Câmbio
A entrada de recursos no país voltou a determinar a queda do dólar ontem, mas a cautela internacional antes da decisão sobre a taxa básica de juro nos Estados Unidos diminuiu a velocidade do recuo. A moeda norte-americana caiu 0,17%, para R$ 1,753. A queda foi suficiente para que o dólar fechasse no menor valor em sete anos e meio.

Expectativa
À medida que se aproxima a decisão (hoje) do Federal Reserve sobre o juro norte-americano, diminui a segurança dos investidores em um novo corte da taxa básica dos Estados Unidos - atualmente em 4,75% ao ano. Ao contrário da véspera, quando os operadores reforçavam as apostas em nova redução, a incerteza conteve os negócios e ajudou o dólar a recuperar terreno ante as principais moedas no exterior.

BNDES e Petrobras

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que está em ''processo de discussão'' com a Petrobras para uma aproximação maior entre o banco e a empresa, ''nesse momento de aceleração de investimentos'' em que a instituição poderá apoiar os fornecedores de bens de capital da estatal. ''A Petrobras está elevando investimentos em produção, exploração, gás, refinarias, construção de plataformas e navios e a indústria de bens de capital passou muitos anos imobilizada'', disse, acrescentando que agora é o momento de colocar o setor novamente em movimento.

Política industrial
Segundo ele, o apoio que a nova política industrial, e inclusive o BNDES, darão ao segmento de bens de capital não se limita apenas à indústria de petróleo e seus fornecedores. Coutinho explicou que segunda-feira teve uma reunião com fabricantes de equipamentos na Associação Brasileira da infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), para discutir os hiatos entre a capacidade de oferta do setor e a demanda dos investidores.

Mercado interno
O resultado da pesquisa sondagem industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrando que os industriais brasileiros contam fortemente com o mercado interno para escoar sua produção no ano que vem, é um ''sinal de alerta para a balança comercial'', avaliou o coordenador do núcleo de política econômica da entidade, Flávio Castelo Branco.

Pessimismo
A pesquisa mostra que as pequenas e médias empresas estão pessimistas quanto ao desempenho do mercado externo e, numa escala de zero a 100, classificaram suas expectativas em 47 pontos. Entre as grandes, o indicador ficou em 50,3 pontos. Na avaliação da entidade, os números mostram que algumas empresas estão momentaneamente abandonando o mercado externo. Para o economista Paulo Moll, da CNI, a dependência em relação ao mercado interno é perigosa, pois há sinais de que o consumo não continuará crescendo nos próximos anos na mesma velocidade como cresceu em 2007.

Petróleo em alta
Os elevados preços do petróleo não reduziram o crescimento da demanda pela commodity, de acordo com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Nobuo Tanaka, em entrevista durante a ''Conferência Petróleo e Dinheiro'', realizada em Londres. ''Ainda não vimos uma queda substancial na expansão da demanda'', disse. Ele aconselhou os países consumidores de petróleo a investirem em energia alternativa para minimizar os efeitos dos preços elevados do barril da commodity.

Fortalecimento
Tanaka atribuiu o atual fortalecimento dos preços do petróleo às condições mais estreitas no equilíbrio entre a oferta e a demanda, e que foram aumentadas no mercado pelos especuladores. ''A direção no preço é determinada por fundamentos. É claro que a especulação existe e isto aumenta a volatilidade'' disse. ''Não sabemos qual é o impacto dessas transações financeiras ou das contas especulativas. Não há muita transparência'', acrescentou.

Europa
As ações européias fecharam em queda ontem, quebrando uma série de três sessões consecutivas de alta à medida que investidores estão mais cautelosos após resultados corporativos fracos e à medida que dúvidas pairam sobre um possível corte da taxa de juro norte-americana. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações das empresas européias, caiu 0,42 por cento, para 1.581 pontos.

Tóquio em baixa
As empresas farmacêuticas prejudicaram o desempenho do mercado japonês, depois que autoridades norte-americanas requisitaram à Takeda Pharmaceutical dados adicionais sobre um importante remédio ainda em desenvolvimento. ''O mercado obviamente entendeu as informações sobre a Takeda de uma forma muito negativa. Acredito que ainda veremos mais realização de lucros em todo o mercado'', disse Junichi Misawa, gerente de fundos da STB Asset Management. O índice Nikkei 225 da Bolsa de Tóquio caiu 47,07 pontos, em baixa de 0,3%, fechando em 16.651,01 pontos.

Redução de fluxos
Além disso, houve redução dos fluxos provenientes do exterior, disseram operadores de corretoras estrangeiras. Os investidores acompanharão atentamente o resultado da reunião do Federal Reserve, banco central dos EUA, que começou ontem e termina hoje, para verificar se haverá corte nas taxas de juros norte-americanas, como muitos esperam.

Bolsas da Ásia
A maioria das bolsas asiáticas fechou em baixa, pressionadas pela realização de lucros e pela expectativa ante a reunião do Federal Reserve, que define hoje a taxa básica de juros nos EUA. Já as bolsas da China e de Hong Kong foram na contramão da direção e encerraram os negócios em terreno positivo.

China
As Bolsas da China contrariaram a tendência geral da região, puxadas pela perspectiva do lançamento, em breve, do índice do mercado futuro, que pode impulsionar ações de peso como das companhias aéreas e de produtoras de metais. O Xangai Composto subiu 2,6% e fechou em 5.897,19 pontos. Segundo os operadores, o nível de 5.900 pontos é a resistência psicológica imediata do índice. O Shenzhen Composto avançou 1,7% e encerrou em 1.427,77 pontos.

Das agências

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