MERCADO FINANCEIRO
Boa estréia
A Bovespa Holding não podia ter escolhido dia melhor para estrear no pregão. Balanços corporativos bons, commodities em alta, fechamento das bolsas européias e asiáticas em terreno positivo e Wall Street subindo. Sem nenhum estraga-prazeres, as ações da Bolsa paulista só tiveram um destino: brilhar.
Contagiante
O desempenho foi tão bom que entusiasmou os investidores a comprar, favorecendo o recorde do Ibovespa e o fechamento pela primeira vez nos 64 mil pontos. Como bem resumiu ontem o presidente do conselho de Administração da Bovespa Holding, Raymundo Magliano Filho, ontem foi ''um dia de glória, sucesso e realização.'' A Bolsa encerrou a sexta-feira em alta de 3,10%, aos 64.275,6 pontos, ultrapassando o recorde de 9 de outubro (aos 63.548 pontos). O índice também teve recorde intraday, aos de 64.319,9 pontos (+3,17%). Na mínima do dia, o indicador paulista registrou 62.346 pontos (+0,01%). Com o desempenho de ontem, os ganhos acumulados em outubro subiram para 6,30%, e os do ano, para 44,52%. Na semana, a Bolsa subiu 5,55%.
Movimentação
O volume financeiro negociado ontem foi recorde para um dia comum - sem vencimento de índice futuro e opções - e totalizou R$ 10,110 bilhões. O giro histórico fora de dia de vencimento de opções anterior era de 16 de agosto, com R$ 8,4 bilhões. Do total negociado ontem, R$ 5 bilhões foram movimentados pelas ações da Bovespa Holding, número também recorde para um único papel num único dia de negociações. As ações da Bovespa Holding encerraram o dia com elevação de 52,13%, cotadas a R$ 34,99.
Histórico
O IPO da Bovespa levantou o maior volume de recursos da história do País em ofertas iniciais de ações, com R$ 6,625 bilhões, ultrapassando a abertura de capital Redecard. Segundo Magliano, o avanço do mercado de capitais foi possível depois que as operações com ações tiveram isenção de CPMF, em 2002. A trajetória da taxa básica de juros também contribuiu para o desenvolvimento deste mercado, já que o investidor pessoa física saiu à procura de mais rentabilidade e caiu na renda variável.
Câmbio
O mercado cambial fechou ontem com o dólar no menor preço desde abril de 2000, contagiado pelo início da negociação das ações ordinárias da Bovespa Holding na Bolsa paulista ontem. As operações com a divisa norte-americana no País já vinham oscilando na expectativa do fluxo de capital externo proveniente da operação e a disparada na cotação do papel logo na abertura do pregão referendou o interesse significativo pelas ações.
Em baixa
No balcão, a moeda norte-americana terminou negociada a R$ 1,7690, em baixa de 1,39%, no menor valor desde 18 de abril de 2000, quando atingiu R$ 1,763. Durante a sessão, a divisa oscilou da mínima de R$ 1,7670 (-1,50%) à máxima de R$ 1,7790 (-0,84%). O giro interbancário (D+2) somou US$ 3,4 bilhões. Na semana, a o dólar recuou 2,04%, contabilizando perdas de 3,54% no mês de outubro e de 17,18% no acumulado do ano. Na roda de pronto da BM&F, a moeda fechou em queda de 1,48%, a R$ 1,7680 - na mínima do dia, após alcançar R$ 1,7785 no maior preço (-0,89%). O volume financeiro somou US$ 529,25 milhões.
Acumulado
Na semana, houve desvalorização de 1,97%. No mês de outubro, o declínio é de 3,60%. No ano, o decréscimo alcança 17,23%. Os papéis da Bovespa abriram em alta superior a 39%, com uma enxurrada de ordens de compra, após um concorrido leilão. Nos primeiros minutos de negociação, as ordens de compras se sucediam em um ritmo frenético, numa velocidade tão grande que a tela parecia tremer.
Demanda
A forte valorização das ações da Bovespa no primeiro pregão confirmou a demanda expressiva pelos papéis, destacou o estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz. E não apenas de estrangeiros, como de investidores locais também, disse o profissional. Para Lintz, o resultado dessa operação reflete uma dinâmica muito positiva - que contempla a queda do dólar -, fruto de uma liquidez favorável e commodities em alta. ''Não haveria essa forte demanda dos investidores internacionais se o cenário de liquidez global não estivesse favorável. Ao mesmo tempo, o aumento nos preços de commodities gera riqueza interna, o que dá suporte para a entrada de agentes locais nesse tipo de operação'', explicou.
Juros
O mercado de juros operou de bom humor ontem, mas nem de longe embarcou na euforia que dominou a Bolsa e o câmbio, influenciados pelo lançamento da Bovespa Holding no Novo Mercado. As taxas devolveram parte dos prêmios acumulados e terminaram em baixa, mas com giro de negócios restrito. O DI janeiro de 2010 caiu de 11,70% para 11,61%, enquanto o DI janeiro de 2009 cedeu de 11,50% para 11,43%.
Favorecido
O apetite pelo risco visto no lançamento das ações da Bovespa também deu o tom em Wall Street, o que favoreceu os juros futuros. As Bolsas americanas tiveram avanço, graças ao balanço positivo da Microsoft divulgado quinta-feira, e das previsões da Countrywide Financial, a maior credora do mercado imobiliário norte nos EUA, de que voltará a ter lucro no quarto trimestre. Ainda, os investidores seguem confiantes em mais um corte de juro na semana que vem.
IPC-Fipe
Além do câmbio, outro fato positivo de ontem foi o IPC-Fipe da terceira quadrissemana de outubro, que ficou em 0,15%, no piso das estimativas dos analistas (0,15% a 0,25%). A queda foi puxada pelo recuo de 1,55% nos preços de energia elétrica, que impuseram forte desaceleração ao Grupo Habitação, de 0,29% para 0,14%. Após o resultado da terceira quadrissemana, a Fipe revisou sua projeção para o índice fechado de outubro, de 0,16% para 0,12%.





