MERCADO FINANCEIRO
Câmbio
O dólar tentou resistir, apoiado no fluxo de capitais para o país, mas a piora no mercado externo e a atuação do Banco Central fizeram a moeda norte-americana fechar em alta ontem. A divisa avançou 0,61% e terminou o dia cotada a R$ 1,809. No mês, o dólar ainda acumula desvalorização de 1,42%.
Sem resistência
O mercado de câmbio não conseguiu passar imune à forte queda das Bolsas em Nova York. Ontem à tarde, o índice de referência Dow Jones caía mais de 1%, e o termômetro de tecnologia Nasdaq perdia mais de 2,5%. ''O mercado vive de notícias que acontecem no exterior. Hoje (ontem) saiu um número muito ruim de vendas de moradias usadas e esse número contribuiu para esse mau humor do mercado'', disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy.
Juros
Na última terça-feira, o Banco Central informou, em sua ''Nota de Política Monetária'', que a taxa de juro ao consumidor bateu novo recorde de baixa, ao passar de 46,6% ao ano para 46,3% anuais, entre agosto e setembro. Desde fevereiro, existe uma tendência de queda constante na cobrança.
Pouca economia
Porém, a modificação traz pouca economia - mesmo porque não foram todas as modalidades que tiveram retração na taxa média. Enquanto que umas ficaram estáveis, o cheque especial, por exemplo, teve alta: a média passou de 7,55% ao mês para 7,57% mensais - mostrando tendência contrária à média e expansão de 0,2 ponto percentual. Aquisição de outros bens (eletrodomésticos, móveis, por exemplo) se manteve em 3,73% ao mês.
Petrobras
A norueguesa Aker Oilfield Services fechou com a Petrobras contrato de aluguel no valor de US$ 350 milhões para uma embarcação de apoio para plataformas de exploração e produção de petróleo. O contrato, segundo nota divulgada ontem pela Aker, tem prazo de cinco anos, podendo ser renovado. A embarcação estará disponível para a Petrobras a partir de 2010. A Aker Oilfield Services é controlada pela holding Aker ASA, DOF Subsea e Aker Kvaerner.
Crise imobiliária
As vendas de imóveis usados caíram 8% em setembro nos EUA, totalizando 5,04 milhões de unidades, segundo a Associação dos Corretores de Imóveis. É o menor nível desde que a associação começou a avaliar as vendas de imóveis para uma única família, em 1999. ''O congelamento do crédito em agosto definitivamente impactou as vendas em setembro, principalmente no lado dos empréstimos'', disse o economista sênior da associação, Lawrence Yun. O preço médio dos imóveis nos EUA caiu 4,2% em setembro em relação a setembro do ano passado, para US$ 211,7 mil.
Banco de investimentos dos EUA
O banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch teve prejuízo de US$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre. Segundo o banco, o resultado reflete ''significantes baixas contábeis e perdas atribuíveis aos negócios de renda fixa, moedas e commodities, incluindo baixas contábeis de US$ 7,9 bilhões em créditos de risco e hipotecas de segunda linha (subprime) norte-americanas'' (a previsão divulgada anteriormente era de US$ 4,5 bilhões).
Queda
As receitas do terceiro trimestre caíram 94% para US$ 577 milhões, de US$ 9,8 bilhões no mesmo período do ano passado e cederam 94% em relação às receitas de US$ 9,7 bilhões do segundo trimestre deste ano. O prejuízo antes de impostos foi de US$ 3,5 bilhões no terceiro trimestre. O Merrill Lynch prevê que as condições do mercado relacionadas ao crédito imobiliário de risco (subprime) nos EUA continuarão incertas e disse que continuará ajustando suas posições ao impacto remanescente da crise.
Reflexo no Japão
As empresas do setor financeiro lideraram a queda na Bolsa de Tóquio, com os investidores ansiosos com a divulgação do balanço do banco de investimento Merrill Lynch. Já os papéis de corretoras foram afetados pelo relatório da Mizuho Financial Group, que indicou que sua unidade de atacado (que não é listada na Bolsa) deve apresentar prejuízo no primeiro semestre. Com isso, o índice Nikkei 225 recuou em relação aos ganhos no início do pregão e teve baixa de 92,19 pontos, ou 0,6%, para fechar aos 16.358,39 pontos.
Bolsas asiáticas
O temor de uma recessão nos EUA voltou a assustar os mercados de ações da Ásia. A maior parte das bolsas da região fechou em queda, em meio à expectativa da divulgação do balanço do banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch.
China
Nas Bolsas da China, o índice Xangai Composto fechou em alta com demanda por ações de peso, em antecipação ao lançamento de contratos futuro do índice de ações, e também com a disparada de ações chinesas listadas em Hong Kong. O índice subiu 1,2% e fechou em 5.843,11 pontos. Já o Shenzhen Composto caiu 0,6% e fechou em 1.453,05 pontos.
Austrália
A Bolsa de Sydney, na Austrália, reverteu os fortes ganhos iniciais e o índice S&P/ASX 200 marcou perda de 0,4%, terminando em 6.634,40 pontos. A queda ocorreu em meio ao ressurgimento das preocupações sobre a possibilidade de recessão nos EUA e de um aumento na taxa básica de juros australiana. Assim como os demais mercados asiáticos, a bolsa australiana foi enviada ao território negativo pela notícia de que o banco de investimentos norte-americano Merrill Lynch divulgará perdas bem acima do esperado no terceiro trimestre.
Das agências





