MERCADO FINANCEIRO
Baixa
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,761 para venda, em declínio de 1,12%, nas últimas operações de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,880 (venda), em baixa de 0,52%. A taxa de câmbio seguiu uma trajetória ''atípica'' para os padrões do mercado, caindo mesmo quando as Bolsas de Valores despencavam com notícias de perdas bilionárias no setor financeiro americano.
Ofertas
O Banco Central realizou leilão de câmbio às 15h12 e aceitou ofertas dos ''dealers'' (instituições autorizadas a negociar com o BC) a R$ 1,7597 (taxa de corte). O nível das reservas internacionais atingiu US$ 186,439 bilhões (até o dia 30).
Recursos externos
Profissionais de corretoras notam que a ''distância'' entre juros americanos e brasileiros deve continuar a atrair recursos externos. Quarta-feira, o Federal Reserve (banco central dos EUA) sinalizou, na visão de vários analistas, de que vai cortar a taxa básica americana - hoje em 3% ao ano - nos próximos meses.
Percepção
No Brasil, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), relativa à reunião do dia 22, revelou que os integrantes desse colegiado estão incertos sobre a trajetória da inflação. A ata também reforçou a percepção de alguns analistas de que o Comitê está disposto a subir os juros se julgar que as expectativas para a inflação escapam das metas estipuladas para o ano (4,5% ao ano). ''Aquele excesso de liquidez que todo mundo falava que havia no mercado não desapareceu. Agora, os recursos vão para onde se paga mais. Vai para os EUA, onde o juro está 3%? Alguns vão optar por investir aqui'', comenta Marcos Trabold, gerente de câmbio da corretora B&T.
Contratos
Trabold lembra ainda que ontem foi dia de formação da Ptax que vai referenciar a liquidação financeira dos contratos de dólar da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros). A Ptax é a taxa média de câmbio calculada pelo Banco Central. No último dia do mês, os investidores que detém os contratos de dólar da BM&F atuam no mercado à vista de dólar para influenciar a formação dessa taxa conforme a alta ou a baixa da cotação, o que provoca oscilações atípicas dos preços da moeda.
Juros futuros
No mercado futuro de juros, que baliza as tesourarias dos bancos, subiram as taxas projetadas para 2009 e 2010. Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 passou de 11,17% ao ano para 11,16%; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 11,94% para 12%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 12,67% para 12,72%.
Alta interrompida
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) interrompeu a sequência de quatro dias de valorização, com o estresse dos investidores em relação à economia americanas. O mercado, no entanto, suavizou as perdas nas últimas horas de negócios, acompanhando a recuperação da Bolsa de Nova York, principal referência externa dos negócios domésticos. Neste mês, a Bolsa acumula perdas de 6,88%.
Recuo
O Ibovespa, que chegou a cair 4% no pior momento do dia, encerrou o pregão em baixa de 1,33%, aos 59.490 pontos. O volume financeiro foi bastante alto, de R$ 7,03 bilhões. A média do giro financeiro diário é de R$ 5,59 bilhões (até o dia 30).
Bolsas americanas
Quarta-feira à noite, as Bolsas americanas já registraram perdas em muitas ações, quando os investidores souberam do possível ''downgrade' de seguradoras de títulos financeiros, também afetadas pela crise dos créditos ''subprime'. Ontem, a MBIA, maior securitizadora de títulos de dívida do mundo, confirmou perda de US$ 3,5 bilhões, notícia que azedou o humor dos investidores.
Preocupação
Essa notícia causou preocupação nos investidores, que viram no episódio um novo desdobramento da crise dos créditos ''subprime'' (as hipotecas de alto risco). Para piorar, o governo americano ainda informou números fracos sobre consumo e rendimento das famílias, além de apontar um aumento da demanda por auxílio-desemprego, um indicativo forte sobre a fraqueza do mercado de trabalho.
Melhoras
As Bolsas de Valores melhoraram o ambiente de negócios, quando representantes das seguradoras vieram a público para relativizar as perdas e assegurar que conseguiriam evitar um rebaixamento do ''rating'' (nota de risco de crédito).
Bolsas européias
As principais bolsas européias fecharam em direções divergentes depois de mais um dia de volatilidade ontem. As ações européias passaram boa parte do dia em baixa pressionadas pelas preocupações de que as seguradoras de bônus devem perder seus ratings ''AAA'', o que poderá desencadear baixas contábeis adicionais dos principais bancos de investimentos.
Resultados
Em Londres, o índice FT-100 subiu 42,50 pontos (0,72%) e fechou com 5.879,80 pontos; no mês de janeiro, o FT-100 acumulou uma queda de 8,94%. Em Paris, o índice CAC-40 caiu 3,78 pontos (0,08%) e fechou com 4.869,79 pontos; em janeiro, o CAC acumulou uma queda de 13,26%. Em Frankfurt, o índice Xetra-Dax recuou 23,60 pontos (0,34%) e fechou com 6.851,75 pontos; em Janeiro, o DAX acumulou uma queda de 15,07%.
Das Agências





