MERCADO FINANCEIRO
Câmbio
A festa das varejistas na Black Friday nos EUA resultou em altas firmes para as bolsas em Nova York, mas o otimismo externo não evitou forte pressão sobre o dólar no mercado doméstico. A moeda retomou o patamar de R$ 1,80, pressionada pela expectativa de que o Tesouro poderá comprar cerca de US$ 10 bilhões em mercado para formar um fundo soberano que financiaria investimentos.
Fundo
No Rio, à tarde, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reafirmou que as reservas internacionais do Brasil não serão utilizadas para a criação do fundo soberano pelo BNDES e que o fundo será abastecido com dólares adquiridos diretamente no mercado. Meirelles não quis fixar uma data para o lançamento desse fundo.
Leilão
Após o fechamento dos mercados, o BC anunciou uma pesquisa de demanda na segunda-feira, para eventual realização na terça-feira de um leilão para rolagem do próximo vencimento de swap cambial em 3/12, em US$ 1,7 bilhão. Além disso, as persistentes preocupações com a economia norte-americana e a renovação de recorde do preço do petróleo à tarde pesaram nas decisões de compra de moeda.
Fluxo
O fluxo financeiro foi negativo e o início das rolagens de contratos de dólar futuro também teriam dado fôlego à alta das cotações à vista, afirmaram. Com a movimentação, o dólar à vista fechou acima de R$ 1,80 e no maior preço desde 24 de outubro (de R$ 1,808), cotado a R$ 1,8040 na roda da BM&F (1,32%) e no balcão (1,35%). No mês, o pronto acumula alta de 3,92% na BM&F e balcão e, no ano, a queda acumulada é de 15,54% nos dois mercados. O giro financeiro total também aumentou 64%, para cerca de US$ 5,759 bilhões (US$ 4,917 bilhões em D+2).
Mercado futuro
No mercado de dólar futuro, em meio à possibilidade de maior demanda por dólares à vista pelo BC/Tesouro e com a proximidade do fim de mês, os investidores iniciaram as rolagens de contratos futuros apostando no aumento das taxas. Os oito vencimentos negociados projetaram valorizações, com um volume financeiro de US$ 17,84 bilhões (352.376 contratos). O dólar dezembro07 indicou ganho de 1,38%, a R$ 1,804; o dólar janeiro-08, +1,55%, a R$ 1,814; e o dólar julho08, +0,98%, a R$ 1,849.
Juros futuros
Os juros futuros, de novo, fecharam nos mesmos níveis da sessão anterior, tendo oscilado entre os terrenos negativo e positivo perto do final da sessão. Com o aumento da pressão sobre o dólar no meio da tarde, as taxas hesitaram em permanecer no rumo de queda apresentado desde a abertura. Em mais uma sessão de liquidez contida, o DI janeiro de 2010 fechou em 11,87%, de 11,88% ontem, e o DI janeiro de 2009 passou de 11,47% ontem para 11,48%. Os juros futuros resistiram ao contágio do câmbio, mas balançaram no final da sessão.
Influência
O ambiente de giro extremamente fraco como ontem deixou as taxas mais suscetíveis às oscilações do dólar quando este atingiu as cotações máximas. Operadores lembram, no entanto, que, se se tornar uma tendência, a desvalorização cambial pode começar a influenciar negativamente os juros. Até agora, apesar da queda forte da moeda americana, o Banco Central tem colocado a questão cambial em segundo plano no que concerne à política monetária, mas, se a situação se reverter, isso também pode mudar.
Tendência
Na maior parte do dia, no entanto, prevaleceu a tendência positiva ditada pelo avanço das bolsas americanas nesta Black Friday e pelo bem recebido resultado do IPCA-15 de novembro. A taxa desacelerou para 0,23% este mês, ante 0,24% em outubro, e veio dentro das estimativas colhidas pelo AE Projeções (0,20% a 0,32%) e abaixo da mediana de 0,27%. A abertura do dado, segundo analistas, mostrou núcleos dentro do esperado e índice de difusão abaixo de 60%, em 59,10%.
EUA
Nos EUA, o novo patamar recorde do preço do petróleo não atrapalhou a festa das Bolsas. A sexta-feira que marcou o início da temporada de liquidações que se estende até o Natal foi de bom desempenho das ações das varejistas, cuja alta resultou em ganhos de mais de 1% das Bolsas em Nova York. Na Nymex, o barril do petróleo terminou o dia em US$ 98,18 por barril no contrato para janeiro. O volume fraco no segmento de juros e as oscilações nos mercados externos complicam a definição de tendências para as taxas.
Bovespa
A Bovespa terminou no azul pelo segundo dia consecutivo, mas novamente sem fôlego. Apesar do avanço firme, as bolsas norte-americanas apresentaram volume reduzido e o fechamento da sessão - entrecortada entre o feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, quinta-feira, e o fim de semana - foi antecipado, o que limitou o impacto positivo dos ganhos de Wall Street nas operações locais.
Reflexo
Também pesaram sobre os negócios a valorização razoável do dólar em relação ao real e o fluxo negativo do pregão no mês de novembro. No término dos negócios, o Ibovespa indicou alta de 0,52%, aos 60.970,9 pontos. Ao longo do dia, oscilou da mínima de 60.661,9 pontos à máxima de 61.334,4 pontos, sempre em território positivo. O volume financeiro somou apenas R$ 3,582 bilhões. Na semana, contudo, o índice registra perda de 5,63%, acumulando um declínio de 6,65% no mês. No ano, o desempenho do indicador paulista segue positivo, com alta de 37,09%.
Fluxo estrangeiro
Na análise de um operador, o Ibovespa descolou dos índices em NY ontem devido ao fluxo estrangeiro negativo no mês, quando foram registradas saídas líquidas de R$ 4,3 bilhões da Bovespa, sendo R$ 1,2 bilhão somente no último dia 19 (conforme dados oficiais). Fontes informaram à Agência Estado um déficit de R$ 700 milhões no dia 21.
Das agências





