Câmbio

O dólar quebrou uma longa série de altas e recuou mais de 2% ontem, aproveitando a menor aversão ao risco no exterior e o interesse de estrangeiros nas ações da BM&F para voltar a fechar abaixo de R$ 1,80. A moeda norte-americana terminou o dia com baixa de 2,34%, a R$ 1,794. Tirando o feriado da Consciência Negra, quando São Paulo e Rio de Janeiro ficaram fechados e o dólar recuou em uma sessão muito esvaziada, foi a primeira queda após sete dias de alta.

Fluxo cambial
O fluxo cambial em novembro até o dia 26 foi positivo em US$ 3,757 bilhões, de acordo com os dados divulgados ontem pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Na divisão por segmentos, o fluxo comercial foi positivo em US$ 6,677 bilhões, com as exportações somando US$ 13,413 bilhões. No segmento financeiro, o saldo parcial em novembro, até o dia 26, era negativo em US$ 2,920 bilhões.

Juros futuros
Apesar da trégua nos mercados de ações nos Estados Unidos e Brasil, os juros futuros registraram puxada forte no mercado brasileiro. Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de vencimento em janeiro de 2010 chegaram a projetar taxas de 12,15% ao ano durante o dia, para fechar a 11,989% ao ano, enquanto os de vencimento em janeiro de 2009 fecharam com juros de 11,545%. São altas de 0,77%% e 0,54% no dia, respectivamente, e de 3,89% e 1,63% no mês.

Recursos
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, explicou ontem que o pleito da instituição para aumentar os recursos disponíveis para financiamento (funding) por meio de captação de dólares no mercado visa atender as operações de financiamento de empresas em outros países que compram bens de capital de alto valor ou serviços de companhias brasileiras. Segundo ele, a demanda projetada para esse tipo de operação é de US$ 10 bilhões por ano.

Sem reservas
Coutinho garantiu, no entanto, que esses recursos não sairiam das reservas internacionais. ''Reserva é reserva e tem que ser aplicada em (títulos do Tesouro dos EUA) Treasuries'', disse, após participar de um seminário sobre a atuação dos bancos federais no Nordeste. ''Esse funding seria em moeda estrangeira para utilização no exterior e não seria convertido em investimentos no Brasil, mas ajudaria a aliviar o funding do BNDES (para investimentos em empresas no Brasil)'', explicou.

Demanda
Segundo o presidente do BNDES, a necessidade do banco para atender à demanda interna e externa seria de mais R$ 30 bilhões em 2008, além do que o banco já tem em carteira. Ele informou que está em negociação com o Banco Central e o Ministério da Fazenda a criação de um fundo para atender essas operações que o BNDES faz no exterior. Mas garantiu que não haverá duplicidade de atuação por parte do governo no mercado de câmbio e nem prejuízos para o superávit primário em razão da criação do fundo. ''Não afeta o superávit primário porque a contabilidade dessas operações entra na formação de ativo do banco e não como despesa'', explicou.

Investimento externo
O ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no acumulado do ano até ontem já superava a projeção oficial do Banco Central para o indicador em todo o ano de 2007, que era de US$ 32 bilhões. Conforme dados divulgados pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, o IED acumulado soma US$ 33,4 bilhões, com a prévia de novembro. Diante desses números, Altamir anunciou que a projeção do BC para este indicador deverá ser alterada, na ocasião da divulgação das contas externas, no final de dezembro, e que o número deve superar US$ 35 bilhões.

Recorde em 2007
O Investimento Estrangeiro Direto (IED) em novembro soma US$ 2,2 bilhões até ontem. Segundo Lopes, a expectativa do BC para o fechado do mês é de um volume de US$ 2,5 bilhões. O resultado reforça a previsão de Altamir Lopes de que o IED em 2007 será o maior da série iniciada em 1947, superando até os anos de privatização da década de 1990. Ele também anunciou que a projeção do BC para o resultado de conta corrente de novembro é de déficit de US$ 700 milhões.

Imóvel EUA
A Associação Nacional dos Corretores de Imóveis (NAR), dos Estados Unidos, informou que as vendas de residências usadas no país caíram 1,2% em outubro, para 4,97 milhões (média anualizada). O esperado era queda de 0,8%, para 5 milhões. Foi a oitava queda mensal consecutiva. O número de vendas em setembro foi revisado para 5,03 milhões, segundo a NAR. A taxa havia sido estimada originalmente em 5,04 milhões.

Preços
O preço médio das residência ficou em US$ 207.800 em outubro, queda de 5,1% sobre os US$ 218.900 de outubro de 2006. O preço médio em setembro passado foi de US$ 210.400. O economista-chefe da NAR, Lawrence Yun, citou ''o impacto do aperto no crédito'' ao comentar a queda de outubro. Os estoques de residências subiram 1,9% no fim de outubro, para 4,45 milhões disponíveis para venda, o que representa uma oferta de 10,8 meses no ritmo atual de vendas. No fim de setembro, a oferta era de 10,4 meses, revisada em relação à estimativa inicial de 10,5 meses.

Bolsa de Tóquio
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa após três sessões consecutivas de alta. A queda nos preços do petróleo afetou as ações de companhia petrolíferas, como a Inpex Holdings, e as realizações de lucros derrubaram papéis que haviam se valorizado nos últimos dias. O Nikkei declinou ontem 69,07 pontos, ou 0,5%, e fechou aos 15.153,78 pontos, depois de ter acumulado um ganho de 385,19 pontos, ou 2,6%, nos três pregões anteriores.

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