Câmbio

O aumento da aversão a risco no exterior e a forte queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiram a alta de quase 2% do dólar ontem. A moeda norte-americana terminou o dia a R$ 1,778, com valorização de 1,83%. Foi a quarta alta seguida do dólar e o maior avanço diário desde 28 de agosto. O sinal amarelo continuou aceso no exterior por conta dos problemas no mercado de crédito de alto risco (''subprime''). Com os investidores menos dispostos a correr riscos, houve uma zeragem de posições e uma corrida por dólares em todo o mundo.

Balança comercial
O superávit de US$ 467 milhões na balança comercial brasileira na segunda semana de novembro é 39,66% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o superávit foi de US$ 774 milhões. Na comparação com novembro de 2006, a média das exportações apresenta um crescimento de 18,8%, enquanto a média das importações aumentou 34,9%. No acumulado do ano até novembro, o superávit da balança comercial é de US$ 35,112 bilhões, valor 11% inferior ao acumulado do mesmo período em 2006, quando o superávit era de US$ 39,430 bilhões.

IPCA em 2007
A alteração mais significativa contida na pesquisa Focus, divulgada ontem pelo Banco Central, é a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2007. De acordo com as instituições financeiras, a expectativa de alta da inflação no ano subiu de 3,83% na semana passada para 3,92%. O principal motivo é a alta acima do esperado do índice de outubro, que subiu 0,30%, acumulando alta de 3,30% nos 10 meses do ano. Para 2008, a projeção de alta do IPCA manteve-se em 4,1%

Selic
As projeções para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, no final do ano permaneceram em 11,25% ao ano, o que mostra que o mercado financeiro não trabalha com mais nenhuma redução no juro este ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para o final de 2008, as estimativas de juros continuaram estáveis em 10,25% ao ano.

Câmbio II
As apostas de enfraquecimento da moeda norte-americana em relação ao real continuam firmes. Pela pesquisa do BC divulgada ontem, o mercado reduziu as projeções para a taxa de câmbio no fim desse ano, passando de R$ 1,78 para R$ 1,75. Para o fim de 2008, a projeção também foi reduzida, passando de R$ 1,87 para R$ 1,85.

PIB
Quanto às expectativas de crescimento da economia brasileira, as instituições financeiras consultadas pelo BC não alteraram a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, mantendo-a em 4,7%. Já para 2008, a previsão foi reduzida: de 4,37% para 4,32%.

Comércio Exterior
No âmbito das relações internacionais, a pesquisa Focus trouxe novidades. O mercado reduziu a expectativa de saldo positivo da balança comercial em 2007, passando de US$ 4,95 bilhões para US$ 40,79 bilhões. Para 2008, também houve diminuição: de US$ 34,10 bilhões para US$ 34 bilhões. Em relação à expectativa de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no País, o mercado elevou de US$ 32 bilhões para US$ 33 bilhões a projeção de recursos externos destinados ao Brasil em 2007. Para 2008, a estimativa permaneceu em US$ 25 bilhões.

BNDES
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse ontem que as aprovações de projetos em infra-estrutura devem continuar a crescer de forma acelerada na instituição nos próximos dois anos. Nos últimos 12 meses, as aprovações de projetos nessa área aumentaram 80%, para R$ 37,9 bilhões, e os desembolsos chegaram a R$ 25,8 bilhões, uma alta de 60%.

Recorde de investimentos
O BNDES desembolsou R$ 66,6 bilhões nos 12 meses até outubro, batendo mais um recorde de total liberado acumulado em períodos dessa duração. O valor é 37% maior que em relação aos 12 meses terminados em outubro de 2006. De novembro de 2006 a outubro passado, a instituição aprovou R$ 88,9 bilhões, 39% mais que na comparação com o mesmo período anterior. A diferença entre aprovações e desembolsos mostra a necessidade de o banco aumentar as liberações no futuro. Os números foram divulgados ontem de manhã pelo banco.

Grupo espanhol
O grupo espanhol Telefónica anunciou que obteve lucro líquido de 4,02 bilhões de euros (US$ 5,88 bilhões) no terceiro trimestre, com salto de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando lucrou 2,90 bilhões de euros. Em comunicado, a operadora atribuiu a alta ao ganho de capital de 1,4 bilhão de euros gerados pela venda de sua participação na Endemol e ao crescimento sustentado nos mercados da América Latina e Espanha.

Superávit do Japão
O superávit em conta corrente do Japão cresceu 40,4% em setembro ante o mesmo mês do ano passado para 2,883 trilhões de ienes (cerca de US$ 26 bilhões), sem ajuste sazonal. Foi o nono mês seguido de aumento no saldo, que foi ao segundo maior nível mensal da história e superou as projeções de superávit de 2,655 trilhões de ienes. No período entre abril e setembro, o superávit cresceu 34,1% para o recorde de 12,424 trilhões de ienes (cerca de US$ 112 bilhões), graças ao aumento no superávit de receitas e das exportações firmes, segundo o Ministério das Finanças do país.

Bolsas da Ásia
As bolsas da Ásia começaram a semana com fortes baixas, refletindo a renovação das preocupações acerca da amplitude da crise no setor de crédito hipotecário de segunda linha (subprime) dos EUA, além de outros fatores como a desvalorização do dólar. Na China, o Xangai Composto perdeu 2,4% e encerrou aos 5.178,73 pontos, após atingir a mínima de 5.032,28 durante o dia. Já o Shenzhen Composto caiu 1,5% e terminou em 1.280,73 pontos. A baixa só não foi maior porque os investidores saíram atrás de papéis baratos nos setores imobiliário e siderúrgico, o que fez cessar as perdas do início do pregão.

Com agências

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