MERCADO FINANCEIRO
Trégua
O mercado dá uma trégua à crise dos EUA, após o anúncio de acordo prévio entre o Executivo e o Legislativo americanos para aprovar um plano de estímulo fiscal. O ''pacote'' tem por objetivo evitar que a economia americana caia em recessão. O dólar comercial fechou negociado a R$ 1,786 para venda, em retração de 2,13%, nas últimas operações de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,900 (valor de venda), em declínio de 1,55%. O Banco Central realizou leilão de dólar às 15h37 e aceitou ofertas a R$ 1,7879 (taxa de corte) dos dealers.
Dinâmica
O mercado de câmbio tem acompanhado de perto a dinâmica dos negócios nas Bolsas de Valores. Ontem, com a forte recuperação promovida pelo socorro financeiro anunciado nos EUA, a taxa de câmbio perdeu muito da ''gordura'' que ganhou com o nervosismo do mercado nas últimas semanas. A decisão de quarta-feira do Copom (Comitê de Política Monetária) também ajudou na desvalorização do câmbio: o Comitê manteve a taxa básica em 11,25%.
Juros futuros
O mercado futuro de juros, que baliza as tesourarias dos bancos, reduziu as taxas projetadas para 2008, 2009 e 2010. Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 recuou de 11,19% para 11,17%; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada cedeu de 11,97% para 11,91%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada passou de 12,97% para 12,74%.
Pausa
Os mercados ganharam uma pausa na crise, após o anúncio de que a Casa Branca e o Congresso americano já chegaram a um acordo em torno do plano de estímulo à economia previamente anunciado, de modo a evitar que os EUA caia em recessão. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta de quase 6% e reduziu suas perdas acumuladas neste ano para 10%. No pior momento das turbulências, até o momento, a queda deste ano chegou a 15,9%.
Valorização
O Ibovespa, principal índice de ações, valorizou 5,95% no fechamento, aos 57.463 pontos. O volume financeiro foi de R$ 6,47 bilhões. A ação preferencial da Petrobras, o papel mais movimentado da Bolsa, teve ganhos de 7,01%, a R$ 76,74; Já a ação preferencial da Vale, o segundo ativo em giro de negócios, subiu 7,60%, a R$ 43,70. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,786 para venda, em declínio de 2,13%. A taxa de risco-país marca 249 pontos, número 3,86% inferior à pontuação final de ontem.
Reservas internacionais
As reservas internacionais subiram mais US$ 1,018 bilhão quarta-feira, informou ontem o Banco Central. Com a elevação, o total passou de US$ 186,417 bilhões para US$ 187,435 bilhões no conceito de liquidez internacional. Quarta-feira o BC já havia informado um aumento de US$ 1,315 bilhão das reservas na terça-feira. Desde 26 de dezembro passado, as reservas crescem ininterruptamente.
Atuação
No mercado cambial, analistas observam que o BC tem atuado todos os dias promovendo leilões de compra de dólar, inclusive nas sessões mais nervosas, dias em que o dólar sobe (e custa mais caro para o BC). O superintendente do Banco Banif, Rodrigo Trotta, avalia que a compra diária média em janeiro foi de cerca de US$ 120 milhões. Há poucos meses, antes da crise, as compras somavam cifras que com frequência chegavam a US$ 400 milhões ou US$ 500 milhões.
Reflexo
A crise nos mercados globais levou mais duas companhias a suspenderem suas ofertas de ações em andamento. Depois de IdeiasNet, que anunciou a decisão na última quinta-feira (dia 17), ontem foi a vez da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e da Norse Energy, empresa que atua nas áreas de petróleo, gás natural e energia.
Efeito Jazz
A presidente Cristina Fernández de Kirchner batizou a crise financeira internacional de ''efeito Jazz'', em alusão ao ritmo musical dos Estados Unidos. Durante um discurso na Casa Rosada, o palácio presidencial, Cristina ironizou sobre a turbulência gerada nos EUA, que nos últimos dias espalhou-se para o resto do planeta: ''até hoje já conhecemos a crise do tequila, o efeito caipirinha...tudo isso, sempre de acordo com o país que provocava o movimento do mercado. Agora, (a crise) provém do norte, daquilo que antes era um modelo...''.
Bolsas asiáticas
A alta de quarta-feira em Wall Street repercutiu bem nas Bolsas asiáticas ontem. À exceção de Hong Kong, todos os mercados registraram alta. Mas continuam os temores referentes à crise nos EUA. Na China, as ações de empresas varejistas e de agricultura lideraram a alta no mercado acionário, com as expectativas de forte demanda doméstica e aumento do preço dos produtos para o consumidor. O Xangai Composto subiu 0,3%, para 4.717,73 pontos. Já o Shenzhen Composto ganhou 1,9%, para 1.427,22 pontos.
Bolsa de Tóquio
O principal índice da Bolsa de Tóquio subiu pelo segundo dia consecutivo, seguindo o desempenho dos demais mercados asiáticos. O mercado japonês foi impulsionado pelas compras de papéis dos setores imobiliário, financeiro e siderúrgico. O Nikkei 225 subiu 263,72 pontos, ou 2,1%, para 13.092,78 pontos, fechando acima dos 13 mil pontos pela primeira vez em três pregões.
Das Agências





