmbio, o mercado manteve a projeção, pela 12 semana consecutiva, de que o dólar deve encerrar 2008 em R$ 1,80. Para o final de 2009, a taxa esperada para o câmbio é de R$ 1,90 por dólar.

Sem crescimento
Nos números referentes ao crescimento da economia brasileira, o mercado financeiro manteve, pela sétima vez seguida, a projeção em 4,5% para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008 e também não promoveu alterações na estimativa de expansão da economia em 2009, que permaneceu em 4,06%. Em relação à produção industrial, o mercado manteve a previsão de expansão de 5% este ano e de 4,5% no ano que vem.

Contas externas
Quanto à balança comercial brasileira, a previsão do mercado de um superávit de US$ 30 bilhões em 2008 foi mantida pela terceira semana seguida. Para a conta corrente (saldo de todas as transações do País com o exterior), a pesquisa mostrou aumento da projeção de déficit, de US$ 7,1 bilhões para US$ 7,5 bilhões este ano. A previsão para a conta corrente em 2009 é de um déficit ainda maior, de US$ 12 bilhões. Além disso, o mercado reduziu a projeção de saldo da balança comercial no ano que vem, passando de US$ 25,56 bilhões para US$ 25,28 bilhões.

Previsão alta
A projeção para o ingresso de investimentos estrangeiros direto (IED) em 2008 subiu de US$ 28 bilhões na semana passada para US$ 30 bilhões ontem. Para 2009, a previsão do ingresso de recursos externos no País permaneceu em US$ 25 bilhões.

Sem imunidade
Nenhuma região do mundo deve sair ilesa da atual crise econômica global, disse o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Khan, acrescentando que é difícil de prever sua magnitude. Para Strauss-Khan, os formuladores de políticas em todo o mundo precisam tomar ações conjuntas para aliviar o sentimento, afetado pela crise das hipotecas de segunda linha (subprime), que emana dos EUA. ''Nós estamos em um mundo globalizado, gostemos disso ou não'', declarou. ''Problemas globais requerem soluções globais''.

Das agências

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