Câmbio

O dólar fechou em alta ontem, com a retomada das preocupações sobre a economia norte-americana e a situação de grandes bancos mundiais, apenas um dia após o corte emergencial do juro nos Estados Unidos. A moeda norte-americana subiu 1,78%, para R$ 1,825. Na véspera, a maior redução do juro norte-americano em mais de 23 anos - em 0,75 ponto percentual - havia ajudado o dólar a cair 2,02% frente ao real.

Acordo nas bolsas
A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) comunicou ontem os termos definitivos do contrato assinado, em outubro do ano passado, com o CME Group, controlador direto da Bolsa Mercantil de Chicago (CME). Pelo acordo, a empresa brasileira irá incorporar a subsidiária CMEG Brazil 2 Participações, com sede em São Paulo.

Fomento
Segundo o aviso ao mercado, o objetivo da transação é fomentar o desenvolvimento conjunto do mercado de derivativos, bem como aprimorar os produtos e serviços dessas bolsas. Entre os destaques está o sistema de roteamento de ordens, pelo qual a BM&F poderá distribuir seus produtos pela rede de negócios da CME, que atinge mais de 80 países, e a CME poderá usar para o mesmo fim o sistema de negociação da BM&F.

Oportunidades
Outra meta é avaliar novas oportunidades de negócios decorrentes da transação comercial, incluindo a participação da BM&F como membro de compensação especial (''superclearing'') da CME, de forma a facilitar o processo de liquidação de operações com contratos da CME realizadas por investidores brasileiros; e a prestação de serviços de gerenciamento de garantias no exterior pela CME à BM&F, ''além do desenvolvimento e da negociação de novos produtos nos seus respectivos mercados''.

Compra
Pelo contrato, a BM&F comprará uma participação acionária no CME Group no total de 1,189 milhão de ações ordinárias classe A (que dá direito à participação patrimonial na empresa e à voto). O CME Group, por sua vez, passará a deter 101,078 milhões de ações da companhia brasileira. ''O contrato prevê que haverá restrição de negociação para todas essas ações, tanto por parte da BM&F como do CME, por período de quatro anos'', diz o comunicado disponível no site da BM&F.

Bolsas européias
As bolsas européias demonstraram ontem a vulnerabilidade do cenário internacional e voltaram a fechar com forte queda. O mercado reagiu de forma negativa ao anúncio do Banco Central Europeu (BCE) de que não seguiria os passos do Federal Reserve Bank (o BC americano) que, um dia antes, havia promovido um corte de 0,75% na taxa de juros. A bolsa de Madri acabou fechando em queda de 4,56%, contra uma redução de 4,88% em Frankfurt. Londres terminou o dia com -2,28% e, em Paris, a bolsa sofreu uma queda de 4,25%.

Tempos difíceis
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, declarou que os bancos centrais devem ancorar as expectativas de inflação em ''tempos difíceis'' para evitar encorajar a volatilidade dos mercados. Segundo Trichet, os BCs devem assegurar o funcionamento ordenado dos mercados abertos, e é isso que o BCE vem fazendo desde o início da turbulência dos mercados no ano passado, declarou.

Interpretação
Trichet fez seus comentários durante audiência ao Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, e suas declarações foram interpretadas pelo mercado como um sinal de que o BCE não deve seguir o Fed e cortar os juros em breve. Trichet ainda pediu por uma relação mais próxima e institucionalizada entre autoridades de supervisão financeira e bancos centrais na Europa, uma vez que a situação atual mostra que ambos têm de trabalhar lado a lado durante momentos de turbulência.

Recuperação
A surpreendente decisão do Fed, na terça-feria, de cortar em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros dos Estados Unidos foi bem recebida pelas bolsas da Ásia ontem. Mas ainda prevalece a cautela sobre a eficácia das medidas adotadas pelo Fed, visto que apenas Hong Kong recuperou boa parte das perdas ocorridas desde o início do ano.

China
O corte na taxa de juros dos EUA reduziu as preocupações de que uma recessão na economia norte-americana possa atingir companhias chinesas. Com isso, as Bolsas da China fecharam em alta. O Xangai Composto subiu 3,1%, para 4.703,05 pontos, após cair 7,2% na véspera. Já o Shenzhen Composto ganhou 4,8%, para 1.400,86 pontos, depois de perder 7,7% no dia anterior.

Hong Kong
A Bolsa de Hong Kong disparou com a decisão do Fed e também da autoridade monetária de HK, que imitou os EUA e cortou em 0,75 ponto porcentual a taxa de juros. A medida foi seguida pelos bancos locais. O Hang Seng subiu 2.332,54 pontos, ou 10,7%, e fechou em 24.090,17 pontos. Foi a maior alta, em número de pontos, da história da Bolsa num único dia.

Tóquio
O Nikkei-225, o principal índice da Bolsa de Tóquio, deixou para trás dois dias seguidos de baixas e fechou em alta de 2% após o corte de 0,75 ponto porcentual na taxa de juro dos EUA, definida terça-feira pelo Fed. O Nikkei-225 chegou a subir 3,9% durante o pregão, mas encerrou os negócios com avanço de 256,01 pontos, aos 12.829,06 pontos.

Das agências

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