MERCADO FINANCEIRO
Bovespa
Pouca coisa mudou entre quinta-feira e ontem no mercado doméstico de ações. A Bovespa conseguiu sustentar a alta - ou a queda mais branda - em relação às suas correlatas norte-americanas por causa do ótimo desempenho dos papéis da Petrobras. Os investidores, na esteira do anúncio de descoberta de um campo gigante de óleo leve, continuaram comprando os papéis, embora, ontem, o comportamento das ações tenha sido infinitamente inferior ao de quinta, tanto em valorização quanto em volume. No exterior, também continuou o mau humor, por causa principalmente dos problemas originados no crédito hipotecário de alto risco e seus efeitos sobre a economia dos Estados Unidos.
Movimentação
O Ibovespa encerrou a sessão em alta de 1,19%, aos 64.320,6 pontos. Na máxima do dia, chegou a 65.281 pontos (+2,7%) e, na mínima, aos 62.279 pontos (-2,02%). Em novembro, a Bolsa ainda acumula perda, de 1,53%. Na semana, ao contrário, tem alta de 0,42%, assim como no ano, quando já subiu 44,63%. A Bovespa começou a jornada em alta e atingiu a máxima do dia ainda pela manhã. Quando Nova York abriu, no entanto, o Ibovespa foi perdendo a sustentação e, no início da tarde, chegou a virar, embora a queda tenha sido contida pela Petrobras. Naquele momento, apenas cinco papéis operavam com variação positiva.
Ações Petrobras
As ações da Petrobras também chegaram a virar momentaneamente de tendência, mas logo voltaram. Mais perto do final da sessão em São Paulo, os índices em Wall Street foram reduzindo a queda e isso favoreceu uma arrancada da Bovespa, que acabou sustentando uma alta bastante expressiva. Às 18h27, o Dow Jones caía 0,72%, o S&P tinha perda de 0,22% e o Nasdaq caía 1,12%.
Recorde
O volume negociado ontem foi recorde fora de vencimentos - superando o de quinta - e totalizou R$ 10,698 bilhões. Desse total, Petrobras PN girou R$ 2,720 bilhões, giro abaixo dos R$ 3,354 bilhões da véspera. Petrobras ON subiu 2,80% e Petrobras PN, 1,81%.
Bovespa Holding
Um dos destaques da sessão ontem foi Bovespa Holding, que subiu 8,82% e movimentou R$ 909 milhões. O desempenho foi puxado pela expectativa do mercado de grande incremento das receitas com emolumentos da Bolsa este mês, em razão da negociação de suas próprias ações, da disparada do giro financeiro da Petrobras, que causou volume recorde no segmento de opções, e, também, da estréia dos papéis da BM&F, prevista para o dia 30, como apurou o AE Empresas & Setores.
Juros Futuros
Os juros futuros ontem operaram descolados do mau humor externo, com taxas em queda desde a abertura e giro substancial de negócios, sem qualquer novidade que pudesse ter desencadeado o movimento de melhora tão esperado para este segmento. Como as taxas têm operado em alta nos últimos dias, com quedas apenas pontuais, os prêmio acumulado nos contratos se tornou atraente para os aplicadores. Na BM&F, o DI janeiro de 2010 e o DI janeiro de 2009 foram novamente os mais líquidos, com pouco mais de 300 mil contratos cada um. O DI janeiro de 2010 recuou de 11,93% para 11,82% e o DI janeiro de 2009 ficou em 11,52%, de 11,59% quinta-feira.
Comportamento
Operadores estranharam o comportamento de baixa dos DIs, enquanto as bolsas americanas engrenavam recuo firme. Foi consensual a avaliação de que se tratou de um movimento de correção ante as altas acumuladas recentemente. Segundo relato de um estrategista, muitas posições de hedge montadas esta semana começaram a ser desfeitas e, além disso, o mercado contou ainda com a entrada de apostadores novos, que são, de acordo com ele, grandes players.
Câmbio
O mercado de câmbio teve mais uma jornada volátil ontem, com o dólar oscilando entre momentos de alta e baixa, para encerrar com as cotações próximas da estabilidade. O quadro externo desfavorável segue incomodando, mas a falta de demanda pela moeda e a perspectiva de novas entradas continua evitando uma contaminação significativa dos negócios.
Giro
No balcão, a divisa subiu tímido 0,06%, a R$ 1,7460, tendo atingido R$ 1,7410 na mínima (-0,23%) e marcado R$ 1,7550 na máxima (+0,57%). O giro interbancário (D+2) somou US$ 3,65 bilhões. Na semana, o dólar registrou leve queda de 0,11%. No mês de novembro, a moeda apresenta alta de 0,58%, mas, no acumulado do ano, segue desvalorizada (-18,26%). Na roda de pronto da BM&F, o dólar teve leve queda de 0,03%, a R$ 1,7445, após variar de R$ 1,7405 (-0,26%) a R$ 1,7545 (+0,54%). O volume financeiro somou US$ 638,5 milhões. Na semana, a baixa é de 0,17%. No mês, contudo, há acréscimo de 0,49%, enquanto no ano o recuo chega a 18,33%.
Diferencial
''O real segue como 'o queridinho' entre ativos de emergentes. E isso permite esse descolamento das operações locais em relação ao cenário desfavorável no exterior'', resumiu Ures Folchini, da tesouraria do banco WestLB no Brasil, citando o diferencial de juros interno e externo como um fator ainda importante para essa avaliação. ''Diante do estresse que existe hoje no ambiente financeiro internacional, o quadro era para estar bem pior'', disse, lembrando que o mercado de câmbio também é o que menos tem sofrido entre os demais ativos brasileiros.
Previsão
Em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, o economista-chefe da Hedging-Griffo, Elsom Yassuda disse que há um undershooting ou queda muito acentuada do dólar e que isso poderá levar a cotação a R$ 1,70 ainda este ano. Sua projeção para este ano, no entanto, é de dólar entre R$ 1,70 e R$ 1,75. Em Wall Street, os negócios foram minados ontem por divulgações piores do que as previsões dos analistas. Entre elas, vale destacar a piora da confiança do consumidor apurada pela Universidade de Michigan. O índice de sentimento do consumidor caiu para 75 em meados de novembro.
Com agências





