Câmbio

A volatilidade foi a tônica no mercado cambial doméstico ontem, com o dólar oscilando entre os campos positivo e negativo ao longo da sessão. De um lado, a pressão para a queda proveniente do fluxo positivo e da tendência consensual de baixa da moeda norte-americana. Do outro lado, puxando a alta nas cotações, o quadro negativo nas bolsas em Nova York e declarações pessimistas do presidente do Federal Reserve sobre o impacto dos problemas no setor de crédito subprime dos Estados Unidos.

Fechamento
Na roda de pronto da BM&F, o dólar fechou a R$ 1,745, em alta de 0,29%. Ao longo do dia, a divisa oscilou da mínima de R$ 1,7284 (-0,67%) à máxima de R$ 1,7460 (+0,34%). O volume financeiro somou US$ 538,5 milhões. O dólar no balcão fechou em alta de 0,29%, a R$ 1,7450.

Cenário externo
O cenário externo desfavorável pressionou a abertura das operações com dólar nesta jornada, mas logo a moeda passou a registrar perdas, decorrentes de entradas de capital externo e falta de demanda pela moeda. Ajudou nessa primeira reversão de rumo um alívio nas perdas dos índices acionários em Wall Street e também um certo contágio do otimismo com a notícia da Petrobras, que informou ter concluído a análise dos testes de formação do segundo poço (1-RJS-646) na área Tupi, no bloco BM-S-11, localizado na bacia de Santos.

Banco Central
O Banco Central realizou leilão de compra no mercado à vista de câmbio, com taxa de corte de R$ 1,741. De acordo com operadores, foram aceitas três propostas de três bancos, de um total de nove ofertas apresentadas por cinco instituições financeiras, que variaram de R$ 1,7380 a R$ 1,7435. Os outros 12 bancos que participaram da operação não divulgaram suas ofertas.

Bolsa
Se os investidores estavam um pouco cismados com as ações da Petrobras - por causa da sua volta à Bolívia e pelo não-repasse da alta do petróleo aos combustíveis - ontem isso ficou de lado. O anúncio da descoberta de um campo gigante de petróleo e gás gerou euforia nos investidores: as sucessivas ordens de compra levaram os papéis a subirem 18% no melhor momento do dia. Além disso, Petrobras PN registrou volume recorde de negociação e o segundo maior giro já registrado individualmente por uma ação na Bolsa paulista, só batido pela estréia dos papéis da própria Bovespa, em 26 de outubro.

Ibovespa
O Ibovespa encerrou com ligeira alta, de 0,10%, aos 63.561,9 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 63.140 pontos (-0,57%), e a máxima de 65.283 pontos (+2,81%). No mês de novembro, a Bolsa acumula perda de 2,69%, mas no ano, atinge alta de 42,92%. O volume financeiro negociado ontem alcançou R$ 10,640 bilhões - montante recorde fora de vencimento de opções. O giro da Petrobras PN foi de R$ 3,354 bilhões, com 32.384 negócios, e a movimentação de 43 milhões de ações.

Reflexo
O anúncio da Petrobras teve tanta força que sustentou o Ibovespa em alta praticamente durante todo o dia, que foi bastante ruim nos Estados Unidos. Lá, os investidores repercutiram os balanços fracos, notícias a respeito do mercado de crédito imobiliário subprime e, sobretudo, ao depoimento alarmante do presidente do Federal Reserve ao Congresso do País. Os indicadores ampliaram as perdas no final da sessão por aqui e a Bovespa acabou até invertendo o rumo, mas, no final, a alta prevaleceu. ''Os investidores aproveitaram para realizar um pouco do lucro na esteira de Nova York'', comentou um profissional do mercado.

Expectativa
Isso porque as reservas descobertas no campo de Tupi são estimadas entre cinco bilhões a oito bilhões de barris de petróleo e gás natural. Em entrevista esta tarde, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apostou num volume de seis milhões de barris que, se confirmado, corresponderá a 40% das reservas já descobertas na história do País.

Bolsas americanas
Nos EUA, o dia foi de quedas fortes. O Dow Jones operava, às 18h28, em queda de 0,21%, enquanto o S&P caía 0,06% e o Nasdaq tinha baixa de 1,76%. A abertura já foi pressionada pelo anúncio feito quarta-feira à noite pelo Morgan Stanley de que sofrerá uma baixa contábil de US$ 3,7 bilhões para refletir a perda de valor das posições relacionadas a hipotecas tomadas por seus traders.

Juros futuros
Mais um dia de alta forte para os juros futuros, que se mantiveram alinhados ao estresse do mercado externo, com volume robusto nos principais contratos. O DI janeiro de 2010 negociou cerca de 350 mil contratos e a taxa avançou a 11,93%, de 11,79%, quarta-feira. O DI janeiro de 2009, o segundo mais líquido, subiu de 11,51% para 11,59%.

Estímulos
Ontem, não faltaram alertas para estimular a redução de posições vendidas, todos vindos do exterior. Na cena local, o anúncio de uma grande reserva de óleo leve na bacia de Santos pela Petrobras garantiu à Bovespa operar em alta durante quase todo o pregão. No final, houve volatilidade e o Ibovespa chegou a inverter a direção, mas fechou em terreno positivo. Em Wall Street, as bolsas aceleravam as perdas à tarde, após o depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, ao Comitê Econômico Conjunto do Congresso.

Setor imobiliário
O chairman fez um discurso considerado pessimista sobre as perspectivas para a economia diante dos efeitos da crise no setor imobiliário. O presidente do Fed afirmou que estimativas sobre as perdas de créditos relacionados a hipotecas subprime que, no fim, somam US$ 150 bilhões não seriam necessariamente todas concentradas nas instituições financeiras.

Com agências

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