MERCADO FINANCEIRO
Brasil preparado
Se ocorrer uma recessão nos EUA, o Brasil está melhor preparado para o choque externo, segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Em Washington, Meirelles citou ontem os chamados ''dividendos da estabilidade'', ou seja, o processo de controle da inflação, redução da relação dívida/PIB e acumulação de reservas que nos últimos anos deram mais resistência ao País para suportar volatilidade. ''Por muitos anos, nos preocupamos com o custo da estabilização. Agora, estamos testemunhando benefícios da estabilização'', afirmou.
Previsão
A importância disso, argumenta Meirelles, é que agora o País pode prever o que pode acontecer à frente. ''Saímos do patamar de discutir crises. Agora, discutimos investimentos em educação e em infra-estrutura'', disse. A estabilização tem influência direta nos aspectos econômicos, como a expansão de crédito, exemplifica Meirelles. No processo de estabilização, Meirelles observa que o juro cai de forma regular, assim como é possível ver queda constante de volatilidade.
Dólar
Ontem, o dólar acompanhou a volatilidade dos mercados internacionais e fechou em alta, acima do patamar de R$ 1,80. A moeda norte-americana teve valorização de 0,78%, terminando a sessão a R$ 1,818. O mercado de câmbio começou o dia determinado a ajustar a forte queda das Bolsas em Nova York no final da tarde de sexta-feira. Com poucos minutos de negócios, o dólar já avançava mais de 2%.
De olho no Brasil
O Reino Unido quer receber mais investimentos privados brasileiros e ampliar o número de empresas do País listadas em seu mercado de ações. A declaração foi feita ontem por Andrew Cahn, chefe de Comércio e Investimento do governo britânico. O executivo ressaltou que o mercado financeiro londrino é um dos maiores do mundo e conta com duas bolsas.
Prioridade
''Londres é um mercado forte, bem regulado e com grande concentração de talentos'', disse ontem, no consulado britânico, no Rio. Atualmente, apenas três empresas brasileiras, todas do setor de bioenergia, estão listadas no mercado local. O Brasil é considerado mercado prioritário pelo Reino Unido. Em visita de três dias ao País, Cahn terá compromissos com empresas como Petrobras, Vale do Rio Doce e Natura, entre outras.
Negociações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em seu programa de rádio ''Café com o Presidente'', que os países estão perto de chegar a um consenso sobre o retorno das negociações da Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC). ''Ainda não está decidido nada. Eu penso que nós estamos perto disso'', salientou o presidente da República.
Explicações
Lula explicou: ''A Índia faz parte do G-20 (grupo dos países em desenvolvimento), a África do Sul faz parte do G-20, e nós temos interesse em que a Rodada Doha termine com um acordo em que os países pobres sejam os ganhadores desse processo. Está um pouco difícil porque o subsídio da agricultura norte-americana está muito alto. E depois nós temos a União Européia (bloco econômico composto por 27 países europeus), que ainda não definiu os seus produtos agrícolas sensíveis, ou seja, quais os números que eles vão utilizar''.
Balança comercial
A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 469 milhões na terceira semana de outubro, resultado de exportações de US$ 3,419 bilhões e importações de US$ 2,950 bilhões. Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O superávit comercial acumulado é de US$ 2,012 bilhões no mês de outubro e o saldo acumulado no ano, até a terceira semana deste mês, de US$ 32,959 bilhões.
Mercado Asiático
A queda das bolsas de Nova York na última sexta-feira (dia 19), além dos fracos resultados e das projeções pessimistas divulgados por empresas dos EUA, determinaram fortes baixas nas bolsas asiáticas. Na China, os investidores estão apreensivos com a possibilidade de o governo adotar novas medidas para conter o crescimento econômico.
China
As Bolsas da China fecharam no nível mais baixo das últimas três semanas. O Xangai Composto caiu 2,6% e fechou em 5.667,33 pontos, a menor pontuação desde 28 de setembro. Já o Shenzhen Composto perdeu 2,8% e fechou em 1.452,78 pontos. O nervosismo em relação ao potencial de alcance da liquidez dominou o mercado acionário. Segundo analistas, os investidores estão preocupados com o fato de a PetroChina ter ofertado mais de 4 bilhões de ações na semana passada.
Austrália
O índice S&P/ASX 200 da Bolsa de Sydney, na Austrália, caiu 1,9% e terminou em 6.577,3 pontos, mas mostrou boa sustentação. Apesar dos rumores de uma possível recessão nos EUA, o mercado australiano espera encontrar apoio no forte crescimento da China. A mineradora BHP Billiton declinou 2,5% e a Rio Tinto, 3,7%. Woodside Petroleum afundou 4,8%, pressionada pela retração no preço do petróleo.
Bolsa de Tóquio
A Bolsa de Tóquio registrou forte queda, seguindo a baixa nos mercados norte-americanos na última sexta-feira (dia 19). Operadores acreditam, porém, que nos próximos dias não devem ocorrer novas quedas fortes no Japão. O índice Nikkei 225 caiu 375,90 pontos, ou 2,2%, e fechou em 16.438,47 pontos, seu pior desempenho desde 26 de setembro.
Das Agências





