MERCADO FINANCEIRO
Volatidade
Tanto o dólar quanto o Ibovespa não conseguiram sustentar no fechamento as marcas históricas intraday registradas na manhã desta quinta-feira de forte volatilidade nos mercados. Os ativos domésticos foram afetados pela piora das Bolsas em Nova York à tarde, e no caso do câmbio, pesou ainda para a inversão da queda da moeda americana o leilão de compra do Banco Central.
Câmbio
Após romper pela manhã o forte suporte de R$ 1,80, indo até as mínimas de R$ 1,785 (-1,03%) na BM&F e a R$ 1,789 (-0,89%) no balcão, o dólar à vista devolveu a queda e passou a subir logo após o leilão de compra do Banco Central e a virada para baixo das Bolsas em Nova York e São Paulo à tarde. Esses patamares mínimos intraday são os mais baixos desde o fechamento do pronto no balcão em 31 de julho de 2000 (a R$ 1,783). O pronto fechou nas cotações máximas do dia, a R$ 1,805 (+0,08%) na roda da BM&F, e a R$ 1,806 (+0,06%) no balcão. O giro total à vista somou cerca de US$ 2,386 bilhões, sendo US$ 1,622 bilhão em D+2.
Inversão
A inversão de sinal do dólar à vista ocorreu logo após o leilão de compra do Banco Central e simultaneamente à virada de alta para queda das Bolsas em Nova York e São Paulo. Pela manhã, o Ibovespa renovou sua marca histórica intraday operando acima de 64 mil pontos, mas acabou devolvendo os ganhos acompanhando o vaivém externo.
Leilão BC
No leilão de compra realizado à tarde, o Banco Central pode ter adquirido cerca de US$ 200 milhões. A taxa de corte foi de R$ 1,7915. Segundo um operador, o BC aceitou cinco propostas (de quatro bancos) entre as 11 propostas que tiveram suas taxas declaradas, que iam de R$ 1,790 a R$ 1,793. Dez instituições não informaram as taxas apresentadas. Logo após essa operação, o pronto passou a desacelerar as baixas e renovou as máximas várias vezes. Na hora do leilão, o pronto caía R$ 1,792 (-0,64%) e R$ 1, 791 (-0,78%).
Próxima semana
O comportamento do dólar na abertura dos negócios na segunda-feira dependerá da reação dos investidores externos amanhã aos dados norte-americanos. Se os números vierem em linha com as expectativas, o dólar poderá retomar a queda. De todo modo, estão sendo esperados ingressos financeiros decorrentes de operações de abertura de capital (IPOs) feitas por várias empresas.
BOLSAS
A Bolsa não sustentou o otimismo da manhã - que impulsionou Ibovespa acima dos 64 mil pontos - e encerrou a quinta-feira no vermelho, contaminada pela deterioração das bolsas de Nova York. O Ibovespa terminou a jornada com declínio de 1,17%, aos 62.455,8 pontos, após oscilar da máxima de 64.169 pontos (+1,54%) à mínima de 61.487 pontos (-2,71%). O volume financeiro atingiu R$ 5,88 bilhões. Na semana, o índice tem alta de 0,22%, com ganho de 3,29% no mês de outubro e de 40,43% no ano.
Queda das ações de tecnologia
A forte queda das ações de tecnologia afetou Wall Street como um todo, puxando uma já esperada realização de lucros, após uma semana de máximas históricas dos índices acionários norte-americanos. No Brasil, além do espaço para embolsar ganhos, o fechamento do pregão amanhã, em razão de feriado nacional, reforçou o movimento de zeragem de posição, uma vez que o mercado nos Estados Unidos funcionará normalmente e a agenda traz indicadores econômicos importantes naquele país.
Dow Jones
Em Nova York, após renovar máximas históricas no intraday, o índice Dow Jones caiu 0,45%, aos 14.015,1 pontos, e o S&P 500 perdeu 0,52%, aos 1.554,41 pontos. Após cinco altas seguidas, o Nasdaq Composite recuou 1,4%, aos 2.772,20 pontos. O declínio mais forte no Nasdaq, pressionado pela queda mais expressiva das ações de tecnologia, foi o que arrastou o mercado para o território negativo.
Cautela
De acordo com o operador de uma corretora em São Paulo, o enfraquecimento em Wall Street foi o sinal para que agentes no mercado local entrassem zerando posições para o feriado nacional nesta sexta-feira. ''Quem estava comprado mais cedo, entendeu que era a hora de realizar lucros e ficar de fora do mercado'', disse. O vencimento de opções sobre ações na segunda-feira (15) na Bovespa e o de opções sobre Ibovespa e do índice futuro na quarta-feira (17) também ajudaram a incutir uma certa cautela nos negócios.
Liquidez
A operação de segunda-feira, além de inflar o giro do pregão, tende a adicionar volatilidade nos negócios, uma vez que afeta ações com importante peso no Ibovespa, como Petrobras PN e Vale do Rio Doce PNA, listadas entre as séries mais líquidas do exercício. Nesta quinta-feira, as preferenciais da Petrobras chegaram a subir 2,68%, a R$ 66,90, mas terminaram com queda de 0,63%, a R$ 64,74, afetadas pela deterioração geral.
JUROS
A volatilidade deu as cartas nos mercados nesta quinta-feira. Os juros futuros não sustentaram o movimento de queda da manhã e terminaram o dia em leve alta, acompanhando a piora de humor dos mercados em Wall Street. Nos contratos curtos, o volume de negócios recebeu reforço das apostas para a reunião do Copom na semana que vem, com taxas perto da estabilidade no final da sessão. Tanto o contrato para dezembro de 2007 quanto o DI janeiro de 2008 - os que refletem diretamente as expectativas para a Selic no encontro dos dias 16 e 17- terminaram em 11,05%, estáveis.
Oscilação
A curva longa abriu um pouco mais, sucumbindo à deterioração do clima externo. No meio da tarde, as bolsas em Nova York passaram a cair, afetadas pelas perdas em papéis de tecnologia. O gatilho pode ter sido o comentário negativo do JP Morgan sobre a ação da popular companhia de internet chinesa Baidu, que poderá cair mais de 10%, além de expectativas sobre alta de juros na zona do euro. Fecharam em baixa tanto o Nasdaq, de 1,40%, quanto Dow Jones e S&P, com respectivos recuos de 0,45% e 0,52%.
Da Agência Estado





