Mau humor

O setor corporativo foi o protagonista do mau humor que dominou as bolsas de valores nesta sexta-feira. O petróleo também exerceu seu papel de vilão, ao bater outro recorde durante a madrugada, acima de US$ 90. Para não ficar com gosto de reprise, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, deu algumas declarações e acabou reforçando a preocupação dos investidores com a crise do mercado de crédito.

Bovespa
A Bovespa até ensaiou uma alta no início dos negócios, mas ela durou apenas o tempo de Nova York abrir. O rumo lá foi um só desde o princípio: o de baixa. Em São Paulo, os investidores não tinham nenhuma razão doméstica para repercutir, então aproveitaram o cenário externo para realizarem um pouco de lucros. Isso significa que alguns dos papéis mais líquidos e também aqueles que subiram muito nos últimos dias estiveram entre os mais atingidos ontem.

Queda
Apenas duas ações do Ibovespa fecharam em alta ontem. A Bolsa de São Paulo encerrou a sessão em queda de 3,74%, aos 60.894,3 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 63.349 pontos (+0,14%) e a mínima de 60.883 pontos (-3,76%). O resultado acumulado em outubro, depois de hoje, está em +0,71% e o de 2007, em +36,92%. O volume financeiro totalizou R$ 4,824 bilhões. Na semana, o Ibovespa registrou queda de 2,5%.

Lucros pífios
O desempenho das bolsas norte-americanas - neste vigésimo aniversário da Segunda-Feira Negra - não foi melhor, com os principais índices registrando perdas acima de 2%: o Dow Jones recuou 2,64%, para 13.522,0 pontos, o S&P teve baixa de 2,56%, para 1.500,63 pontos, e o Nasdaq caiu 2,65%, para 2.725,16 pontos. Os analistas consultados apontaram os lucros corporativos pífios como a principal justificativa para o desempenho, já que os números dão sinais de desaquecimento da economia norte-americana. O sinal amarelo ficou mais forte quando a gigante Caterpillar, que produz máquinas e equipamentos pesados para o setor agrícola e de construção, e a 3M apresentaram dados fracos.

Petróleo
Outro foco de pressão na semana, o petróleo acabou recuando ontem. O contrato para novembro negociado em Nova York fechou em US$ 88,60, em baixa de 0,97%. Em Londres, o contrato para dezembro encerrou a US$ 83,50, com queda de 1,30%. Internamente, as ações PN da Petrobras caíram 5,97% e foram a segunda maior baixa do pregão, atrás de Cosan ON (-6,28%). Eletrobrás ON caiu 5,77% e Vale ON, -5,65%, respectivamente a terceira e quarta maiores retrações do Índice. Na outra ponta, apenas Perdigão ON (+2,59%) e Telemig Par PN (+0,15%) subiram.

Câmbio
O dólar não se sustentou abaixo de R$ 1,80 até o fechamento de ontem, diante da deterioração no cenário externo. A disparada do petróleo na madrugada em Nova York - embora tenha fechado em queda nesta sessão - e a repercussão negativa a resultados corporativos nas Bolsas dos Estados Unidos, na véspera do fim de semana, deram suporte para uma correção técnica no mercado cambial brasileiro.

Valorização
A sexta-feira terminou com a moeda norte-americana na máxima do dia, a R$ 1,8060, o que representa uma valorização de 1,12% em relação a ontem. Na mínima, a divisa chegou a cair 0,28%, a R$ 1,7810. O giro interbancário (D+2) atingiu US$ 2,326 bilhões. Na roda de pronto da BM&F, a divisa fechou a R$ 1,8035, em alta de 0,98%, após oscilar da mínima de R$ 1,7810 (-0,28%) à máxima de R$ 1,8040 (+1%). O volume financeiro alcançou US$ 429,750 milhões.

Depreciação
A alta de ontem e dos primeiros pregões da semana anulou a queda de anteontem, fazendo com que o dólar encerrasse a semana estável no balcão, mas com leve queda (-0,08%) acumulada na roda de pronto da BM&F. No mês, o dólar no balcão registra depreciação de 1,53%, totalizando uma queda de 15,47% no ano.

Encontro G-7
No mercado global de moedas, o início do encontro dos ministros das Finanças no G-7 neste fim de semana também incutiu cautela nos negócios. A expectativa do mercado é que o enfraquecimento do dólar seja discutido. ''O foco de hoje (ontem) é a reunião do G-7 em Washington, os comentários de câmbio que serão vistos no comunicado (divulgado após a reunião) e as declarações não formais'', disse Camilla Sutton, estrategista de câmbio do Scotia Capital.

Banco Central
De volta ao mercado local, o Banco Central pagou taxa de corte de R$ 1,8030 no leilão de compra de dólar no pregão à vista. De acordo com operadores, foram aceitas oito propostas de cinco bancos, entre as 13 ofertas divulgadas por nove bancos, que variaram de R$ 1,8018 a R$ 1,8060. As outras oito instituições financeiras que participaram da operação não informaram suas propostas. A estimativa é de que o BC tenha comprado aproximadamente US$ 540 milhões.

Juros Futuros
Os juros futuros deram continuidade ao movimento de alta, mas hoje pressionados pelo comportamento tenso dos mercados em Nova York. Por isso, houve avanço expressivo das taxas dos contratos de longo prazo, mais sensíveis à aversão ao risco, enquanto os curtos terminaram o dia estáveis.

Copom
Agora que o Copom iniciou a esperada pausa na flexibilização monetária, que deverá durar alguns meses, o cenário externo pode ter um peso maior nos negócios com juros e os contratos mais longos tendem a concentrar a liquidez, especialmente o DI janeiro de 2010. Alguns operadores consideram que, como é muito pequena a possibilidade de a Selic voltar a cair em dezembro, o forte volume de contratos no DI janeiro de 2008 está com os dias contados.

Das agências

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