MERCADO FINANCEIRO
Expectativa
O mercado financeiro trabalha sob expectativa da reunião do Federal Reserve (banco central dos EUA), que iniciou ontem a reunião de dois dias para decidir a nova taxa básica de juros americana, hoje em 3,50%. A maioria dos analistas do setor financeiro estima um ajuste para 3% ao ano. O afrouxamento da política monetária americana é visto como uma das principais medidas para evitar que a maior economia do planeta caia em uma recessão.
Reflexo
O relativo otimismo de que o Fed deve referendar o mercado anima as Bolsas de Valores pelo mundo, incluindo a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). E pelo terceiro dia, a taxa de câmbio recuou. O dólar comercial foi negociado a R$ 1,782 para venda, em baixa de 0,11%, nas últimas operações de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,890 (venda), com decréscimo de 0,52%. O Banco Central entrou no mercado por volta das 15h10 e aceitou ofertas a R$ 1,7775 (taxa de corte).
Valorização
Especialistas lembram que ampliação da ''distância'' entre juros americanos e brasileiros (que permanecem em 11,25% ao ano) deve tornar mais atrativos a aplicação de recursos externos em ativos financeiros do mercado doméstico, o que tende a valorizar a moeda brasileira frente ao dólar. Profissionais de mercado notaram um mercado pouco movimentado, com poucas operações. ''O mercado ficou bem parado pela manhã. Pouco depois, nós notamos que houve cotações para uma entrada grande de dólares, por volta do meio-dia, e que deve ter afetado o mercado'', relata Glauber Romano, profissional da corretora Intercam.
Juros futuros
O mercado futuro de juros, que baliza as tesourarias dos bancos, ajustou para cima as taxas projetadas para 2009 e 2010. Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 foi mantida em 11,16%; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada avançou de 11,91% para 11,93%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada subiu de 12,66% para 12,68%.
Avanço
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) emendou seu terceiro dia de valorização. Os mercados financeiros deram uma pausa na reação à crise, com a perspectiva de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) deve rebaixar os juros americanos, para tentar impedir que a maior economia do planeta caia em recessão. O Ibovespa, principal índice de ações, teve alta de 1,60% no fechamento, aos 59.529 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,76 bilhões.
Altas
Na Ásia e na Europa, as principais Bolsas de Valores encerraram os negócios com valorização das ações. A Bolsa de Tóquio fechou em alta de 2,99%, enquanto Hong Kong subiu 0,99%. O mercado de Londres valorizou 1,66% e Frankfurt avançou 1%. Nos EUA, a Bolsa de Nova York tem ganho de 0,84%.
Empresas
Fusões
O ministro Hélio Costa (Comunicações) anunciou hoje que a Oi (ex-Telemar) e a Brasil Telecom, entre as maiores empresas de telefonia do país, já confirmaram ontem ao Ministério suas intenções de fusão. A ação preferencial da Brasil Telecom valorizou 6,73% e esteve entre as maiores valorizações no grupo dos papéis mais movimentados da Bolsa. A ação da Oi teve avanço de 3,37%.
Papéis
A corretora Unibanco recomendou a troca de ações da Oi (ex-Telemar) por papéis da Brasil Telecom, em relatório aos clientes. ''No momento atual, nós avaliamos que a ação da Telemar é mais arriscada, mais cara e oferece menor rendimento do que Brasil Telecom'', avaliou o analista Carlos Constantini.
Recompra
A Gol informou ontem que o Conselho de Adminstração da empresa já aprovou um programa de recompra de ações, com prazo de 365 dias. A empresa tem por meta adquirir 5 milhões de ações preferenciais, a preços de mercado. A ação da Gol esteve entre as maiores altas do dia e avançou 7,16%.
Crise
Os pedidos de execução hipotecária nos Estados Unidos aumentaram 75% no ano passado na comparação com 2006, com os proprietários de imóveis afetados pelos problemas de crédito e a queda dos valores dos imóveis, informou a RealtyTrac, serviço que acompanha a atividade do segmento. Para o ano de 2007, foram 2,2 milhões de pedidos de execução hipotecária. Mais de 1% de todos os proprietários de imóveis norte-americanos estiveram no ano em algum estágio da execução, afirmou a RealtyTrac, ante os 0,58% de 2006.
Disparado
Somente em dezembro, os pedidos dispararam 97% ante o mesmo mês do ano anterior. O resultado representa o quarto trimestre que teve o maior número de pedidos de execução desde que a RealtyTrac começou a publicar seu relatório, em janeiro de 2005. James J. Saccacio, diretor-executivo da RealtyTrac, ressaltou que o número de imóveis em algum estágio de execução hipotecária aumentou 79% no ano. Segundo ele, essa estatística indica que ''alguns imóveis podem ter acabado de entrar no estágio inicial de execução em 2007 e podem atravessar o resto do processo em 2008, a não ser que os esforços de intervenção do governo e credores comecem a ganhar mais força''.
Das Agências





