MERCADO FINANCEIRO
Câmbio
O estresse nos mercados globais impulsionou o dólar ontem, e a moeda americana voltou a se aproximar do patamar de R$ 1,80. A divisa subiu 0,62% e terminou o dia a R$ 1,778. Na máxima, o dólar chegou a ser negociado a R$ 1,797 no pregão à vista da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). A moeda registra alta de 2,3% em novembro, mas a queda no ano ainda é expressiva --16,8%.
Reflexo
O mercado de câmbio foi dominado pelo aumento da aversão a risco no exterior. Na visão dos investidores, a crise imobiliária e a alta do petróleo, que ficou a poucos centavos da marca de US$ 100 por barril, pressionam a economia norte-americana, que vê o crescimento desacelerar em meio ao aumento da inflação.
Tendência da moeda
O ex-diretor do Banco Central Emílio Garófalo acredita que o dólar deve manter a tendência de desvalorização até o final do ano perante as moedas internacionais, especialmente o euro, pois as autoridades norte-americanas acreditam que a prioridade da política monetária é evitar que os Estados Unidos entrem em um processo recessivo, o que não deve estimular o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) a elevar os juros nos próximos meses.
Cotação
Garófalo afirmou que é muito difícil estimar quanto que a cotação do dólar frente ao euro deve chegar nas próximas semanas, mas frisou que é bem provável a continuidade de depreciação da divisa norte-americana perante outras moedas porque a queda do nível de atividade nos EUA é muito forte, provocada sobretudo pela depressão registrada pelo setor imobiliário.
Receio
Segundo ele, há um temor de investidores e analistas internacionais de que os problemas registrados pelas hipotecas do segmento de segunda linha (subprime) ainda podem apresentar desdobramentos severos sobre bancos, o que poderia retomar as dificuldades de concessão de crédito apuradas pelas empresas em agosto.
Sem pacote
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou o anúncio de um pacote de medidas cambiais para conter a valorização do real ante o dólar. ''Não estou preparando nenhum pacote'', disse o ministro. Segundo ele, o câmbio está se comportando razoavelmente bem. Ele admitiu que isso se deve, em partes, a expectativas negativas em relação à economia norte-americana e prejuízos de bancos naquele país.
Flutuação
Mantega avaliou que não observa neste momento uma pressão maior de valorização do real. ''O câmbio tem flutuado, da última vez que vi, estava em R$ 1,78. Não há essa pressão de valorização do real. Há uma pausa em relação a isso'', afirmou o ministro. O ministro afirmou que o governo já está comprando mais dólares para as reservas e não tem deixado uma oferta grande de moeda no mercado.
Economia
O Brasil, o México e o Chile foram os países latino-americanos a apresentar os maiores recuos no Índice de Clima Econômico (ICE) calculado pelo Instituto Alemão Ifo e a FGV, em outubro, na comparação com julho. Segundo o coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloisio Campelo, no caso do índice brasileiro, ''parece mais um caso clássico de desaceleração circunstancial, já que há confiança de continuidade nos investimentos''. O ICE do Brasil ficou em 6,5 em outubro, inferior ao índice de 7,2 em julho, mas superior a outubro do ano passado (5,6) e também maior do que a média dos últimos 10 anos (5,9).
América Latina
Campelo destacou que a Sondagem Econômica da América Latina, da qual faz parte o índice, revela que a perspectiva para investimento em capital físico no Brasil nos próximos seis meses ficou inalterada em outubro (6,2) em relação a julho (6,2), enquanto na América Latina houve um recuo, no período, de 5 para 4,8. Para ele, isso mostra que as perspectivas são positivas para a economia brasileira. O ICE do México caiu de 5,5 em julho para 5,0 em outubro, abaixo também de outubro de 2006 (5,2). No Chile, o ICE passou de 7,2 em julho de 2007 para 6,6 em outubro último, superior a outubro de 2006 (6,1).
Tóquio
Os preços das ações levaram uma surra no pregão ontem na Bolsa de Tóquio e o índice Nikkei 225 recuou ao seu menor nível em 16 meses. A queda do dólar ante o iene prejudicou os papéis de companhias exportadoras, como Honda e Matsushita Electric. O Nikkei 225 perdeu 373,86 pontos, ou 2,5%, e fechou aos 14.837,66 pontos. Terça-feira, o Nikkei havia avançado 168,96 pontos, mas foi apenas a terceira alta em todo o mês.
Investimentos barrados
O Conselho de Estado chinês anunciou que vai tornar o processo de aprovação de projetos de investimentos mais rígido, o que deve desacelerar o que o gabinete chamou de ''problema proeminente'' de crescimento dos investimentos. A medida, junto com o congelamento dos empréstimos que banqueiros afirmam que as autoridades chinesas impuseram nas últimas semanas, sugere que Pequim está recorrendo cada vez mais a passos administrativos para desacelerar o crescimento, depois que uma série de medidas de aperto monetário tiveram efeito limitado na economia.
Bolsa
Na China, especulações de que o governo poderá adotar novas medidas para esfriar a economia estimularam realização de lucros em ações do setor imobiliário e de bancos. O Xangai Composto perdeu 1,5% e fechou em 5.214,23 pontos. Já o Shenzhen Composto caiu 1% e fechou aos 1.313,82 pontos.
Das Agências





