Câmbio

O dólar comercial foi negociado a R$ 1,761 para venda, em baixa de 0,78%, ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,880 (venda), com decréscimo de 1,57%. O Banco Central entrou no mercado por volta das 15h45 e adquiriu divisas por R$ 1,7580 (taxa de corte). ''A taxa de câmbio já abriu em baixa. O pacote anunciado quinta-feira pelo [presidente dos EUA] Bush acalmou bem o mercado sobre a questão dos créditos 'subprime', pelo menos temporariamente'', afirmou um corretor

Oscilação
O preço da moeda americana oscilou entre o valor máximo de R$ 1,775 e a mínima de R$ 1,757. A cotação permaneceu em baixa durante o dia, mas desacelerou o ritmo de queda no final da tarde. O leilão do BC segundo profissionais das corretoras de valores, ajudou a segurar as taxas.
Quinta-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou um projeto para auxiliar os devedores de hipotecas para evitar execuções em massa, o que poderia prejudicar o ritmo de crescimento da economia americana. Pelo menos 1,2 milhão de pessoas podem ser beneficiadas, em menor ou maior grau, pelas medidas da Casa Branca, que incluem o congelamento dos juros dos empréstimos por cinco anos.

Elogios
Embora de alcance limitado, o pacote de auxílio federal foi elogiado por analistas do mercado financeiro. ''O problema [dos créditos subprime] não será resolvido com o pacote, porém alivia boa parte do peso que recaía sobre o Federal Reserve [banco central dos EUA] para tentar resolver o imbróglio'', avaliou Jason Vieira, economista-chefe da consultoria Uptrend.

Juros futuros
O mercado futuro de juros, que baliza as tesourarias dos bancos, apontou taxas mais baixas nos anos 2009 e 2010. Entre os contratos mais negociados, a taxa projetada para abril de 2008 foi mantida em 11,24; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada retraiu de 11,70% para 11,66%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada cedeu de 12,39% para 12,34%.

Bovespa
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) chegou perto de emplacar, ontem, o 44º recorde (em pontos) deste ano. Os investidores oscilaram entre ir às compras, movidos pelo desempenho positivo da cena externa, e a tradicional realização de lucros (venda de papéis muito valorizados), após emendar oito pregões de ganhos. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa, encerrou o pregão em baixa de 0,23% e cedeu para os 65.638 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,86 bilhões.

Faltou fôlego
O mercado perdeu fôlego com indicadores contraditórios da economia americana. Primeiro, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou uma geração de postos de trabalho acima do previsto por analistas: 94 mil vagas. Economistas de corretoras esperavam entre 65 mil e 75 mil postos. A taxa de desemprego se manteve em 4,7%. Os setores de educação e serviços de saúde, varejo, serviços profissionais, além do setor público, destacaram-se na criação de empregos, compensando os resultados negativos nos setores de construção, manufaturas e serviços financeiros, mais atingidos pela crise do setor imobiliário e pela contração do crédito nos EUA.

Interferência

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, negou ontem que o Fundo Soberano de Investimento, cuja criação está em estudo pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central, acabe como um instrumento de interferência no mercado de câmbio. ''Não há risco de duplicidade no mercado de câmbio e não há intenção de pressionar adicionalmente este mercado'', disse. Coutinho explicou que não há intenção de que os recursos, eventualmente obtidos pelo BNDES por meio do Fundo, sejam convertidos em aplicações nas empresas no Brasil.

Órfãos do câmbio
O governo prorrogou para 30 de junho de 2008 o prazo para as empresas se candidatarem ao financiamento subsidiado oferecido dentro do programa Revitaliza. A decisão foi tomada quinta-feira em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), mas não foi anunciada durante a entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O prazo para adesão terminaria ontem, mas os setores beneficiados pela medida pediram a prorrogação alegando que não teriam tempo para cumprir a burocracia do programa.

Tóquio
A Bolsa de Tóquio registrou novos ganhos na sessão de ontem. O índice Nikkei 225 subiu 82,29 pontos, ou 0,5%, e fechou aos 15.956,37 pontos, sua melhor pontuação desde 7 de novembro, favorecido pela alta nos mercados norte-americanos e por nova desvalorização do iene em relação ao dólar, o que estimulou a procura por ações dos setores naval e siderúrgico.

Bolsa da China
Os ganhos em ações de siderúrgicas e as ofertas de ocasião em papéis de empresas de metais não-ferrosos fizeram as Bolsas da China fecharem em alta. O Xangai Composto ganhou 1,1% e foi a 5.091,76 pontos. Já o Shenzhen Composto subiu 1,6% e fechou em 1.318,56 pontos. ''Foi o volume de negociações e não a alta dos índices que contou a verdadeira história do pregão'', disse o analista Guo Yanling, da Shanghai Securities, numa referência ao ''magro'' volume de negócios, já que ''muitos investidores estão andando de lado por conta da entrada de novo suprimento de ações por meio de aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês)''.

Das Agências

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