MERCADO FINANCEIRO
''Payroll''
Os mercados encerraram a semana em clima positivo após o ''payroll'' de setembro nos Estados Unidos vir melhor do que as expectativas e reduzir as preocupações com eventual recessão no país. Como o segmento de mão-de-obra dá sinais de que está melhor do que muitos analistas esperavam, persistem as dúvidas sobre o próximo passo da política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Uma corrente de analistas considera improvável que o Fed volte a reduzir as taxas de juro na reunião de 30 e 31 de outubro e outra ala ainda conta com eventual corte da taxa dos Fed Funds no fim deste mês.
Recorde
A Bovespa renovou recorde intraday de pontos e o S&P 500 terminou na marca histórica de 1.557,59 pontos, em alta de 14 pontos (0,96%). O Dow Jones e o Nasdaq também fecharam com firmes altas. Os preços dos Treasuries caíram e o dólar seguiu em leve recuperação ante o euro e o iene. No Brasil, a moeda americana fechou no menor preço em pouco mais de sete anos, desde 11 de agosto de 2000. O risco Brasil e de países emergentes despencaram. E os juros futuros devolveram á tarde as altas iniciais no embalo dos demais ativos.
Expectativas
Na próxima segunda-feira haverá feriado do Dia de Colombo, nos Estados Unidos, e de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, na sexta-feira. Por isso, na segunda o mercado de títulos do Tesouro dos EUA não operará, mas os mercados de ações e de petróleo funcionarão normalmente. As atenções deverão se concentrar na divulgação da ata da última reunião do Fomc, na terça-feira, e no índice de preços ao produtor (PPI) de setembro (na sexta-feira). Aqui, os investidores vão aguardar a divulgação do IPCA de setembro, na quarta-feira, para consolidar suas apostas para a reunião do Copom nos próximos dias 16 e 17.
Marcas históricas
A Bovespa fechou em alta ontem, após uma semana de altos e baixos. O pregão renovou marcas históricas, mas também experimentou realizações de lucros. Ontem, o otimismo foi impulsionado pelo aguardado número de geração de empregos nos Estados Unidos, que aliviou os temores de uma eventual recessão na economia norte-americana, mas sem anular a expectativa de corte de juros naquele país ainda neste ano. O Ibovespa terminou com elevação de 3,17%, aos 62.318,7 pontos, após renovar a marca histórica intraday, quando atingiu 62.704 pontos (+3,80%), na máxima do dia.
Acumulado
O recorde anterior era de 62.355 pontos, registrado no dia 1º de outubro último. O volume financeiro - inflado pela OPA da Copesul - somou R$ 7,045 bilhões. Na semana e no mês de outubro, o Ibovespa acumula ganho de 3,07%, totalizando alta de 40,12% no ano. O Departamento de Trabalho norte-americano informou ontem que a folha de pagamento não-agrícola registrou acréscimo de 110 mil vagas em setembro, acima do incremento médio esperado de 100 mil vagas. Além disso, o resultado de agosto foi revisado de fechamento de 4 mil postos para a criação de 89 mil.
Animação
Em Wall Street, a véspera do fim de semana prolongado pelo feriado de Dia de Colombo nos EUA na segunda-feira não intimidou os investidores, animados pelo dado do payroll. O indicador Dow Jones subiu 0,66%, aos 14.066 pontos. O Dow Jones estabeleceu novo recorde intraday, superando os 14.115,71 pontos da última segunda-feira; a máxima intraday do Dow também superou o recorde de fechamento de 14.087,55 pontos, da última segunda-feira. O índice S&P 500 aumentou 0,96%, aos 1.557,59 pontos, estabelecendo novo recorde de fechamento. E o eletrônico Nasdaq Composite avançou 1,71%, aos 2.780,32 pontos, no nível mais alto desde fevereiro de 2001,
Volatilidade
Apesar do desempenho positivo na Bovespa ontem, analistas afirmam que o clima na Bolsa paulista segue bastante volátil, guiado principalmente pelo comportamento das ações da Companhia Vale do Rio Doce - que subiram ontem. A volta do Ibovespa ao patamar dos 62 mil pontos também foi impulsionada pela valorização dos papéis da Petrobras - que dividem com as ações da Vale a liderança de participação na carteira do índice. Na Nymex, o contrato do petróleo leve para novembro caiu 0,27%, em US$ 81,22 o barril.
Fluxo cambial
O patamar atual do câmbio doméstico reacende no mercado a expectativa de que o Banco Central poderá vir a intervir comprando moeda, caso venha a identificar algum fluxo cambial mais expressivo. O último leilão de compra do BC em mercado ocorreu em 13 de agosto, quando a autoridade pagou taxa de R$ 1,943. Na roda da BM&F, a mínima do pronto foi de R$ 1,802, em queda de 1,23%; e no balcão, de R$ 1,803 (-1,21%). As máximas foram de R$ 1,818 na BM&F (-0,36%) e no balcão (-0,38%). O giro financeiro com câmbio, no entanto, foi fraco.
Dólar futuro
No mercado de dólar futuro, os cinco vencimentos transacionados indicaram quedas. O dólar novembro07 projetou baixa de 1,16%, a R$ 1,808; e o dólar março08, -0,54%, a R$ 1,847. O volume movimentado somou cerca de US$ 15,11 bilhões (304.088 contratos). Com as firmes altas das Bolsas em Wall Street, os investidores venderam Treasuries, cujos preços caíram e os juros avançaram. No mercado de moedas, após a divulgação dos dados da payroll, o dólar encontrou espaço para seguir em recuperação ante o euro e o iene, o que foi considerado uma correção normal após o rápido e recente enfraquecimento da moeda americana.
Queda
A ampliação dos ganhos das bolsas e da baixa do dólar deslocou os juros futuros para o rumo de queda na última hora de sessão, ante a estabilidade das taxas até então. Em uma sessão de liquidez minguada, pode-se dizer que os DIs recuaram sem convicção. O contrato janeiro de 2008 fechou em 11,04%, de 11,05% ontem; o DI janeiro de 2009 recuou para 11,25%, de 11,27% ontem; e o DI janeiro de 2010 passou de 11,31% para 11,29%.
Inflação
Na esteira da divulgação dos dados da produção industrial do IBGE quinta-feira, a percepção de que a demanda doméstica em expansão, que está puxando o ritmo da atividade, pode trazer riscos à inflação, o que deve restringir a partir de agora a política monetária, continuou pesando na maior parte do dia. Para o mercado, é grande a possibilidade de o Copom adotar em outubro uma pausa na flexibilização do juro. Por isso, seguiu travado e não houve espaço para muitas comemorações pelos dados positivos do relatório de emprego nos EUA.





