MERCADO FINANCEIRO
Pressão
Ontem o dia foi de pressão sobre os ativos financeiros, motivada não somente pela realização de lucros após a euforia de quarta-feira com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), mas por outros fatores que impuseram aversão ao risco ao investidor, entre eles o ISM industrial fraco em outubro, o rebaixamento de ações do Citigroup pelo CBIC, balanços desfavoráveis da Exxon Mobil e Credit Suisse e cautela ante a divulgação do payroll hoje.
Mau humor
As bolsas americanas aceleraram as perdas no final da sessão e fecharam com queda de mais de 2%, enquanto os preços dos Treasuries tiveram forte alta, com queda no juro projetado. O risco Brasil disparou 11% no final da tarde, em alta de 18 pontos. Os mercados domésticos sucumbiram ao mau humor externo, mas somente a Bovespa funcionou nos piores momentos de Wall Street. A Bolsa paulista não somente perdeu o suporte dos 65 mil pontos, como, por pouco, também não fica abaixo dos 64 mil pontos.
Repercussão
As bolsas internacionais - Europa e Nova York - até tiveram boas justificativas para cair, mas a Bovespa apenas se utilizou da queda externa para fazer uma correção em seus ativos. Afinal, a semana foi forte, com dois recordes no fechamento, e o índice quase rompendo os 66 mil pontos. A queda nos preços de commodities metálicas e do petróleo ajudou a empurrar o índice para baixo ao repercutirem sobre as ações da Petrobras e Vale do Rio Doce.
Perdas
O Ibovespa encerrou ontem em queda de 1,94%, aos 64.050,1 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 63.774 pontos (-2,36%), e a máxima de 65.317 pontos (estabilidade). Na semana, a Bovespa acumulou perda de 0,35%, mas, no ano, tem alta acumulada de 44,02%. O volume financeiro negociado ontem alcançou R$ 5,924 bilhões. O Dow Jones fechou com queda de 2,60%, aos 13.567,9 pontos, o Nasdaq recuou 2,25%, para 2.794,83 pontos, e o S&P teve baixa de 2,64%, aos 1.508,44 pontos.
Retração
Em Nova York, as bolsas exibiram forte retração, puxadas principalmente pelos papéis do setor financeiro. Um dos destaques foi o Citigroup, que hoje foi rebaixado pela CIBC World Markets para ''sector underperformer''. A instituição justificou que a revisão ocorreu porque a necessidade de o banco levantar seu capital poderá forçá-lo a reduzir seu pagamento de dividendos ou vender ativos.
Baixa contábil
Outro destaque do setor financeiro foi o Credit Suisse, que influenciou negativamente as ações do setor financeiro europeu. O banco divulgou lucro líquido 31% menor, em virtude de uma baixa contábil de 2,2 bilhões de francos suíços (US$ 1,9 bilhão) por conta de empréstimo alavancados que não foram vendidos e produtos estruturados como ativos de hipotecas.
Petróleo
O petróleo bateu novo recorde pela manhã, embora tenha recuado das máximas no fechamento. No fim da sessão, o contrato para dezembro do barril negociado em Nova York ficou em US$ 93,49 (-1,10%), depois de ter atingido US$ 96,24. O contrato de dezembro do Brent, negociado na ICE, em Londres, foi até US$ 91,71 o barril, para fechar em US$ 89,72 (-1,00%). De acordo com Fausto Gouveia, analista da Alpes Corretora, o petróleo em elevação é um dos fatores que podem azedar o humor dos investidores na próxima semana, quando a agenda lá fora é relativamente mais tranquila.
Derivados
Do lado doméstico, a alta do petróleo também encontrará um ponto de inflexão, principalmente quando os investidores começarem a bater nos papéis da Petrobras, que insiste em não reajustar os combustíveis. A elevação do petróleo, quando não é despejada nos combustíveis, recai sobre os derivados, como a nafta. O que tem ajudado é a queda do dólar, que equilibra as contas. Ontem, as ações da Petrobras caíram 1,35%, as ON, e 0,79%, as PN.
Alta
O dólar interrompeu uma sequência de cinco sessões de queda - em que se depreciou 3,9% - e fechou ontem em alta ante o real. O mercado cambial brasileiro não escapou à correção verificada no ambiente financeiro global, após a euforia de quarta-feira, quando o dólar caiu abaixo de R$ 1,74. Ajustes às operações para a formação da Ptax da véspera, o cenário externo negativo e o feriado local amanhã deram suporte para o avanço nas cotações.
Balcão
No balcão, a moeda norte-americana fechou o dia com acréscimo de 0,69%, a R$ 1,748, após variar de R$ 1,7390 (+0,17%) a R$ 1,7540 (+1,04%). O giro interbancário (D+2) somou US$ 2,79 bilhões - abaixo da média de US$ 4 bilhões dos últimos dias. Na semana, entretanto, a divisa registrou declínio de 1,19%. Na roda de pronto da BM&F, a moeda norte-americana encerrou a R$ 1,7475, em alta de 0,60%, tendo oscilado da mínima de R$ 1,7390 (+0,11%) à máxima de R$ 1,7540 (+0,98%). O volume financeiro somou US$ 694,5 milhões. Na semana, contudo, a moeda acumulou desvalorização de 1,16%.
Cautela
A véspera do feriado nacional, que fechará os pregões brasileiros hoje, motivou alguma cautela nos negócios ontem. Muitos investidores preferiram reduzir um pouco a exposição, enquanto outros optaram em não assumir novas posições tendo em vista que Wall Street funcionará normalmente e a pauta norte-americana traz indicadores importantes, com destaque para o relatório de mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Day After
O Day after do Comitê do Mercado Aberto (Federal Open Market Committee, FOMC) foi de ressaca para os mercados. Os juros futuros, que quarta-feira não embarcaram na euforia que assolou a Bolsa e o dólar, mantiveram-se pressionados, na esteira do mau humor externo. O DI janeiro de 2010 encerrou em 11,62%, de 11,54% quarta, enquanto o DI janeiro de 2009 avançou de 11,36% para 11,39%. Sem notícias específicas para este segmento, as taxas futuras acompanharam a performance dos demais ativos, tendo, entretanto, desacelerado a alta no período da tarde.





