MERCADO FINANCEIRO
Dólar recua
A expectativa de entradas de dólares no País por meio de IPOs - com destaque para a operação de abertura de capital da Bovespa - voltou a derrubar a cotação da moeda norte-americana ontem, abaixo de R$ 1,80. A trajetória de queda nos negócios locais foi favorecida pelo enfraquecimento do dólar no mercado global de moedas, diante de dados mais fracos da economia dos Estados Unidos, que corroboram o cenário de corte de juros naquele país.
Movimentação
No balcão, a divisa terminou o dia em baixa de 0,77%, a R$ 1,7940, tendo variado de R$ 1,7840 (-1,32%) a R$ 1,7950 (-0,72%). O giro interbancário D+2 atingiu aproximadamente US$ 2,246 bilhões. Na roda de pronto da BM&F, a divisa encerrou o dia negociada a R$ 1,7945, em queda de 0,75%, após oscilar da mínima de R$ 1,7830 (-1,38%) à máxima de R$ 1,7960 (-0,66%). O volume financeiro totalizou US$ 384,500 milhões.
Fluxo
De acordo com Ures Folchini, da tesouraria do banco WestLB no Brasil, mais do que o ingresso de capital externo é a expectativa de fluxo, amparada na agenda de IPOs, além da balança comercial, o que pressiona o preço. ''O mercado está enxergando um fluxo bom mais à frente'', observou, citando em particular o IPO da Bovespa, no qual o papel teve preço fixado em R$ 23 no bookbuilding - no topo do range estabelecido, de R$ 20,00 a R$ 23,00.
Reflexo
Tal resultado reflete a forte demanda pelas ações - que estréiam nesta sexta-feira na Bolsa paulista. No mercado a avaliação é de que a participação de estrangeiros nessa operação seria bastante forte - cerca de 80% -, resultando em uma entrada significativa de dólares no país. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados prioritários foram atendidos integralmente até R$ 12.098,00, que correspondem a 526 ações.
Imóveis americanos
As vendas de imóveis novos subiram 4,8% em setembro nos EUA, para a média anual sazonalmente ajustada de 770 mil. Embora a variação tenha superado a previsão dos economistas, de queda de 2,5%, as pesadas revisões em baixa feitas nos números dos meses anteriores (principalmente agosto, julho e junho) minaram o humor. Em agosto, as vendas de imóveis novos foram revisadas da média anual de 795 mil para 735 mil; em julho, a revisão foi de 867 mil para 798 mil; e em junho, de 835 mil para 797 mil.
Juros
Os juros futuros chegaram ao final do pregão praticamente no zero a zero, contabilizando o comportamento volátil dos mercados em Nova York e a ata do Copom, que praticamente enterrou a possibilidade de retomada dos cortes de juros este ano. O DI janeiro de 2010, o mais negociado, fechou estável em 11,70%, enquanto o DI janeiro de 2009 subiu a 11,50%, de 11,48% quarta-feira.
Avaliação
Analistas avaliaram que a ata, de maneira geral, correspondeu às expectativas de que seria um documento conservador e bastante parecido com o anterior. Os diretores sinalizaram que a opção pela pausa na flexibilização dos juros foi uma ação preventiva, para minimizar os riscos de alta de preços em 2008, apesar de as expectativas de inflação estarem dentro das metas estabelecidas.
Dúvidas
A ata reforçou que o BC tem dúvidas em relação ao equilíbrio da oferta e demanda para o ano que vem, dados os indicadores robustos de atividade e a defasagem dos efeitos das reduções da Selic desde setembro de 2005. Dessa forma, com a ênfase da ata sobre as incertezas em relação à trajetória da inflação, é quase consenso no mercado que a Selic deverá permanecer onde está até o primeiro trimestre de 2008. Nesse prazo, o Banco Central poderá ter em seus cálculos dados completos do desempenho da economia em 2007.
Bolsas
O mercado acionário demorou a encontrar um norte para os negócios ontem e, quando encontrou, acabou sendo de baixa. Mas isso depois de muita volatilidade, já que os investidores não se decidiam se gostavam ou não dos indicadores que foram divulgados nos Estados Unidos. O resumo da ópera é que eles nem apreciaram tanto assim, mas resolveram mesmo dar atenção a outras informações, no caso, as projeções para o encontro do Federal Reserve no próximo dia 31 e os resultados corporativos que ainda não saíram.
Bovespa
Na Bovespa, os investidores também aproveitaram para fazer algumas correções na carteira, em alguns casos vendendo papéis para cobrir a aquisição de ações da Bovespa, cujas ações estréiam hoje no pregão. O Ibovespa fechou em queda de 0,45%, aos 62.341,5 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 61.968 pontos (-1,05%) e a máxima de 63.206 pontos (+0,93%). No mês, a Bovespa acumula alta de 3,10% e, no ano, de 40,18%. O volume financeiro negociado hoje totalizou R$ 5,248 bilhões.
Nasdaq
Rumores sobre a exposição da seguradora American International Group (AIG) no mercado de crédito subprime causou impactos no pregão de Nova York. Os rumores diminuíram no final da sessão e, com ele, o Dow Jones que, mais uma vez terminou praticamente no zero a zero. No encerramento, o Dow registrava variação de -0,02%, aos 13.671,9 pontos, o Nasdaq caiu 0,86%, para 2.750,86 pontos, e o S&P recuou 0,10%, para 1.514,40 pontos.
Petróleo
Ontem, também ajudou a sustentar as bolsas em baixa nos Estados Unidos a alta do petróleo, que fechou pela primeira vez acima de US$ 90 na Nymex. A elevação decorreu dos temores de que os conflitos no Oriente Médio ameacem a oferta do produto. Os contratos de petróleo WTI bruto para dezembro fecharam a US$ 90,46 por barril, em alta de 3,86%. Em Londres, os contratos do petróleo Brent para dezembro fecharam a US$ 87,48 por barril (+3,69%). O petróleo em alta favoreceu a valorização dos papéis da Petrobras: +1,03% as ON e +1,34% as PN.
Das agências





