Câmbio

O dólar comercial foi negociado a R$ 1,757 para venda, em declínio de 0,62%, nas últimas operações de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,870 (venda), em baixa de 0,53%. O Banco Central entrou no mercado às 12h41 e adquiriu dólares por R$ 1,7607 (taxa de corte). A expectativa pela reunião do Federal Reserve (banco central dos EUA) dominou os negócios na jornada de ontem. A maioria do mercado financeiro aguardava que a autoridade monetária reduziria os juros americanos em pelo menos 0,25 ponto percentual, para 4,25% ao ano.

Reflexos
''Os dados econômicos mais recentes não sugerem a necessidade de um corte de 0,50%, pois os números chegam, até um certo ponto, a surpreender, afastando a hipótese de uma possível recessão'', afirmou um corretor. Analistas lembram que a redução dos juros americanos, e a manutenção dos juros brasileiros em 11,25%, pode atrair ainda mais ingressos externos para o País, afetando as taxas de câmbio. Profissionais das corretoras notam ainda que o volume de entradas de dólares continua significativo, determinando o recuo dos preços da moeda americana nos últimos dias.

Juros futuros
O mercado futuro de juros, que baliza as tesourarias dos bancos, rebaixou as taxas projetadas para 2008, 2009 e 2010. Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 cedeu de 11,26% para 11,25%; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada passou de 11,76% para 11,74%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada retraiu de 12,47% para 12,38%.

Juros americanos
Pela terceira vez consecutiva, o Federal Reserve reduziu sua taxa de juros. O banco efetou um novo corte, em ritmo gradual, de 0,25 ponto percentual, o mesmo efetuado em outubro. A taxa agora ficou em 4,25% ao ano - menor desde dezembro de 2005, quando chegou a esse mesmo patamar.

Preocupação
O banco vem tomando medidas para evitar que a economia americana mergulhe em uma recessão. A situação econômica dos EUA, no entanto, ainda é de incerteza, em meio a uma crise no mercado imobiliário, que se ramificou em uma crise no mercado de crédito como um todo (devido à inadimplência no segmento de hipotecas de risco).

Em alerta
No fim do mês passado, o presidente do Fed, Ben Bernanke, disse que o banco deverá ''estar excepcionalmente alerta e ser flexível'' para enfrentar os efeitos dessas crises. Ele avaliou que ''ventos contrários'' atingem o país, entre eles a maior restrição à concessão de empréstimos hipotecários, o arrefecimento da atividade imobiliária e a alta nos preços da energia (em outubro os preços da energia dispararam: depois de uma queda de 6,1% em setembro, o indicador apontou alta de 14,5%).

Bolsas
O resultado da reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve não foi exatamente o que esperavam os especialistas. Apesar de ter cumprido o script ao reduzir a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto porcentual, para 4,25% ao ano, o BC dos Estados Unidos não fez o mesmo para a taxa de redesconto, que caiu de 5% para 4,75% e não para 4,50% ao ano como era previsto.

Bovespa
O que se viu na sequência foi uma impressionante velocidade de ordens de venda que fizeram as bolsas em Nova York virarem rapidamente para o terreno negativo. A Bovespa demorou uns instantes para acompanhar, mas também despencou. O Ibovespa fechou em queda de 1,43%, aos 64.512,3 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 64.127 pontos (-2,01%) e a máxima de 66.451 pontos (+1,53%). Com o resultado de ontem, o ganho acumulado no mês foi reduzido a +2,39% e, no ano, a 45,06%. O volume financeiro negociado ontem foi de R$ 6,826 bilhões, o maior de dezembro, com uma corrida no fechamento.

Bolsa de Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em alta ontem, levando o índice Nikkei 225 ao maior nível em um mês. As informações sobre os investimentos no banco suíço UBS diminuíram as preocupações sobre as projeções das principais instituições financeiras para a recuperação da crise com hipotecas de segunda linha (subprime) nos EUA. O Nikkei 225 subiu 120,33 pontos, ou 0,8%, e fechou aos 16.044,72 pontos, acima dos 16 mil pontos pela primeira vez desde 7 de novembro.

Consumidores
O sentimento do consumidor japonês caiu em novembro para o menor nível em quatro anos, segundo o governo do Japão. O índice de confiança do consumidor, que mede o sentimento econômico dos consumidores para os próximos seis meses, registrou queda pelo segundo mês consecutivo para 39,8 em novembro. Foi a leitura mais pessimista desde dezembro de 2003, quando o índice ficou em 39,2. Em outubro, o índice estava em 42,8.

Bolsas européias
As bolsas européias fecharam em baixa ontem. A espera pela decisão do Federal Reserve sobre sua taxa de juros ontem fez com que os investidores mantivessem a cautela - ainda que a expectativa por um corte de 0,25 ponto percentual seja quase um consenso tanto no mercado como entre os economistas.

Movimentação
A Bolsa de Londres encerrou o dia em queda de 0,43%, com 6.536,90 pontos; a Bolsa de Paris fechou em baixa de 0,45%, com 5.724,76 pontos; a Bolsa de Frankfurt ficou com 8.009,42 pontos, em baixa de 0,30%; a Bolsa de Milão caiu 0,31%, indo para 30.129 pontos; a Bolsa de Amsterdã caiu 0,26%, para 515,49 pontos; e a Bolsa de Zurique teve baixa de 0,33%, indo para 8.855,86 pontos.
A exceção do dia foi a Bolsa de Madri, que encerrou o pregão de ontem em alta de 0,32%, subindo para 1.720,99 pontos.

Das agências

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