MERCADO FINANCEIRO
Máximas
A Bovespa voltou a renovar máximas históricas ontem. Antes mesmo da divulgação da ansiosamente esperada ata do Fomc, o Ibovespa já havia superado os 63 mil pontos. O documento da autoridade monetária norte-americana só consolidou o otimismo no mercado brasileiro, uma vez que não trouxe surpresas em relação ao teor do comunicado divulgado com a decisão do Fed de reduzir o juro dos EUA em 0,50 ponto porcentual, para 4,75% ao ano, no último dia 18 de setembro.
39º recorde
No término do pregão, o Ibovespa subiu 1,42%, aos 63.548,7 pontos - registrando o 39º recorde no ano, acima da marca histórica registrada ontem, de 62.660,8 pontos. Na máxima, o índice avançou 1,59%, aos 63.658 pontos - superando o último recorde intraday de 62.725 pontos, registrado segunda-feira. Na mínima, ficou em 62.661 pontos, estável. O volume financeiro atingiu R$ 6,727 bilhões. O giro mais elevado em relação à média dos últimos dias decorre dos recursos levantados no leilão de rodovias federais, realizado nesta sessão na Bolsa paulista. No mês, o Ibovespa acumula ganho de 5,10%, totalizando alta de 42,89% no ano.
Reação
Em Wall Street, as bolsas também reagiram positivamente ao documento. O Dow Jones subiu 0,86%, para o recorde de 14.164,5 pontos. O S&P 500 aumentou 0,81%, também em marca inédita de 1.565,15 pontos. E o Nasdaq Composite avançou 0,59%, para 2.803,91 pontos, o nível mais alto desde 30 de janeiro de 2001. O leilão de concessões de sete trechos de rodovias federais realizado ontem na Bovespa também influenciou os negócios. A OHL arrematou cinco trechos. A BR Vias levou um e a Acciona arrematou o outro - que está subjudice.
Leilão
A reação positiva das Bolsas em Nova York e São Paulo à ata da última reunião do Fed, a compra de apenas cerca de US$ 40 milhões pelo BC no leilão de ontem e o arremate pela espanhola OHL de pelo menos cinco dos 7 trechos de rodovias federais leiloados ontem na Bovespa provocaram um aumento da oferta de dólares no mercado à vista durante à tarde. Em consequência, o pronto terminou na cotação mínima na roda da BM&F, de R$ 1,8005, queda de 0,94%; e caiu 0,88%, a R$ 1,802 no balcão.
Investimentos
Estimativas preliminares dão conta de que serão necessários um total de investimentos de, no mínimo, cerca de R$ 10 bilhões durante os 25 anos de concessão desses trechos dessas rodovias. Como a OHL já tem operações no Brasil, não se sabe ao certo se a empresa trará recursos da matriz ou de suas filiais no exterior para o pagamento desses lotes arrematados.
Confiança
Embora os integrantes do Fed não tenham dado na ata da última reunião indicações sobre os movimentos futuros da política monetária, dizendo que ''as ações futuras vão depender de como as perspectivas econômicos serão afetadas pelo desenrolar dos desenvolvimentos do mercado e por outros fatores'', os investidores adotaram uma postura otimista após a divulgação do documento. Isso porque, de acordo com a Dow Jones, a ata do Fed mostra que os seus membros estavam confiantes em que a inflação não representa mais uma ameaça significativa.
Espaço
Além disso, com um setor de moradia ''extremamente fraco'', o Fomc viu espaço para o corte no juro de 50 pontos-base em setembro. ''Como o crescimento econômico provavelmente ficará abaixo de seu potencial por um tempo e com os próximos dados de inflação no lado favorável, parece improvável que o afrouxamento da política venha a afetar de forma adversa a perspectiva para a inflação'', de acordo com a ata do encontro do mês passado.
A ata revelou ainda que todos os membros votaram pelo corte de 50 pontos-base, apesar do ceticismo com relação ao número negativo do payroll (número de vagas abertas) de agosto, que depois foi revisado em alta.
Riscos
Além disso, os membros do Fed estavam preocupados de que uma fraqueza adicional do dólar possa levar a uma inflação mais alta. Os integrantes disseram que há um risco de inflação se o dólar continuar caindo ''significativamente''. Logo após a divulgação do documento do Fomc, segundo a Dow Jones, os contratos de novembro dos Fed Funds projetavam cerca de 36% de chance de um corte de 0,25 ponto para 4,50% no juro básico na reunião do Fed dos próximos dias 30 e 31.
Leilão
No mercado de câmbio, após a ata, o dólar permaneceu em queda ante o euro e em alta em relação ao iene. O euro avançou 0,60% a US$ 1,4105; e o dólar subiu 1,53%, a 117,13 ienes. No leilão de compra de ontem, o BC pagou taxa de corte de R$ 1,809, pouco acima do valor do pronto na hora em que o leilão foi anunciado, de R$ 1,808 na roda da BM&F. A avaliação dos operadores é de que poucos bancos tiveram suas ofertas aceitas pelo BC, que teria comprado cerca de US$ 40 milhões. Após o leilão, o pronto seguiu em baixa.
Otimismo
O otimismo imperou nos mercados domésticos ontem e o segmento de juros teve um choque de ânimo, com melhora na liquidez e queda firme de taxas. O recuo foi mais amplo no trecho longo da curva, mas os contratos de curto prazo foram os mais negociados. Mesmo antes da divulgação da ata do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, o principal evento do dia, as taxas já operavam em baixa, animadas pelo leilão de compra de dólares do Banco Central e clima ameno no exterior. O DI janeiro de 2008 ficou em 11,03%, de 11,05% segunda; o DI janeiro de 2009 recuou de 11,26% para 11,18%; e o DI janeiro de 2010 cedeu a 11,21%, de 11,32% na sessão anterior.
Mercado ativo
Apesar da expectativa pela divulgação da ata do Fomc, anunciada a uma hora do final do pregão na BM&F, o mercado de juros mostrou-se ativo desde a manhã. No início da tarde, os investidores receberam mais um estímulo para aplicar seus recursos quando o BC anunciou leilão de compra de dólar, o segundo consecutivo, adquirindo a moeda à taxa de corte de R$ 1,809. Mesmo assim, a moeda continuou caindo para fechar em R$ 1,802 no balcão e em R$ 1,8005 na BM&F, o menor patamar desde 11/8/2000.





