MERCADO FINANCEIRO
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,794 para venda, em declínio de 0,05%, nos últimos negócios de ontem. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi cotado a R$ 1,900 (valor de venda), sem variação sobre a taxa de ontem.
O mercado teve um novo dia de ''trégua'' da crise na economia americana.
Interferência
Quinta-feira, o presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), Ben Bernanke, reforçou a percepção do mercado de que a autoridade monetária deve reduzir os juros básicos - hoje em 4,50% ao ano - em sua reunião de dezembro.
O otimismo sobre a queda dos juros americanos deu o tom dos negócios ontem: as Bolsas de Valores valorizaram em todo o planeta. No Brasil, a taxa de câmbio caiu durante a maior parte da jornada, justamente num dia de instabilidade por causa da ''disputa'' entre ''comprados'' e ''vendidos'' pela Ptax.
Banco Central
A Ptax (taxa de câmbio do Banco Central) de ontem serve de referência para a liquidação financeira para contratos de dólar negociados no mercado futuro.
Por esse motivo, investidores atuam no mercado à vista para influenciar a formação da Ptax conforme ganhem com a alta (os ''comprados'') ou a baixa (os ''vendidos''). O Banco Central realizou leilão de câmbio às 11h54 e adquiriu moeda a R$ 1,7745 (taxa de corte). O nível das reservas internacionais atingiu US$ 177,085 bilhões ontem.
Juros futuros
O mercado futuro de juros, que baliza as tesourarias dos bancos, revisou para baixo as taxas projetadas para 2009 e 2010. Entre os contratos mais negociados, a taxa para abril de 2008 foi mantida em 11,24% ao ano; no contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada recuou de 11,66% para 11,63%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada cedeu de 12,17% para 12,12%.
Aquisições
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, explicou que a estatal vai receber da Unipar cerca de R$ 700 milhões referentes à venda de ativos da Suzano Petroquímica - empresa adquirida pela Petrobras este ano - e da Petroquisa na Riopol. Segundo ele, esse desinvestimento era importante para que a Unipar pudesse se manter como acionista majoritária na nova companhia petroquímica do Sudeste, criada oficialmente ontem. A Unipar terá 60% do capital total e a Petrobras ficará com uma fatia de 40%. A nova empresa nasce com uma receita líquida de R$ 6,1 bilhões e uma geração de caixa de R$ 900 milhões. O executivo informou que os controladores estão estudar ao longo dos próximos nove meses a possibilidade da companhia abrir capital.
Movimento de IPOs
A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, afirmou que o movimento de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) das empresas brasileiras ''não é uma coisa passageira''. ''Acho que haverá continuidade'', disse. ''Não sei com qual intensidade, porque as questões de liquidez irão influenciar.''
Transformações
Segundo ela, as transformações que estão acontecendo com as bolsas brasileiras, que abriram o capital, não têm relação somente com a forma de organização dessas empresas, agora constituídas como S/As (sociedades anônimas). Maria Helena acredita que as mudanças ocorrem no próprio negócio, como a introdução e crescimento das transações eletrônicas, por exemplo. Para ela, a BM&F ganha condição de competir com as bolsas internacionais e pode usar suas próprias ações como moeda para aquisições, como já foi visto em transações similares no mundo.
Bovespa
O otimismo sobre a possível queda dos juros nos EUA ajudou a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) a encerrar o último pregão do mês no azul, mas sem ''zerar'' as perdas acumuladas no período. Os problemas da economia americana, às voltas com a ameaça de uma recessão, preocuparam investidores e analistas em todo o mundo e derrubou a Bovespa em quase 10% neste mês. Nos últimos três pregões, porém, a sinalização de que o Fed deve reduzir os juros básicos -hoje, em 4,5% ao ano - em sua reunião do próximo dia 11 permitiu um alívio nos mercados.
Valorização
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, valorizou 1,37% no encerramento do pregão de ontem e atingiu os 63.006 pontos. No mês, o indicador acumula desvalorização de 3,54%. O volume financeiro na Bolsa foi bastante alto: R$ 10,5 bilhões, inflado pela estréia das ações da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), que movimentaram R$ 2,61 bilhões.
Ofertas
A ação da BM&F disparou 25% logo no início das operações. O excesso de ofertas por investidores, principalmente do tipo pessoa física, chegou a congestionar o sistema de negociações eletrônico da Bovespa, que ficou travado por cerca de 20 minutos, segundo relato de operadores. No encerramento do pregão, o papel foi negociado a R$ 24,40, em alta de 22%.
Papéis
Outro papel que se destacou foi a ação da Braskem, a gigante do setor petroquímico. Ontem, a Braskem anunciou acordo com a Petrobras e a Petroquisa para incorporações de ativos que a converte na terceira maior empresa do setor no continente americano. A ação preferencial, que chegou a subir 10% pela manhã, finalizou o pregão em alta de 6,56%, a R$ 15,75.
Das Agências





